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Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro não perdem tempo e usam o movimento das empresas de Trump para atacar o ministro do STF e essa história ainda pode ir mais longe
Quando Donald Trump ganhou a eleição, em novembro do ano passado, os especialistas em política internacional correram para tentar decifrar como seria a relação do Brasil comandado por Luiz Inácio Lula da Silva com o republicano.
No dia da posse, há um mês, o Seu Dinheiro conversou com o cientista político e presidente do Eurasia Group, Ian Bremmer, sobre a relação Brasília-Washington. Na ocasião, Bremmer alertou que o ex-presidente Jair Bolsonaro poderia ser o nó górdio entre Lula e Trump. Você pode conferir o papo aqui.
E aqui estamos nós. Um dia após a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, o grupo de mídia do presidente norte-americano informou que entrou com uma ação no Tribunal Distrital da Flórida contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
A Trump Media & Tecnology Group (TMTG), dona da Truth Social — rede social criada por Trump — em conjunto com a Rumble, plataforma de compartilhamento de vídeos, acionaram a Justiça norte-americana alegando que decisões de Moraes buscam censurar as plataformas e suspender contas de usuários.
“Oi, Alexandre de Moraes, a Rumble não cumprirá suas ordens ilegais. Em vez disso, nos veremos no tribunal”, escreveu o CEO da plataforma, Chris Pavlovcki.
Aliados de Bolsonaro não perderam tempo. O movimento das empresas de Trump foi usado para atacar Moraes, que é o relator responsável pelos processos envolvendo tentativa de golpe de Estado no Brasil.
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A estratégia, no entanto, não é inesperada. Desde o início das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado e os ataques ao STF, os investigados e seus aliados têm buscado articular apoios nos EUA para deslegitimar as apurações da Justiça brasileira.
O problema não está exatamente na busca de apoio em Washington — é bem mais que isso.
Caso Bolsonaro seja preso, Trump e seus aliados podem considerar a detenção como perseguição política — algo semelhante a como o presidente norte-americano percebe seus próprios problemas legais e azedar de vez as relações já não tão amistosas com o Brasil de Lula.
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