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Ministro da Agricultura do Japão renunciou depois de causar furor por desconhecer o preço do arroz — mas o porquê de ele não saber piorou ainda mais a situação

Você pagaria quase R$ 170 por um pacote de 5kg de arroz?
Tendo em vista que o preço médio do item nos mercados brasileiros gira atualmente entre R$ 25 e R$ 30, sua resposta provavelmente é não — a mesma de Taku Eto, agora ex-ministro da Agricultura do Japão.
No entanto, seus motivos e os dele são diferentes.
Você não pagaria por se tratar de uma diferença de preço absurda.
Eto não pagaria porque, segundo palavras dele mesmo, nunca precisou comprar arroz.
Considerando que, sob Eto, o Ministério da Agricultura vinha buscando estratégias justamente para deter a inflação do item, o hosomaki ministerial contém uma cereja.
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Ele admitiu que não tem a menor ideia de quanto custa um pacote do grão nos mercados japoneses — e o motivo chamou a atenção.
"Tenho muito guardado, pois sempre recebo grandes quantidades de arroz de presente de meus apoiadores", emendou.
Proferida no último fim de semana, durante evento de arrecadação de campanha, a escorregada no sashimi vazou e custou bem mais do que 5kg de arroz.
Nesta quarta-feira (21), depois de a admissão do recebimento de presentes de financiadores ter desencadeado um tsunami de indignação, o ministro renunciou ao cargo.
A renúncia do ministro pela gafe do arroz ocorre em um momento delicado para o governo do primeiro-ministro Shigeru Ishiba.
A atual administração amarga baixas taxas de aprovação às vésperas das eleições para a câmara alta do Parlamento.
Os efeitos da guerra comercial deflagrada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também não ajuda.
Taku Eto será sucedido no Ministério da Agricultura pelo ex-ministro de ambiente Koizumi Shinjiro.
Até pouco tempo atrás era até difícil escrever inflação e Japão na mesma frase.
A partir do fim da década de 1980, toda uma geração de japoneses atravessou décadas de estagnação econômica.
Em alguns momentos, as autoridades japonesas até achavam bom quando os preços subiam um pouquinho.
A pandemia mudou isso. De 2022 para cá, o Japão voltou a conviver com inflação.
Mas a alta do preço do arroz é um problema ainda mais recente.
O arroz é um item caro aos japoneses.
Presentes indevidos à parte, a gafe do ministro foi interpretada como ofensa à cultura e à culinária do próprio país.
Depois de uma quebra de safra em 2024, a oferta do grão diminuiu drasticamente de um ano para cá, levando à alta dos preços.
Para piorar, o aumento do fluxo de turistas estrangeiros provocou aumento da demanda.
Também há relatos de que famílias e empresas estariam estocando arroz diante da alta dos preços.
Nos últimos meses, o Ministério da Agricultura até liberou parte de seu estoque estratégico, mas sem impacto relevante para o consumidor final.
Na semana encerrada em 11 de maio, o preço médio do pacote de 5kg de arroz alcançou 4.268 ienes. O valor é o mais alto já registrado e equivale a R$ 167,91 na cotação de hoje.
Há ainda uma questão cultural, segundo Sayuri Shirai, professora de economia da Universidade Keio.
"Japonês gosta de arroz japonês. Não gosta de arroz importado", disse ela à rede CNBC.
Mas talvez não seja só por isso que os japoneses preferem a produção local.
O arroz importado é ainda mais caro. Isso se deve às elevadas tarifas impostas pelo governo para proteger os produtores locais.
De qualquer modo, varejistas japoneses já aventam a possibilidade de importar arroz na tentativa de baixar os preços.
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