Natal em risco? Depois de café, suco de laranja e manga, tarifaço dos EUA também pode atingir panetone
Quem aponta este problema iminente é a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias, Pães e Bolos Industrializados (Abimapi)

Já se falou sobre café, suco de laranja e até manga entre os produtos que podem faltar ou ficar mais caros nos Estados Unidos por conta da taxação de Donald Trump contra o Brasil. Mas, agora, o assunto ganha novos contornos, e de peso.
Estão na berlinda pão de queijo e panetone. O que serão dos mineiros de Governador Valadares vivendo na América? Além, é claro, dos demais entusiastas das iguarias Made in Brazil.
Quem aponta este problema iminente é a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias, Pães e Bolos Industrializados (Abimapi). A entidade estima que 75% dos embarques de panetones brasileiros aos Estados Unidos estão "sob risco".
Segundo a Abimapi, mais da metade dos panetones brasileiros é enviada para os Estados Unidos, com preço médio exportado de US$ 4 por quilo.
"As empresas anteciparam seus embarques para esse destino, no entanto, o que foi enviado até julho só representa um quarto do total que exportam em média todos os anos. Portanto, 75% dos embarques estão sob risco", disse a associação, em nota.
O Brasil é o segundo maior fornecedor de panetones para os Estados Unidos, atrás apenas da Itália, segundo a Abimapi, com participação de 2,3% no mercado americano.
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Em 2024, as exportações brasileiras de panetone aos Estados Unidos somaram 3,2 mil toneladas, com receita de US$ 12,1 milhões.
Também na mira: pão de queijo, wafer, torrada e tapioca
A exportação de pão de queijo industrializado também tende a sofrer impacto do tarifaço, segundo a Abimapi. O produto é vendido especialmente em cafeterias dos Estados Unidos.
"Nesse caso, as indústrias fizeram acordos individuais, reduzindo a margem de lucro", observou a Abimapi.
O Brasil exportou 500 toneladas de pão de queijo ao mercado americano em 2024, com receita de US$ 8,8 milhões.
A Abimapi destaca ainda que o Brasil foi o 4º maior fornecedor de biscoitos wafers para os Estados Unidos, respondendo por 7% de tudo que foi importado pelo mercado norte-americano, 6º fornecedor em volume em torradas e 3º maior em tapiocas.
Negociações em curso
Essas alternativas de antecipação das vendas e negociações individuais com importadores foram adotadas pelas indústrias, segundo a Abimapi, para se adequar ao tarifaço e reduzir o impacto da alíquota nos embarques.
"Houve um movimento das indústrias para garantir a entrega de produtos aos importadores e atender ao consumidor externo antes da entrada em vigor das tarifas do governo Trump. A fim de garantir que os compradores continuem importando os produtos brasileiros nos EUA, empresas têm feito negociações estratégicas para garantir a venda e não perder essa fatia do mercado", apontou a associação.
* Com informações de Estadão Conteúdo
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