Gavekal, importante casa de análise gringa, recomenda compra de ativos no Brasil após vitória de Lula; ações caem 30% lá fora
Derretimento dos ativos domésticos abre oportunidade de compra, na visão da casa conhecida por teses contrárias ao consenso do mercado

Os mercados brasileiros podem abrir em forte queda após a vitória inesperada do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobre o senador Flávio Bolsonaro, mas investidores deveriam considerar a correção como uma possível oportunidade de compra, afirmou Rohan Daswani, da casa de análise independente Gavekal, em comentário.
Segundo ele, os preços dos ativos vinham refletindo uma expectativa de vitória de Bolsonaro e, com ela, a perspectiva de maior disciplina fiscal. Com o resultado eleitoral contrariando esse cenário, a desmontagem dessas posições pode provocar um movimento intenso de venda no curto prazo.
Ainda assim, Daswani argumenta que os fundamentos estruturais para investir no Brasil permaneceriam válidos após o ajuste inicial: o país segue oferecendo juros nominais e reais excepcionalmente elevados, tem forte exposição a commodities e ocupa uma posição cada vez mais relevante na oferta de minerais críticos, tema que tende a ganhar importância em cadeias globais de energia e tecnologia.
O analista também destaca um fator político que, na sua visão, limita mudanças bruscas de direção econômica: o Congresso brasileiro seria consideravelmente mais conservador do que o presidente, reduzindo o espaço para uma guinada acentuada à esquerda na política econômica.
Ele cita que a direita detém cerca de 59% das cadeiras na Câmara dos Deputados e mais de 64% no Senado, enquanto o partido de Bolsonaro é a maior força na Câmara.
Conhecida por muitas vezes defender teses contrarians — isto é, contrárias ao consenso do mercado —, a Gavekal sugere que a compra de ativos brasileiros neste momento seria uma maneira de "investir na baixa", de olho na valorização futura do ativo.
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Ações brasileiras caíram 30% no exterior após resultado eleitoral
Após o anúncio da vitória de Lula na noite de ontem (25), o EWZ, fundo de índice (ETF) composto por ações brasileiras, caiu cerca de 20% no after hours em Nova York, aprofundando a queda para 30% no pré-mercado nesta manhã, sinalizando para um pregão muito negativo nesta segunda-feira (26) na B3.
Especialistas esperam que seja acionado o mecanismo de circuit breaker na bolsa brasileira, quando as negociações são paralisadas após uma oscilação negativa muito forte, hoje fixada em 10% para ações.
A negociação de contratos futuros de Ibovespa foi paralisada mais cedo após queda de 15% no índice, e o dólar abriu nesta manhã em alta de 8% ante o real, negociado perto de R$ 5,50. A expectativa também é de disparada dos juros futuros.
O mercado devolve a valorização apresentada após o primeiro turno das eleições, que mostrou Flávio Bolsonaro à frente na disputa.
O senador do PL era visto como um candidato mais afeito a fazer um ajuste fiscal que agradasse ao mercado e favorecesse uma queda mais acentuada dos juros brasileiros do que o petista.
Agora, a expectativa é de que ou não haja ajuste fiscal ou este fique aquém do necessário, o que pressiona juros e inflação no médio prazo e pesa sobre os preços dos ativos de risco brasileiros, como as ações e os títulos de renda fixa prefixados.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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