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VISÃO DO GESTOR

O que Luis Stuhlberger espera de um governo Lula 4 e de um governo Flávio Bolsonaro

Gestor da Verde Asset vê riscos crescentes para o Brasil em um eventual quarto mandato de Lula, mas não nutre o otimismo do mercado com uma vitória da oposição

Luis Stuhlberger, gestor do fundo Verde
Luis Stuhlberger, CEO e CIO da Verde Asset - Imagem: Leo Martins

Para Luis Stuhlberger, o Brasil ainda não chegou ao ponto de ruptura necessário para consertar seus problemas. Na avaliação do fundador e CIO da Verde Asset, o país precisaria passar por uma deterioração muito maior antes que governos, Congresso e sociedade civil se mobilizassem em torno de reformas capazes de mudar de forma estrutural a trajetória das contas públicas.

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Algo mais próximo do que aconteceu na Argentina do que do cenário atual brasileiro.

“Às vezes eu penso que para o Brasil acordar, infelizmente as coisas têm que piorar muito. Meio que nem a Argentina", afirmou Stuhlberger durante evento promovido pela Monte Bravo nesta quinta-feira (24).

O comentário ajuda a explicar por que o gestor vê com tanto ceticismo os dois cenários que hoje dominam as discussões do país para a eleição presidencial de 2026.

De um lado, ele enxerga um eventual quarto mandato do presidente Lula como um desastre para a economia brasileira. De outro, tampouco compra a ideia de que uma vitória de Flávio Bolsonaro seria a solução para os problemas do país.

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Enquanto as urnas não apresentam a resposta de qual projeto de país a população escolheu, Stuhlberger se debruça sobre os possíveis cenários para a economia e os ativos financeiros diante de cada possível vencedor.

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Lula 4: um risco que pode demorar a aparecer

“Eu particularmente sou mais negativo que o mercado com Lula 4”, afirmou Stuhlberger.

O gestor acredita que os participantes do mercado estão olhando para uma reeleição do presidente Lula como “mais do mesmo”, principalmente os estrangeiros. Entretanto, para ele, a continuidade da política atual pode ter consequências muito ruins para o país.

O gestor classificou o terceiro mandato de Lula como o pior governo do petista do ponto de vista fiscal e afirmou que o Brasil entrou em uma trajetória preocupante de aumento de gastos, déficits elevados e dívida crescente.

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Apesar de achar que Lula começaria o novo governo com o pé no freio, justamente por causa da preocupação da sociedade com as contas públicas, eventualmente, o modus operandi expansionista voltaria — mas com pouco efeito na popularidade e muito efeito na dívida.

Stuhlberger argumenta que a economia brasileira dá sinais de desaceleração por causa dos juros elevados, do endividamento das famílias e do aumento da inadimplência. Caso continue nesse caminho, uma recessão é possível.

Nesse contexto, em um novo governo, Lula poderia recorrer novamente ao estímulo do crédito e a mecanismos de garantia pública para sustentar a atividade. Entretanto, diante da má avaliação atual do governo e da crise institucional, isso poderia se reverter em uma crise muito grande.

“Não acredito que a reação ruim seria imediata. Mas a chance de dar alguma coisa muito errada em um ou dois anos é grande”, afirmou.

O que aconteceria com dólar, juros e bolsa com o Lula

Na leitura de Stuhlberger, o mercado não enxerga um desastre imediato caso Lula vença. É o tal do “mais do mesmo”.

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As opções de dólar negociadas atualmente sugerem uma desvalorização relativamente moderada do real.

O gestor afirma que os preços indicam uma alta próxima de 6% da moeda norte-americana em caso de vitória do atual presidente. Isso levaria a moeda norte-americana para algo próximo de R$ 5,50, segundo seus cálculos.

Nos juros, ele vê um cenário mais preocupante.

Stuhlberger considera que as taxas prefixadas sofreriam bastante em um governo Lula, refletindo dúvidas sobre a continuidade da queda dos juros e a sustentabilidade das contas públicas.

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Diante do aumento das taxas nos Estados Unidos, ele não vê muito espaço para o Banco Central cortar muito da Selic no país. Ainda assim, um novo governo petista e sua disposição expansionista também representam risco para a inflação.

Já a bolsa é onde Stuhlberger vê a melhor relação entre risco e retorno.

Apesar das preocupações com a trajetória fiscal em um eventual governo Lula 4, o gestor avalia que as ações brasileiras já embutem boa parte desse cenário negativo nos preços.

Por isso, ele enxerga mais espaço para valorização do que para queda, estimando um potencial de alta próximo de 30%, ante um risco de baixa de cerca de 10% a 12%.

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Flávio Bolsonaro não vale euforia

Se a reeleição de Lula representa uma continuidade do quadro atual, a eleição de Flávio Bolsonaro teria potencial para provocar uma reprecificação rápida dos ativos brasileiros, segundo Stuhlberger.

“Se o Flávio ganha, eu acho que vai ser uma porrada insana na bolsa. Todo mundo vai comprar, estrangeiros e brasileiros”, afirmou no evento.

Não porque o candidato da oposição representa uma mudança brutal para a economia do país, mas porque ele representa o fim da política expansionista petista.

“Mesmo que o Flávio não entregue nada muito bom, só o fato de o Lula sair já dá um alívio de imaginar o governo diminuindo a expansão de gastos”, afirmou.

A recente alta de Flávio nas últimas pesquisas eleitorais deu gás para que investidores comprassem ações. No agregador de pesquisas e no Polymarket, mercado de apostas nos Estados Unidos, Flávio possui chances de vitória de 60%, contra 40% de Lula, o que, na visão de Stuhlberger, “parece razoável”.

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Mas o gestor não se mostra otimista com um governo Flávio.

Na avaliação do fundador da Verde Asset, a vitória da oposição seria recebida inicialmente com euforia pelos investidores, mas isso não significa que o novo governo conseguiria implementar as reformas necessárias para colocar a trajetória fiscal brasileira em ordem.

O gestor avalia que, diante das pressões políticas de Brasília, um eventual governo Flávio Bolsonaro acabaria cedendo espaço ao Centrão e aos grupos de interesse organizados. “Vai se render ao Centrão, vai acabar cedendo aos lobbies”, disse.

Apesar de considerar um governo Flávio melhor para os mercados do que um quarto mandato de Lula, Stuhlberger alerta para o risco de os investidores se deixarem levar por um excesso de otimismo.

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“Para consertar o Brasil, você precisa de alguém muito forte, com muita moral. Que não é ele”, afirmou.

O que aconteceria com dólar e juros

Além dos ganhos na bolsa, no câmbio, Stuhlberger acredita que a assimetria seria mais limitada.

O gestor avalia que uma vitória de Flávio poderia levar o dólar a cair para a casa de R$ 4,80, refletindo a melhora da percepção sobre o Brasil.

No entanto, ele pondera que o espaço para apreciação do real seria contido pela atuação do Banco Central, que, segundo ele, tenderia a comprar dólares e recompor posições caso a moeda norte-americana recuasse demais.

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Para os juros, o cenário é parecido. O CEO da Verde acredita que a simples expectativa de uma política fiscal mais responsável poderia aliviar os prêmios atuais na curva de juros, mas não o suficiente para provocar uma queda acentuada das taxas.

O limite depende dos juros norte-americanos, que continuaria impondo um piso para a queda dos juros domésticos.

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