A derrocada da bolsa: estudo mostra que crises globais estão por trás dos maiores tombos do Ibovespa
Levantamento da Elos Ayta mostra que o contexto político local foi responsável por apenas um dos dez piores desempenhos diários do Ibovespa

A última vez em que um episódio político doméstico esteve entre as maiores quedas diárias do Ibovespa (IBOV), o circuit breaker disparado nesta segunda-feira (26) ainda não existia no Brasil, segundo estudo da Elos Ayta. Mais cedo, a B3 suspendeu as negociações por 30 minutos.
Adotado pelo Brasil em 1997, em meio à crise financeira asiática, o circuit breaker é um dispositivo técnico que interrompe temporariamente as negociações e tem como referência a variação do principal índice do mercado brasileiro de ações.
A ideia é criar um período de pausa para que os operadores "esfriem a cabeça" e consigam equilibrar melhor a oferta e a demanda de ações.
Caso a primeira interrupção não seja efetiva e o desempenho siga piorando, há dois outros gatilhos na mesa:
- Queda de 15%: pausa de uma hora no pregão;
- Queda de 20%: as negociações são suspensas por tempo indeterminado — a B3 pode, inclusive, encerrar o pregão de maneira antecipada.
O circuit breaker registrado nesta segunda-feira (26) ocorre após o segundo turno das eleições de 2026. Com 100% das urnas apuradas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve 51,79% dos votos válidos em segundo turno, ante 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), uma diferença de mais de 4,3 milhões de votos.
O resultado contrariou a maioria das pesquisas e a disputa do primeiro turno, em que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro encerrou com vantagem de 2,2 milhões de votos sobre o petista.
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Levantamento da Elos Ayta mostra que o contexto político local foi responsável por apenas um dos dez piores desempenhos diários do Ibovespa, enquanto crises internacionais foram responsáveis pelo contexto de nove das dez maiores quedas diárias, em episódios ocorridos entre 1994 e 2020.
Os piores dias do Ibovespa
A maior perda da amostra foi registrada em 10 de setembro de 1998, quando o principal índice da Bolsa brasileira recuou 15,83%, em meio à crise financeira russa e à fuga de capitais dos mercados emergentes.
A segunda maior queda ocorreu em 27 de outubro de 1997, com desvalorização de 14,98%, durante a crise asiática.
O estudo mostra a pandemia do novo coronavírus concentrando quatro das dez maiores perdas, todas registradas em março de 2020, em um intervalo de apenas oito pregões.
O Ibovespa recuou 14,78% em 12 de março daquele ano, 13,92% no dia 16, 12,17% no dia 9 e 10,35% em 18 de março.
A combinação do avanço da pandemia, restrições de circulação, o temor de uma recessão mundial e a guerra de preços do petróleo entre Arábia Saudita e Rússia provocaram uma onda de aversão ao risco nos mercados internacionais.
Outros quatro episódios estão associados às crises financeiras de 1997 e 2008. Durante a crise asiática, além da queda de 14,98% em 27 de outubro de 1997, o Ibovespa perdeu 10,20% em 12 de novembro daquele ano.
Já em 2008, a crise financeira internacional, agravada pela quebra do banco Lehman Brothers, contribuiu para as perdas de 11,39% em 15 de outubro e 10,18% em 22 de outubro, conforme o estudo.
Entre as dez quedas analisadas, apenas uma esteve diretamente associada a um acontecimento político doméstico.
Em 5 de setembro de 1994, o Ibovespa caiu 10,50% após a repercussão das declarações do então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, no episódio conhecido como "escândalo da parabólica", que provocou incertezas sobre a continuidade do Plano Real.
Um evento em que o circuit breaker foi acionado, embora não entre na lista de piores tombos do Ibovespa, é o "Joesley Day". Em maio de 2017, ocorreu o vazamento de uma conversa entre o então presidente Michel Temer e Joesley Batista, um dos donos da JBS.
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