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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

QUEM VAI VENCER?

O quarteto fantástico contra Trump: como Xi, Putin, Modi e Kim articulam o novo eixo que quer tirar os EUA do tabuleiro global

Enquanto o republicano enaltece suas relações próximas com os presidentes de China, Rússia e Índia, eles se juntam ao líder norte-coreano para reforçar os planos de uma nova ordem mundial

Carolina Gama
2 de setembro de 2025
15:01 - atualizado às 14:16
Imagem de Donald Trump com gráfico vermelho indicando queda ao fundo.
Donald Trump e o mercado de ações. - Imagem: Grok IA

A foto de Xi Jinping, Vladimir Putin e Narendra Modi sorrindo, de mãos dadas, rodou o mundo na segunda-feira (2), mas a formação de um novo eixo na Ásia ainda pode ganhar ainda mais força com a participação do líder norte-coreano, Kim Jong-un — ele também está em Pequim

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A movimentação é um golpe para o presidente norte-americano, Donald Trump, que tem enaltecido suas relações próximas com os três líderes e alardeado suas credenciais de pacificador enquanto a guerra de três anos e meio da Rússia contra a Ucrânia se alastra.

De olho nessa nova organização, o republicano fez o que sabe de melhor: usar as redes sociais para marcar posição — e ele começou pela Índia, classificando o estreitamento de laços do país com a China e a Rússia de “desastre total”. 

  • LEIA TAMBÉM: Novo episódio do Touros e Ursos no AR! Acompanhe as análises e recomendações de especialistas do mercado; acesse já

Trump fez questão de lembrar que o primeiro-ministro indiano havia se oferecido para cortar as tarifas a zero, mas que estava "ficando tarde" e que o país deveria ter feito isso "anos atrás", sem dar mais detalhes sobre quando tal oferta foi feita.

Os EUA impuseram tarifas de 50% sobre produtos indianos — a mesma alíquota do Brasil —, incluindo taxas secundárias de 25% no mês passado pela compra de petróleo russo, o que a Índia chamou de "injusto, injustificado e irracional".

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Trump reiterou que a Índia estava comprando petróleo e armas da Rússia e acusou Nova Déli de vender "enormes quantidades de mercadorias" aos EUA, mas de impor altas tarifas sobre as exportações norte-americanas para a Índia.

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“A razão é que a Índia nos cobrou, até agora, tarifas tão altas, as mais altas de qualquer país, que nossas empresas não conseguem vender para a Índia. Tem sido um desastre totalmente unilateral!”, escreveu Trump na Truth Social. 

Segundo dados da Organização Mundial do Comércio (OMC), a Índia aplicou uma tarifa média de 6,2% sobre as importações dos EUA para o país em 2024, com base na ponderação do comércio, enquanto os EUA cobraram 2,4% sobre os produtos indianos. A média ponderada do comércio é a taxa média de imposto por unidade de valor importada.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, minimizou a ideia de que as tarifas norte-americanas estavam aproximando países como China e Índia, descrevendo a cúpula da Organização de Cooperação de Shanghai (OCS) como "performática".

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Especialistas afirmam que a melhora das relações entre Nova Déli e Pequim beneficiaria os dois países, mas levantam dúvidas sobre a possibilidade de se tornarem parceiros próximos devido a disputas de longa data.

O que NÃO TE CONTARAM sobre a onda de fusões que está formando FIIS BILIONÁRIOS na B3

Rússia e China: mais que amigas, friends

Enquanto Trump criticou duramente a Índia pela proximidade com a China, a Rússia corre por fora para assinar mega contratos com Pequim. Nesta terça-feira (2), russos e chineses firmaram um pacto juridicamente vinculativo para a construção do gasoduto Power of Siberia 2 — há muito adiado — aprofundando os laços comerciais no que provavelmente será visto como um sinal desafiador para o Ocidente.

O gasoduto, que transportará reservas de gás da Sibéria Ocidental da Rússia para o norte da China via Mongólia Oriental, possibilitará o fornecimento de 50 bilhões de metros cúbicos (bcm) de gás por ano, segundo Alexei Miller, presidente-executivo da gigante estatal de energia russa Gazprom. O fornecimento sob o novo acordo Power of Siberia 2 terá duração de 30 anos.

Vale lembrar que as exportações de gás da Rússia para a Europa despencaram desde a invasão da Ucrânia por Moscou, no início de 2022. O Ocidente impôs sanções econômicas punitivas ao Kremlin e reduziu a dependência da energia russa, buscando cortar uma importante fonte de receita para financiar a máquina de guerra de Putin.

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O anúncio do acordo neste momento em que a guerra na Ucrânia está enfrentando pressão dos EUA para acabar vem sendo interpretado por especialistas como  um sinal claro do firme apoio estratégico da China à Rússia como eixo da nova ordem multipolar à qual ambas as potências eurasianas aspiram. 

Kim Jong-un: o convidado misterioso de Xi

Xi recebeu Putin para conversas no Grande Salão do Povo e, em seguida, em sua residência pessoal, chamando-o de "velho amigo".

Poucas horas depois, no entanto, o trem blindado de Kim Jong-un foi avistado chegando à capital chinesa. A imprensa estatal norte-coreana confirmou a visita, mostrando que Kim Ju Ae, filha de Kim, também estava a bordo. 

Kim Ju Ae é considerada pela inteligência sul-coreana a mais provável sucessora do pai e faz sua estreia internacional após anos sendo vista ao lado de Kim em grandes eventos nacionais.

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Xi, Putin e Kim devem ocupar o centro do palco em um grande desfile militar na quarta-feira (3), onde o presidente chinês exibirá sua visão para uma nova ordem global, enquanto a política "America First" de Trump pressiona as alianças ocidentais.

Além da pompa, analistas observarão se o trio pode sinalizar relações de defesa mais estreitas após um pacto assinado pela Rússia e pela Coreia do Norte em junho de 2024, e uma aliança semelhante entre Pequim e Pyongyang — um resultado que pode alterar o cálculo militar na região da Ásia-Pacífico.

*Com informações da CNBC e da Reuters

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