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Bolsonaro foi alvo nesta sexta-feira (18) de uma operação da Polícia Federal, autorizada pelo STF, e que resultou na colocação de tornozeleira eletrônica; no dia anterior, Trump havia publicado carta em defesa do ex-presidente
Quando o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou as tarifas de 50% sobre produtos importados brasileiros, ele colocou como motivo central da taxação o inquérito contra Jair Bolsonaro. Nesta sexta-feira (18) foi a vez de o ex-presidente cobrar Luiz Inácio Lula da Silva por uma solução para o caso.
Depois de ser defendido por Trump em uma carta na véspera e virar alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) mais cedo — operação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou medidas restritivas, entre elas, o uso de tornozeleira eletrônica — Bolsonaro resolveu falar sobre todo o imbróglio envolvendo seu nome.
De cara, o ex-presidente disse que Lula deveria buscar uma conversa direta com Trump para reverter a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.
“Hoje em dia Lula não conversa com Trump; é um governo alienado”, disse.
Bolsonaro ainda contou aos repórteres o que incomoda tanto o presidente norte-americano: o Brics (grupo de países emergentes liderado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
Segundo ele, o fato de Lula ter falado de um novo padrão monetário para o bloco enfureceu o republicano. Além disso, o apoio à Kamala Harris nas eleições dos EUA do ano passado também agrava a situação na visão de Bolsonaro.
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“Lula fez campanha para Kamala, atacou Trump e agora quer ser tratado com cordialidade? Se não conversar com Trump, todo mundo vai sofrer — não apenas empresários ou o agronegócio”, disse.
Questionado sobre uma possível intervenção no judiciário, Bolsonaro respondeu ainda que o Congresso norte-americano “não faria nada contra a democracia brasileira”.
“Os EUA são o país que projeta democracia e liberdade”, afirmou ele, acrescentando que a justiça brasileira poderia liberar sua saída do país para uma audiência direta com Trump.
Nesta sexta-feira (18), Bolsonaro foi alvo de uma operação da PF na qual os agentes da corporação apreenderam cerca de US$ 14 mil e R$ 8 mil na casa do ex-presidente.
Ele justificou a quantia guardada dizendo que sempre tem dólares em casa e que iria informar a Receita Federal sobre os recursos na próxima declaração de Imposto de Renda (IR).
No momento da colocação da tornozeleira eletrônica, Bolsonaro disse que as medidas cautelares impostas pelo STF contra ele são uma “suprema humilhação”.
Bolsonaro afirmou que nunca pensou em sair do país ou se asilar em alguma embaixada de Brasília, acrescentando ainda que “sair do país é a coisa mais fácil que tem”.
Ao impor as medidas, o ministro Alexandre de Moraes deu como uma das justificativas o risco de fuga do ex-presidente, que teve seu passaporte apreendido em fevereiro de 2024, em razão do avanço da ação penal sobre uma tentativa de golpe de Estado que teria sido liderada por ele.
“A suspeita [de fuga] é um exagero”, afirmou Bolsonaro. “O inquérito do golpe é um inquérito político, nada de concreto existe ali”, acrescentou.
Pelas medidas impostas por Moraes, além da tornozeleira eletrônica, Bolsonaro está proibido de deixar a comarca do Distrito Federal, deve ficar em recolhimento domiciliar entre as 19h e as 6h, e integralmente nos finais de semana.
Ele também não pode acessar as redes sociais ou se comunicar com seu filho Eduardo ou embaixadores e diplomatas de outros países.
*Com informações do Estadão Conteúdo e da Agência Brasil
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