Ibovespa cai 17%, dólar vai a R$ 5,50, mas nem todo mundo perde — entenda o caos nos mercados hoje
Depois de ter flertado com inéditos 210 mil pontos, o Ibovespa devolve os ganhos no ritmo de um caminhão sem freio, e apenas seis ações sobem

Ibovespa em queda de 17%, circuit breaker na B3, dólar cotado a R$ 5,50 e juros em leilão por oscilação máxima permitida. Essa é a imagem dos mercados brasileiros nesta segunda-feira (26), que mais parece uma cena de filme de terror.
Depois de ter rompido a barreira dos 200 mil pontos pela primeira vez na história na esteira do primeiro turno das eleições — e flertado com inéditos 210 mil pontos —, o Ibovespa devolve os ganhos no ritmo de um caminhão sem freio em uma ladeira.
Esse movimento, no entanto, não é uma surpresa. "Era sabido que se Lula ganhasse, os mercados iriam corrigir. O mercado estava com forte precificação e as pesquisas indicavam uma chance pequena de ele vencer", disse Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital.
O motivo por trás da forte correção citada pelo especialista é a preocupação com as contas públicas do Brasil a partir do ano que vem em meio ao aumento dos benefícios concedidos pelo governo.
O mercado também está de olho na equipe econômica que deve fazer parte do quarto mandato de Lula. Além disso, o Congresso dominado pela oposição entra na conta, já que pode paralisar inúmeras iniciativas do governo a partir de 2027.
Por volta de 12h15, o Ibovespa caía 15,11%, aos 174.093,76 pontos, enquanto o dólar à vista tinha alta de 8,63%, cotado a R$ 5,4299.
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Para quem está assustado com o tombo do mercado nesta segunda-feira (26), deve se preparar para o pior.
Segundo o JP Morgan, o Ibovespa deve cair 20% nos próximos dias acompanhado da disparada do dólar e dos juros na esteira do resultado do segundo turno das eleições.
Os analistas não descartam a possibilidade de o Banco Central retomar o aperto monetário, com aumento da Selic — atualmente em 13,75% ao ano — para tentar conter a sangria dos mercados e os efeitos colaterais na economia.
No mercado de câmbio, o cenário não é mais tranquilo. Muito pelo contrário. O JP Morgan tem como alvo a cotação de R$ 5,50 para a moeda norte-americana em um cenário de deterioração política ou falta de um vetor fiscal.
Se essa projeção se confirmar, implicaria em uma depreciação de cerca de 10% da moeda brasileira nos cálculos do banco.
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Nem todo mundo perde hoje
Embora os mercados estejam sangrando nesta segunda-feira (26) — a ação que mais caía no final da manhã era a Vamos (VAMO3), com baixa de 55,38% — nem todo mundo perde.
Seis ações seguem operando no azul, e isso não é coincidência: todas elas são exportadoras e se beneficiam diretamente da alta de 10% do dólar hoje.
Suzano (SUZB3) subia 8,22%, Embraer (EMBJ3) avançava 7,43%, Vale (VALE3) tinha alta de 5,57%, WEG (WEGE3) saltava 4,56%, Klabin (KLBN11) subia 3,24% e Bradespar (BRAP4) tinha de 2,79%.
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Petrobras, um caso à parte
A Petrobras (PETR4) vem sofrendo desde o domingo (26) — os papéis da estatal negociados em Nova York chegaram a cair 12% no after market — na esteira da reeleição de Lula sob o temor de interferência do governo.
Também pesa sobre a estatal, em menor grau já que o dia é de aversão ao risco nos mercados brasileiros, a queda do petróleo no exterior (-1,22%).
Nesse contexto, o Bradesco BBI reduziu o preço-alvo paras as ações preferenciais da companhia ao final de 2027 de R$ 62,00 para R$ 55,00 por ação, incorporando um retorno em dividendos exigido de 10%, ante 8% anteriormente.
"Após o resultado do segundo turno, esperamos maior inclinação da curva de juros e aumento do custo de capital das companhias mais sensíveis às taxas de desconto", afirmam os analistas Vicente Falanga e Ricardo França.
O BBI, no entanto, mantém uma visão positiva para a Petrobras, apoiada pelo bom desempenho operacional, pela produção acima das expectativas e pela possibilidade de spreads de refino mais elevados em 2027 sustentarem novas revisões de resultados.
No setor, outras petroleiras também operam em queda hoje: Prio (PRIO3) recua 5%, a Brava (BRAV3) baixa 8,25%% e a PetroReconcavo (RECV3) recua 12,58%.
Ibovespa cai, mas juros disparam
O mercado de juros também vive um caos particular em meio à queda generalizada da Ibovespa e à disparada do dólar.
Em um reflexo da aversão ao risco, os juros futuros longos chegaram a disparar quase 200 pontos-base na esteira da reeleição de Lula e das preocupações fiscais relacionadas ao quarto mandato do petista.
A taxa para janeiro de 2031 chegou à máxima de 14,460%, que era o limite superior de oscilação estabelecido pela B3, entrando em leilão.
Os juros curtos chegaram a subir cerca de 40 pontos, reduzindo levemente a alta após o anúncio do Tesouro de cancelamento dos leilões de título prefixados e ligados a índices de preço de 27 a 29 de outubro.
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