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EFEITO TRUMP

Na dúvida, fica como está: ata do Fed indica preocupação com as possíveis consequências das tarifas de Trump 

A decisão pela manutenção das taxas de juros passou pelo dilema entre derrubar a atividade econômica e o risco de aumento de inflação pelas tarifas

Montagem traz o presidente do Fed, Jerome Powell, em primeiro plano. Ele usa óculos e veste terno cinza escuro com camisa branca. Ao fundo, um cenário com a bolsa de NY e a bandeira dos EUA
Jerome Powell - Imagem: Canvas/ Montagem: Seu Dinheiro

A reunião de maio do comitê de política monetária (Fomc) do banco central dos Estados Unidos (Fed) foi marcada pela preocupação com os efeitos crescentes e incertos do tarifaço de Donald Trump. 

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A ata da reunião, divulgada nesta quarta-feira (28), mostrou que os diretores do Federal Reserve estavam preocupados que as tarifas pudessem agravar a inflação e criar um dilema difícil em relação à decisão sobre as taxas de juros. 

Por um lado, os diretores ponderavam sobre os riscos de queda na atividade econômica dos Estados Unidos e o aumento do desemprego — o que indicaria a necessidade de diminuir os juros. 

Entretanto, os riscos para um aumento da inflação diante da possibilidade de queda na oferta de produtos com o tarifaço também foram avaliados — com o aumento de juros em discussão para controlar os preços. 

Por fim, as autoridades do Fomc optaram que o melhor caminho era manter as taxas como estavam, na faixa de 4,25% e 4,50% ao ano

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“Os participantes concordaram que a incerteza quanto às perspectivas econômicas aumentou ainda mais, tornando apropriado adotar uma abordagem cautelosa até que os efeitos econômicos líquidos da série de mudanças nas políticas governamentais se tornem mais claros”, afirmou a ata do Fed.

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Enquanto os impactos das tarifas de Trump não se apresentam com clareza, os diretores do Fomc avaliaram que a economia dos Estados Unidos apresentava bons sinais até o início de maio. 

A ata diz que a atividade econômica e o mercado de trabalho foram lidos como “sólidos”. 

“Ao analisar as perspectivas para a política monetária, os participantes concordaram que, com o crescimento econômico e o mercado de trabalho ainda sólidos e a política monetária atual moderadamente restritiva, o Comitê estava bem posicionado para aguardar por mais clareza sobre as perspectivas para a inflação e a atividade econômica”, diz a ata. 

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A decisão do Fed aconteceu em um momento em que a Casa Branca estava no início das negociações com parceiros comerciais após Donald Trump estabelecer um período de 90 dias, iniciado no início de abril, para pausar as tarifas maiores e chegar a novos acordos. 

Desde então, as negociações evoluíram a passos lentos, com os Estados Unidos anunciando um acordo com o Reino Unido, mas ameaçando elevar as tarifas para a União Europeia em 50%, para voltar atrás em seguida

Com a China, estabeleceu-se uma tarifa de 10%, também por 90 dias, enquanto não há um acordo definitivo. 

Entre idas e vindas, os economistas de Wall Street esperam que a economia norte-americana retorne ao crescimento no segundo trimestre, depois de um ligeiro tombo de 0,3% no primeiro trimestre.

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Para o Fomc, as incertezas estão maiores, e a dificuldade em atingir as metas de duplo mandato — pleno emprego e baixa inflação — aumentou. 

“A extensão final das mudanças na política governamental e seus efeitos sobre a economia são altamente incertos”, diz a ata.

Tem futuro? 

A reunião também contou com discussões sobre a estrutura de política monetária de cinco anos do Federal Reserve.

Quando as autoridades do comitê revisaram sua política de longo prazo em maio, elas estabeleceram uma “meta de inflação média flexível”, que seria uma meta para se percorrer no caso da meta de 2% não ser atingida. 

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Na ata de maio, elas voltam a falar sobre essa meta flexível, indicando que a estratégia “reduziu os benefícios em um ambiente com risco substancial de grandes choques inflacionários”, porém, decidiram que é importante manter “uma ampla variedade de ambientes econômicos” em discussão. 

As autoridades do Fed afirmaram que não têm intenção de alterar a meta de inflação principal, de 2% ao ano.

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