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Dólar a R$ 5,00: oportunidade de ouro para investir lá fora ou armadilha antes das eleições?

Com mínima de R$ 5,0055 nesta sexta-feira (10), a moeda norte-americana acumula perdas de 2,88% na semana e de 3,23% em abril, após ter avançado 0,87% em março, no auge da aversão ao risco no exterior em razão do conflito no Oriente Médio

Dólar diante de uma bandeira do Brasil e um gráfico da bolsa de valores
Imagem: Montagem Seu Dinheiro

O mercado financeiro viveu uma sexta-feira (10) de forte ajuste no câmbio. O dólar encerrou o dia a R$ 5,0115, após ter tocado a mínima de R$ 5,0055 da sessão — o menor valor registrado em dois anos, colocando a moeda norte-americana de cara com a emblemática barreira psicológica dos R$ 5,00. 

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O real voltou a exibir o melhor desempenho entre as moedas mais líquidas, em meio a relatos de entrada de recursos estrangeiros para ativos domésticos.  

O Ibovespa renovou recorde de pontuação, aos 197.323,87 pontos no fechamento, amparado em grande parte pela valorização das ações da Petrobras (+2,36%), apesar do recuo do petróleo.  

O contrato do Brent — referência para o mercado internacional e para a petroleira brasileira — caiu 0,75%, para US$ 95,20 o barril, encerrando a semana com perdas de 12,7%. 

Com mínima de R$ 5,0055, no início da tarde, o dólar à vista terminou a sessão em queda de 1,03%, a R$ 5,0115. A moeda norte-americana acumula perdas de 2,88% na semana e de 3,23% em abril, após ter avançado 0,87% em março, no auge da aversão ao risco no exterior em razão do conflito no Oriente Médio.  

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No ano, o dólar recua 8,70% em relação ao real. 

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O movimento reflete uma combinação de fatores externos — as políticas de Donald Trump e o xadrez geopolítico — com a atratividade dos juros brasileiros. Mas o que isso significa para o seu bolso e para as empresas da bolsa? 

O que machucou o dólar 

De acordo com William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, três pilares sustentam essa valorização recente do real: o efeito Trump, o bônus das commodities e o carry trade. 

Para Alves, as políticas do governo norte-americano, especialmente o tarifaço contra parceiros comerciais, geraram instabilidade. Com valuations esticados em Wall Street, investidores estão reduzindo a exposição aos EUA — de 65% para 60% em muitos portfólios — e migrando recursos para Europa, Japão e Brasil

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Soma-se a esse cenário, as tensões geopolíticas. Como grande produtor de petróleo, Alves lembra que o Brasil colhe os frutos de preços elevados na balança comercial sem sofrer o mesmo impacto inflacionário que outros pares, já que o repasse de preços por aqui é mais contido. 

O tripé é fechado pelo carry trade. Com a Selic em 14,75% ao ano, frente a uma taxa norte-americana na faixa de 3,50% a 3,75%, o diferencial de juros continua atraindo o capital estrangeiro em busca de rentabilidade fácil, segundo o estrategista-chefe da Avenue.  

Tadeu Arantes, head de alocação da Ghia Multi Family Office, reforça que o real demonstrou uma resiliência impressionante em março, performando melhor do que outros países emergentes e até economias avançadas. 

“O patamar de R$ 5 é uma barreira psicológica importante para o investidor, e há agora uma possibilidade concreta de rompimento dessa barreira. O que a gente viu ao longo de março foi uma resiliência grande do real, mesmo em um ambiente de alta incerteza de conflito geopolítico, com as tensões no Oriente Médio”, disse Arantes.  

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“Esse ambiente acabou penalizando várias moedas, inclusive o real, que caiu 1,5% ao longo do mês de março — uma queda muito aquém de outros emergentes e até de pares avançados”, acrescenta. 

Ganha-perde: quem sorri e quem chora na bolsa? 

A desvalorização do dólar redesenha as expectativas de lucro para diversos setores, dividindo empresas entre vencedoras e perdedoras.  

Gigantes de commodities como Petrobras, Suzano e Klabin sentem o golpe, segundo Arantes, da Ghia.  

“As exportadoras acabam sendo impactadas negativamente, especialmente quando olhamos para as exportadoras de commodities como Petrobras, Suzano e Klabin, que tem como principal destino o mercado externo e vendem aqui em dólar, então a receita acaba diminuindo”, afirma.  

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Do lado vencedor, segundo ele, estão as companhias ligadas à economia doméstica.  

“As empresas que têm despesa em real podem se dar bem em algum grau. Mas as empresas que mais se beneficiam são as que estão ligadas à economia doméstica, seja pelo arrefecimento da inflação, pela melhora do poder de consumo ou pelo câmbio mais desvalorizado”, afirma.  

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Dólar baixo: o que fazer com o seu dinheiro agora? 

Para quem olha para o exterior, o momento é de oportunidade, mas exige sangue frio.  

"O erro do investidor é tentar fazer tudo agora, antecipando que esse possa ser o fundo do poço", alerta Arantes. 

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A estratégia recomendada pelo head de alocação da Ghia é aproveitar a baixa pontual da moeda norte-americana para remessas. 

Como é impossível cravar onde está o piso do câmbio, a regra de ouro é fazer aportes graduais para aproveitar as quedas sem correr o risco de entrar com tudo no momento errado. 

“É um bom momento para fazer remessas ao exterior, aproveitando essa queda do dólar. A estratégia é sempre tentar fazer um preço médio e fixar qual a fatia do portfólio o investidor quer ter no exterior, e aproveitar essas quedas. Esse momento é bom para acelerar esse processo”, afirma. 

Arantes ainda dá outra dica: investir lá fora vai além do câmbio; é a chance de acessar teses que não existem no Brasil, como as gigantes de inteligência artificial (IA)

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“Vale entender que quem manda recursos lá para fora não pode ficar totalmente preso à essa dinâmica de preços. O dinheiro enviado para o exterior não serve só para lucrar com a desvalorização cambial, mas também para aproveitar oportunidades que não existem no mercado brasileiro, investir em outras geografias, deixar o dinheiro em moeda forte — os EUA ainda têm instituições fortes, que os emergentes, por exemplo, não têm”, diz Arantes.  

E Alves, da Avenue, faz o alerta: as eleições de outubro e as incertezas no cenário fiscal brasileiro continuam sendo os principais riscos de repique para o dólar no curto prazo. 

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