Ibovespa a 200 mil pontos? Gestor diz o que pode acontecer com seus investimentos se Lula ou Flávio vencerem
Rodrigo Glatt, sócio-fundador da GTI Administração de Recursos, analisa os possíveis impactos das eleições sobre os mercados em novo episódio do podcast Touros e Ursos
O primeiro turno das eleições bate à porta e a pergunta que domina as conversas entre investidores é: o que acontecerá com o Ibovespa, o dólar e os juros se Lula (PT) se mantiver no Palácio do Planalto ou Flávio Bolsonaro (PL) assumir o posto?
Rodrigo Glatt, sócio-fundador da GTI Administração de Recursos, afirma que a resposta passa menos pelo nome do próximo presidente e mais pela capacidade do próximo governo de convencer o mercado de que fará o ajuste fiscal considerado necessário.
Em entrevista ao podcast Touros e Ursos, Glatt reconhece que os investidores enxergam os dois candidatos de maneira bastante diferente.
Segundo o gestor, uma vitória de Flávio tende a ser recebida de forma mais positiva pelos mercados, enquanto um resultado favorável a Lula poderia provocar uma reação inicial mais negativa.
A razão é a confiança limitada dos participantes do mercado na disposição do atual presidente petista de promover cortes de gastos e melhorar a trajetória da dívida pública.
"Eu acho que o mercado tem uma confiança muito baixa de que Lula, ganhando as eleições, ele vá realmente fazer um ajuste que é necessário", afirmou.
Leia Também
No último pregão antes das eleições, Ibovespa dispara, chega nos 192 mil pontos e sobe 2,63%
Mas Glatt chama atenção para um detalhe importante: boa parte dessa discussão já está parcialmente refletida nos preços dos ativos. Somente o resultado das urnas pode decidir o rumo do Ibovespa agora.
Investidores aguardando o momento
Apesar da recuperação recente do Ibovespa, Glatt acredita que o movimento está longe de ter terminado.
Na avaliação dele, a alta observada nos últimos meses foi impulsionada principalmente pela entrada de recursos estrangeiros. Enquanto isso, os investidores brasileiros continuam com uma exposição historicamente baixa à renda variável, com apenas cerca de 2% a 3% dos portfólios da indústria alocados em ações.
É justamente aí que ele enxerga uma oportunidade.
Se o próximo governo conseguir melhorar a percepção sobre as contas públicas e abrir espaço para uma trajetória mais favorável dos juros, o gestor acredita que o investidor doméstico pode voltar gradualmente para o Ibovespa, gerando uma nova onda de valorização.
O resultado desse movimento poderia ser expressivo.
"Eu diria que pelo menos acima de 200 mil pontos em um horizonte mais longo", afirmou ao comentar o potencial do Ibovespa.
Para ele, muitos setores da bolsa continuam negociando com múltiplos baixos em relação à própria história, o que amplia o potencial de valorização caso o ambiente econômico melhore.
Ações para Lula e para Flávio
Como considera a disputa eleitoral muito equilibrada, o gestor evitou concentrar apostas em apenas um resultado.
A estratégia da GTI é combinar ativos defensivos, capazes de resistir a um cenário mais turbulento, com empresas que podem se beneficiar de ambos os cenários.
Entre as posições defensivas, que responderiam de forma resiliente a continuidade de Lula no Planalto estão Vale (VALE3), Suzano (SUZB3) e empresas ligadas ao agronegócio, como São Martinho (SMTO3). Na visão do gestor, são companhias com geração de caixa robusta, ativos reais e capacidade de atravessar cenários mais difíceis.
Do outro lado da carteira aparecem empresas mais sensíveis ao ciclo econômico brasileiro, que responderiam a um cenário de juros menores e melhora econômica. Um dos exemplos citados foi a Simpar (SIMH3).
Mesmo assim, o gestor faz um alerta: Brasília não é a única variável relevante para os mercados neste momento.
Os juros nos Estados Unidos, a guerra no Oriente Médio e o comportamento do petróleo continuam sendo fatores capazes de influenciar a direção dos ativos brasileiros nos próximos meses.
Touros e Ursos da semana
No encerramento do episódio, o tradicional quadro Touros e Ursos trouxe os destaques da semana.
No lado dos Ursos (destaques negativos) Glatt escolheu o Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, as recentes controvérsias envolvendo a Corte ampliaram o desgaste institucional e levantaram questionamentos sobre o equilíbrio entre os Poderes no país.
As bets também apareceram como destaque negativo, após a publicação da medida provisória que restringe a atuação das plataformas de apostas no Brasil. A decisão tardia deu espaço para que o setor produzisse impactos visíveis sobre o consumo das famílias e o endividamento dos brasileiros.
Entre os Touros (destaques positivos), Glatt destacou a Ser Educacional (SEER3), citando a melhora operacional da companhia, a redução do endividamento e o aumento da capacidade de geração de caixa.
A fusão entre Yduqs e Afya também foi escolhida como touro. A operação criará uma gigante do ensino superior e da educação médica no Brasil, com potencial de gerar mais de R$ 2 bilhões em sinergias.
Confira o episódio completo do Touros e Ursos
FECHAMENTO DOS MERCADOS
O vento a favor que fez o Ibovespa decolar 4 mil pontos, inverter o sinal e fechar setembro no azul
30 de setembro de 2026 - 17:49MESMO QUE 'DÊ RUIM'
Faça chuva ou faça sol nas urnas: JP Morgan seleciona ações que podem ganhar com o melhor ou o pior resultado eleitoral
30 de setembro de 2026 - 13:05TAG SUMMIT
Não tem tempo ruim para a infraestrutura: as empresas preferidas da Perfin para atravessar crises e juros altos
29 de setembro de 2026 - 17:53PRÊMIO DE RISCO
Dólar a R$ 4,80? As pistas que as últimas eleições na América Latina dão para o desempenho do real
28 de setembro de 2026 - 18:45VISÃO DO GESTOR
“Não se ganha dinheiro comprando o que é popular”: onde a Inter Asset está vendo pechinchas na bolsa brasileira
27 de setembro de 2026 - 12:01INTER INVEST SUMMIT
Ações “órfãs” na bolsa, juros altos e uma armadilha no crédito: onde investir em 2027, segundo especialistas
26 de setembro de 2026 - 18:08RALI NA B3
Ibovespa a 207 mil pontos? Especialista do Inter diz o que pode destravar a bolsa brasileira após as eleições
25 de setembro de 2026 - 16:40ALÉM DA BOLSA
Os fundos imobiliários cetipados vieram para ficar? Entenda por que eles estão em alta e o que você precisa saber antes de investir
25 de setembro de 2026 - 15:54SETOR DE AUTOPEÇAS
JP Morgan pisa no freio e rebaixa Frasle (FRAS3) para venda. Analistas preferem outras 3 ações que podem saltar até 69%
25 de setembro de 2026 - 13:18MAIS AQUISIÇÕES
TRXF11 enche o carrinho de novo e paga R$ 2,83 bilhões, mas FII cai na bolsa; veja o que entra no portfólio
24 de setembro de 2026 - 13:02O OUTRO LADO DA MOEDA
R$ 4,50 ou R$ 5,80? O gatilho que vai definir o preço do dólar depois das eleições
23 de setembro de 2026 - 18:33RADAR DE FIIS
Fundo imobiliário leva calote de inquilino em recuperação judicial; entenda o impacto no bolso dos cotistas
23 de setembro de 2026 - 13:01SD ENTREVISTA
Tubarões saem e varejo entra: sinal de alerta para os FIIs? LAREAL revela o que os institucionais estão vendo
23 de setembro de 2026 - 6:01AS MAIS SAUDÁVEIS
Dasa (DASA3) é compra para o UBS BB, mas banco revela outras 2 favoritas — uma delas para dividendos
22 de setembro de 2026 - 19:50EM DESACELERAÇÃO
FIIs de shoppings sob pressão: é hora de separar o joio do trigo — e o BTG Pactual já escolheu os ativos favoritos
21 de setembro de 2026 - 20:01EM ESPERA...
Nubank, BTG Pactual e Banco do Brasil: os gringos já escolheram onde investir, agora só falta o gatilho certo para apertar compra
21 de setembro de 2026 - 17:19DIRETO PELA B3
IA, Ibovespa e até farmacêuticas gringas: Itaú BBA diz como investir em 800 ações com retorno de 23% ao ano sem dor de cabeça
18 de setembro de 2026 - 19:20EM TOM DE CAUTELA
Lula turbina Bolsa Família em 15% e faz o Ibovespa perder 3 mil pontos. Por que o mercado torceu o nariz?
17 de setembro de 2026 - 13:00DEU RUIM