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Karin Salomão

Karin Salomão

Jornalista formada pela Universidade de São Paulo (USP), com experiência em economia e negócios. Foi repórter na Exame e editora assistente no UOL Economia. Completou o Curso B3 de Mercado de Capitais para Jornalistas e Formadores de Opinião, em parceria com o Insper. Hoje, é editora assistente de empresas no Seu Dinheiro.

INOVAÇÕES

Novos lançamentos, mercado internacional: o que esperar do mercado de ETFs para este ano

Ainda que 850 mil investidores seja um marco para a indústria de ETFs, ainda é um número pequeno na comparação com o número de 100 milhões de investidores na renda fixa e de 5,4 milhões na renda variável

Karin Salomão
Karin Salomão
16 de fevereiro de 2026
11:15 - atualizado às 10:55
Imagem: iStock/Inside Creative House

Depois de dezenas de lançamentos de novos ETFs no ano passado, com o patrimônio investido batendo recordes, o que esperar para o mercado de fundos de índice neste ano?

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Foram mais de 50 lançamentos, praticamente um por semana, no ano passado. Hoje, há quase 500 produtos disponíveis, entre os cerca de 200 listados na B3 e os que replicam fundos negociados np exterior. Esses produtos cobrem desde o Ibovespa até índices de crédito privado, commodities e até criptoativos.

Entre as principais inovações do ano passado, estão o lançamento do primeiro ETF híbrido, que combina renda fixa e variável. É o GOAT11, da Itaú Asset, que combina renda fixa com 80% de exposição a juro real brasileiro, e 20% de exposição a ações internacionais do &P500, através do ETF SPX11.

Outras inovações, segundo a B3, incluem:

  • o primeiro modelo de cogestão em ETFs;
  • o ETF Connect, programa pioneiro que conecta a B3 às bolsas de Xangai e Shenzhen, permitindo listagens recíprocas;
  • e o primeiro ETF brasileiro baseado em contratos futuros de Bitcoin.

A indústria brasileira de fundos de índice ultrapassou 850 mil investidores, dos quais 81% são pessoas físicas. Os dados são do relatório anual de ETFs da B3.

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Há um patrimônio consolidado recorde de 90,2 bilhões nesses ativos. A indústria geral de fundos tem patrimônio de R$ 11 trilhões investidos, segundo dados de janeiro da Anbima.

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Para onde irão os ETFs em 2026

Ou seja, há muito espaço para crescer. "Esse avanço do mercado de ETFs está diretamente ligado às vantagens estruturais dos ETFs e às mudanças relevantes na forma de investir", diz Renato Nobile, gestor e sócio-fundador da Buena Vista.

"2026 tende a ser mais um ano muito positivo para a indústria de ETFs no Brasil, mantendo a trajetória de crescimento acelerado, tanto no número de produtos listados quanto no patrimônio investido na estratégia", afirma Danilo Moreno, analista da Investo, gestora independente especializada em ETFs.

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Os lançamentos devem se concentrar na renda fixa, onde não há um leque tão diversificado de estratégias como em ETFs de renda variável, acredita o analista.

Já Renato Eid, sócio e superintendente de estratégias indexadas e investimento responsável da Itaú Asset Management, acredita que haverá maior seletividade. "Vamos ver lançamentos de ETFs, mas também uma visão mais crítica do que não está funcionando", diz ele. "É o paradoxo da escolha: quando há muitas alternativas, a escolha fica mais difícil."

Segundo a B3, os próximos anos devem consolidar a expansão dos ETFs de crédito e híbridos e o crescimento de produtos baseados em fatores e teses globais.

A adoção da corretagem fee based também pode impulsionar os ETFs, dizem os analistas. São modelos em que corretores são remunerados com uma taxa fixa anual sobre o patrimônio total, em vez de comissões por produtos vendidos.

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Esse modelo de remuneração dos assessores pode beneficiar os ativos com melhor custo-benefício, como ETFs, no lugar de fundos multimercado, por exemplo. "A adoção crescente dos modelos fee based, aliada à popularização das carteiras administradas, tem atuado como um poderoso catalisador desse movimento", diz Nobile.

"Se a última década foi marcada pela democratização, a próxima será a da sofisticação acessível — e os ETFs serão a espinha dorsal dessa nova fase do mercado de capitais brasileiro", diz o relatório anual de ETFs da bolsa brasileira.

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