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DIA 92

Trump x Powell: uma briga muito além do corte de juros

O presidente norte-americano seguiu na campanha de pressão sobre Jerome Powell e o Federal Reserve e voltou a derrubar os mercados norte-americanos nesta segunda-feira (21)

Montagem do Jerome Powell e Donald Trump com seus rostos em cartas de poker
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock / Federal Reserve

Se Donald Trump está tentando provar que o fundo do poço tem porão, ele está no caminho certo. 

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Depois de derrubar os mercados mundo afora com suas tarifas recíprocas, o presidente norte-americano agora age em uma nova frente para provar que a tese do fim do excepcionalismo americano chegou: o Federal Reserve (Fed)

Nos últimos dias, Trump tem aumentado a pressão sobre Jerome Powell, presidente do banco central norte-americano, na direção de um corte de juros forçado. 

"Powell está sempre 'atrasado demais', exceto no período de eleições, quando baixou juros para ajudar o sonolento Joe Biden, e depois Kamala [Harris]. E no que deu isso?", questionou Trump nesta segunda-feira (21) em sua rede social. 

Trump defendeu que os preços e custos "da maior parte das coisas" nos EUA estão em uma "boa trajetória de queda", como ele "previu que aconteceria", incluindo nos setores de energia e alimentos. 

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"Mas pode ocorrer uma desaceleração da economia, a menos que o sr. Atrasado Demais, um grande perdedor, reduza as taxas de juros, agora", afirmou. 

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Em fevereiro, o índice de preços para gastos pessoais (PCE, na sigla em inglês) — a medida preferida do Fed para a inflação — subiu 2,5% em base anual. 

Embora esteja próxima da meta de 2% ao ano do BC norte-americano, é o que surge no horizonte que impede o corte de juros neste momento. 

Repetidas vezes Powell tem chamado atenção para a incerteza provocada pela guerra comercial de Trump — que, segundo as palavras do chefe do Fed, “ninguém sabe lidar com algo nesse nível”. 

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O Fed tem um mandato duplo, determinado pelo Congresso, que prevê a estabilidade de preços — que significa inflação em 2% — e pleno emprego, cujo percentual não foi definido pelo banco central norte-americano. 

A alegação de Powell é que, com a economia crescendo a 2,4% — ainda que em desaceleração —, e diante do inesperado das tarifas, o melhor é esperar para ver. 

O grande problema de aguardar,  é perceber adiante que mais do que o corte de juros, o que está em jogo agora é o desmantelamento da independência do Fed. 

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