Petrobras despenca 12%, Vale cai 4% e EWZ tomba 19%: a reação imediata à vitória de Lula — e o que vem por aí
Especialistas esperam um movimento de forte correção dos mercados nesta segunda-feira (26); Nova York e EWZ já dão pistas do que pode vir por aí

As bolsas só abrem oficialmente por aqui na segunda-feira (26), mas o investidor já tem um gostinho (amargo) do que pode vir por aí com o desempenho de ações, índices e câmbio no after hours em Nova York e nos mercados futuros.
As ações da Petrobras são as que mais chamam atenção neste domingo (25): os ADR (American Depositary Receipt ou Recibo de Depósito Americano) caíam 12% por volta de 22h, enquanto os da Vale recuavam 4,4%.
O EWZ, principal fundo de índice (ETF) do Brasil em Nova York, despencava 19,63% no mesmo horário. Já o Next Funds Ibovespa Linked, principal ETF brasileiro negociado na Bolsa de Tóquio, operava em queda de 11,80%.
Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 0,47%, aos 205.082,56 pontos, na esteira de uma rodada final de alocações, com os investidores mirando uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL). O senador era visto pela maioria do mercado financeiro como mais favorável a um ajuste nas contas públicas.
Lula venceu o senador com 51,78% dos votos contra 48,22%. Você pode conferir aqui os detalhes dessa eleição histórica.
Para segunda-feira (26), muitos analistas estão prevendo que circuit breaker para a bolsa brasileira, juros disparando e dólar abrindo na casa de R$ 5,30.
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Por volta de 22h, o real caía mais de 11% no mercado futuro da CME, em Chicago. O contrato do real para novembro recuava 10,59%, em um pouco mais de 70,3 mil negociações. O dólar implícito para segunda-feira (26) estaria em R$ 5,50.
- O circuit breaker é um mecanismo de segurança da B3 que interrompe temporariamente as negociações em momentos de queda brusca. Ele é ativado quando o Ibovespa a partir de uma queda de 10% em relação ao fechamento do dia anterior, e as negociações ficam paralisadas inicialmente por 30 minutos.
“Enxergamos volatilidade no câmbio, que deve ficar em torno de R$ 5,40 de forma sustentada em 2027. O crescimento seria um pouco maior, mas a inflação brasileira deve ficar mais persistente em 2027, e o Banco Central terá menos flexibilidade para cortar juros”, afirma Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
- Leia também: Bolsa, dólar e juros: como a incerteza na apuração afeta os mercados, segundo Matheus Spiess
Os mercados e a economia
Antes do resultado das urnas, parte dos analistas previa ajuste nos preços — dólar em alta e juros futuros mais elevados — até que seja apresentado um plano econômico crível. Outros afirmavam que o rumo das contas públicas pesa mais do que o resultado das urnas.
E há uma razão para isso: a dívida bruta está em torno de 83% do Produto Interno Bruto (PIB), por isso, o que o mercado quer ver a partir de agora inclui metas fiscais, equipe econômica e propostas para o Congresso.
E este será um desafio para o quarto governo de Lula. A bancada de direita cresceu de 248 para 260 deputados e de 32 para 48 senadores, o que exigirá negociação para aprovar a agenda do governo.
O que isso significa na bolsa
Na bolsa, o atual cenário tende a favorecer uma postura mais seletiva, com maior atenção à geração de caixa, ao nível de endividamento, à previsibilidade das receitas e à exposição cambial de cada companhia.
Na construção civil, a continuidade das políticas habitacionais e dos mecanismos de financiamento voltados à população de menor renda poderia sustentar a demanda por imóveis populares.
Nesse contexto, Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) podem apresentar maior resiliência relativa em comparação com empresas mais dependentes do financiamento imobiliário de média e alta renda.
“O desempenho do segmento, entretanto, continuará condicionado às regras dos programas habitacionais, aos subsídios, aos custos de construção e à capacidade de execução dos projetos”, afirma Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.
Setores defensivos e empresas com receitas relativamente previsíveis também podem ganhar relevância. Caixa Seguridade (CXSE3) e TIM (TIMS3) oferecem exposição a negócios com dinâmicas operacionais distintas das empresas mais cíclicas.
Petrobras (PETR4), BB Seguridade (BBSE3) e Telefônica Brasil (VIVT3) também podem ser avaliadas pela geração de caixa e pela capacidade de remunerar os acionistas, considerando as respectivas avaliações e riscos operacionais.
No caso de Petrobras, decisões de investimento, política de preços e influência do governo permanecem fatores importantes, impedindo que a companhia seja considerada uma proteção automática contra o risco fiscal.
Já as empresas exportadoras e companhias com receitas relevantes em moeda estrangeira poderiam apresentar resiliência relativa.
Embraer (EMBJ3), Suzano (SUZB3) e Gerdau (GGBR4) são exemplos de empresas cuja exposição internacional pode favorecer os resultados em reais diante de uma eventual desvalorização cambial, embora os efeitos dependam dos custos dolarizados, dos preços internacionais e da demanda global.
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