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A pintura de Picasso deveria estar em exibição desde 9 de outubro, mas, dez dias depois, foi oficialmente dada como desaparecida. Mas o que aconteceu, na realidade?

Poderia ter sido um crime perfeito, mas foi apenas uma coincidência espantosa. A pintura a guache de Pablo Picasso que sumiu durante o transporte para uma exposição dias antes do assalto ao Museu do Louvre não foi roubada, contrabandeada nem vendida no mercado negro. Ela simplesmente… nunca saiu do lugar.
Batizada de “Naturaleza muerta con guitarra” (Natureza morta com violão), a pequena pintura de 1919 estava programada para ser exibida em uma mostra em Granada, no sul da Espanha.

O envio de Madri seria simples: uma van de transporte especializado, dezenas de obras, rotas mapeadas, segurança reforçada — como manda o protocolo.
A pintura deveria estar em exibição desde 9 de outubro, mas desapareceu dos registros logísticos e, dez dias depois, foi oficialmente dada como desaparecida. Ela estava segurada em 600 mil euros.
Diante da ausência de explicações, as autoridades espanholas registraram o quadro no banco de dados da Interpol de Obras de Arte Roubadas, que reúne cerca de 57 mil peças em todo o mundo.
Por alguns dias, o fantasma do crime perfeito pairou sobre o mundo da arte.
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Mas, na manhã desta sexta-feira (24), o mistério chegou ao fim — e com uma pitada de ironia. Segundo a Polícia Nacional da Espanha, a obra de Picasso nunca chegou a ser empacotada para o transporte.
Em uma reviravolta digna de fim de piada, as exatas palavras da polícia espanhola foram: “ele pode não ter conseguido entrar no caminhão de transporte”. Simples assim.
Em comunicado publicado no X (antigo Twitter), as autoridades sinalizaram que a confusão teria começado no processo de separação e envio das peças que comporiam a exposição em Granada.
De alguma forma, a tela permaneceu em Madri, esquecida entre outras obras no local de origem, enquanto os organizadores da mostra acreditavam que ela estava a caminho do sul do país.
Quando as caixas foram abertas no destino, veio o choque: Picasso havia desaparecido.
A ausência da pintura de Picasso gerou tamanho alvoroço que os curadores registraram um boletim de ocorrência em 10 de outubro, e a polícia ativou o protocolo internacional para casos de roubo de arte.
Somente após uma revisão detalhada no acervo original é que a verdade — quase cômica — veio à tona.
A pintura, que jamais deixou o ponto de partida, foi localizada ilesa, sem sinais de violação. Quase como uma releitura do clássico filme “Esqueceram de mim” versão Picasso.
Ainda assim, a polícia informou que a brigada de patrimônio histórico seguia com a investigação, sem indicar se a polícia acredita que algum crime foi cometido.
Em imagens divulgadas nesta sexta-feira, peritos aparecem examinando cuidadosamente a obra, vestidos com trajes e máscaras esterilizadas — como se tratasse de uma cena de recuperação de um crime histórico.

Mas, no fim, o que se descobriu foi algo bem mais simples: o Picasso que sumiu nunca chegou a sair de casa.
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