A guerra vai acabar? Verde diz o que pode parar Trump no Irã — e não é a disparada do petróleo
Na carta de fevereiro, o fundo de Stuhlberger avalia o conflito no Oriente Médio e diz quais as peças do tabuleiro foram mexidas — o lendário investidor deu tchau para o euro

O Verde teve uma rentabilidade de 1,44% em fevereiro, superando o 1% do CDI no período. No acumulado de 2026, o retorno é de 4,51%. Mas as águas tranquilas nas quais o fundo comandado por Luis Stuhlberger navegava no mês passado já não existem mais, e o lendário investidor recalcula a rota da guerra entre EUA e Irã.
O recado do Verde para os investidores é contundente: tentar prever os próximos capítulos do conflito é um exercício de baixa utilidade, dada a natureza "errática e incerta" do estilo de decisão de Donald Trump.
Na segunda-feira (9), o presidente norte-americano disse que a guerra contra o Irã estava dentro do previsto pelas forças dos EUA, com duração de quatro a cinco semanas, eu que o conflito estaria perto do fim.
A declaração reverteu boa parte das perdas na bolsa — o Ibovespa subiu 0,86% ontem e hoje acelera ainda mais os ganhos, avançando mais de 1% —, enquanto o dólar recuou para R$ 5,16, onde se encontrava nesta manhã.
O petróleo, por sua vez, que encostou em US$ 120 o barril, agora cai mais de 10%, cotado na casa de US$ 88 o barril, na esperança de um cessar-fogo que normalize o tráfego no Estreito de Ormuz.
Para o Verde, no entanto, existe um fator pragmático que pode ditar o fim das hostilidades: as eleições de meio de mandato nos EUA em novembro deste ano.
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“Existe preferência política por um conflito que dure pouco, afinal os EUA vão às urnas em novembro deste ano e o partido do presidente tem perdido popularidade”, diz um trecho da carta do fundo.
Com o eleitorado sentindo o choque no bolso — só na primeira semana de março, o WTI, referência para o mercado de petróleo norte-americano, disparou 35% — o incentivo político é para que o conflito seja reduzido nas próximas semanas, trazendo um provável alívio para os prêmios de risco, segundo o Verde.
“Mas é cedo ainda para explorar consequências de médio prazo”, diz o time do fundo aos investidores.
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O que Stuhlberger comprou e vendeu
Mesmo longe da tempestade geopolítica e à volatilidade local, que começou em 28 de fevereiro, o Verde não ficou parado. Confira as principais movimentações de portfólio destacadas na carta:
O que o fundo comprou ou manteve:
- Ações no Brasil: após reduzir a exposição no fim de fevereiro, o fundo aproveitou as turbulências para voltar a aumentar a posição em bolsa local
- Ouro: um dos grandes destaques do mês, subindo 7,7% em fevereiro e mantido como parte da estratégia de proteção.
- Iene: a moeda japonesa foi incluída na cesta de moedas contra o dólar.
- Renda fixa local: continuou com a posição comprada em juro real.
- Real e yuan: a posição tanto na divida brasileira como na chinesa foi preservada.
O que o fundo vendeu ou reduziu:
- Euro: o fundo optou por reduzir a exposição à moeda única europeia na cesta de moedas.
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