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Em entrevista ao Seu Dinheiro, o historiador norte-americano Jim Green, da Brown University, analisou a sobretaxa de 50% imposta ao Brasil por Donald Trump

O assunto é sério, mas os brasileiros podem ficar sossegados: Donald Trump vai voltar atrás da tarifa de 50% sobre toda e qualquer exportação do Brasil para os Estados Unidos.
“Ele está blefando e o Brasil tem que manter a calma e continuar firme.”
A afirmação é do brasilianista James Naylor Green, historiador norte-americano lotado na Brown University, uma das integrantes da chamada Ivy League, que reúne a nata das universidades particulares dos EUA.
Em entrevista concedida ao Seu Dinheiro, ele diz que a confusão faz parte do estilo de Trump.
“É como se houvesse uma criança de sete anos morando na Casa Branca, que esquece o que diz, que muda de ideia e testa a sua paciência o tempo inteiro”, afirma.
“O pessoal usa agora aquela sigla Taco, Trump always chicken out. Podem esperar. Ele vai voltar atrás. Tenho certeza”, disse Green ao Seu Dinheiro.
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“Ele já fez isso com a China. É a forma como ele acha que consegue negociar.”
Green chama a atenção para o fato de o presidente Trump, mesmo após meses de negociações com dezenas de países, não ter anunciado mais nenhum acordo além dos obtidos com Reino Unido e Vietnã.
Por mais que o Brasil seja um parceiro secundário para os EUA, o fato de Trump estar engajado em uma guerra comercial contra o mundo em algum momento vai provocar inflação dentro do país.
“O consumidor norte-americano vai se queixar da alta dos preços e ele vai ter que voltar atrás, pois essa situação o deixará muito vulnerável para as eleições de meio de mandato, no ano que vem”, diz Green.
A percepção otimista sobre a possível mudança de posição de Trump destoa do tom de indignação do estudioso ao comentar o que chamou de “ataque à democracia brasileira com essa declaração absurda sobre as tarifas”.
Na visão de Green, a imposição de uma sobretaxa de 50% às exportações brasileiras para os EUA não tem nenhuma justificativa nem na própria lógica de Trump.
“Os Estados Unidos têm superávit com o Brasil”, afirma o historiador.
Desde 2009, a balança do comércio bilateral entre Brasil e EUA pende a favor dos norte-americanos.
O saldo comercial favorável aos EUA acumulado no período ultrapassa os US$ 400 bilhões.
Ao defender a sobretaxa de 50% contra o Brasil, o presidente norte-americano exigiu a imediata suspensão dos processos contra Jair Bolsonaro.
O ex-presidente é réu no processo que apura uma tentativa de golpe de Estado em janeiro de 2023, dias depois da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Além disso, Bolsonaro responde pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e organização criminosa armada.
Ao tentar ajudar um aliado, porém, Trump pode ter dado “um tiro no próprio pé”, diz o historiador.
“Isso tende a fortalecer Lula. Também fortalece um sentimento nacionalista, que não é só uma coisa da esquerda, mas também do centro e da direita.”
Em contrapartida, ao ter o nome vinculado à justificativa de Trump para as tarifas, Bolsonaro sai enfraquecido.
Um sinal disso, segundo ele, é o editorial “Coisa de Mafiosos”, publicado na edição de quinta-feira do jornal conservador O Estado de S. Paulo.
Além de críticas a Trump e a Bolsonaro, o periódico sobe o tom contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, apontado pelo historiador norte-americano como “candidato da grande imprensa”.
Jim Green também chamou a atenção para o fato de, pouco antes das tarifas, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara, dominada pela oposição a Lula, ter aprovado uma “moção de louvor e regozijo” a Donald Trump.
A sobretaxa aos produtos brasileiros entrará em vigor em 1º de agosto, segundo Trump.
Logo depois do anúncio, ainda na quarta-feira, a bancada do agronegócio no Congresso Nacional pediu ao governo brasileiro que se mantenha aberto a negociar.
Ontem, em entrevista à TV Globo, Lula indicou que só pretende retaliar se os canais diplomáticos não funcionarem.
O problema é que, mesmo que o Brasil queira, praticamente não existe margem de manobra para negociação, disse Green.
“De um lado, o Brasil tem déficit comercial com os Estados Unidos. De outro, as exigências de Trump envolvem processos que correm no Poder Judiciário. Lula não tem nem como interferir nisso.”
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