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A mineradora explica que os maiores volumes de vendas e custos menores, combinados com o melhor desempenho da Vale Base Metals, compensaram parcialmente o impacto dos preços mais baixos de minério e níquel
Há quem acredite que, para o universo conspirar a favor, é necessário ser positivo — ainda que as condições para isso não sejam as mais favoráveis. E foi o que os investidores fizeram nesta quinta-feira (24) com relação à Vale (VALE3). As ações da mineradora terminaram o dia com alta de 1,73% (R$ 55,40) antes do resultado do primeiro trimestre de 2025.
O mercado já sabia o que esperar: um desempenho inferior, pressionado por um período tradicionalmente mais fraco, chuvas no Sistema Norte e uma guerra comercial envolvendo uma das maiores compradoras de minério de ferro do mundo, a China.
Essa combinação levou a Vale a registrar uma queda de 17% do lucro líquido entre janeiro e março deste ano, em base anual, para US$ 1,396 bilhão.
Apesar de um lucro menor na comparação anual, o otimismo dos investidores com as ações VALE3 hoje foi reflexo, em parte, do indicavam as projeções: a reversão do prejuízo no trimestre anterior.
No quarto trimestre de 2024, a mineradora registrou uma perda de US$ 872 milhões. Para o primeiro trimestre de 2025, a estimativa era de lucro líquido de US$ 1,622 bilhão. Você pode conferir as projeções para o resultado da Vale aqui.
Apesar de voltar ao azul na comparação trimestre, a Vale registrou lucro líquido atribuído aos acionistas de US$ 1,394 bilhão, o que representa uma queda de 17% em termos anuais.
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A receita líquida de vendas, por sua vez, alcançou US$ 8,119 bilhões nos três primeiros meses do ano, uma baixa de 4% em base anual de de -20% trimestre contra trimestre.
No primeiro trimestre de 2025, o Ebitda (indicador que o mercado usa como uma medida de geração de caixa) ajustado da Vale caiu 9%, para US$ 3,115 bilhões. Em termos trimetrais, a queda foi de 18%.
A Vale explica que os maiores volumes de vendas e menores custos unitários em minério de ferro, combinados com o melhor desempenho da Vale Base Metals compensaram "parcialmente" o impacto dos menores preços de minério e níquel.
O custo caixa de produção da Vale, ou C1, que mede o custo da mina até o porto, foi de US$ 21 no primeiro trimestre, uma queda de 11% em base anual. No quarto trimestre, esse indicador havia ficado abaixo de US$ 19 por tonelada — uma queda de quase 10%.
A companhia afirma que segue plenamente confiante em atingir o guidance de custo caixa C1 para 2025, que é de US$ 20,5 a US$ 22 por tonelada.
A mineradora informou ainda que os preços de referência do minério de ferro foram de US$ 103,6 a tonelada entre janeiro e março, 16% menores do que o praticado no mesmo período do ano anterior e estáveis na comparação trimestral.
A commodity tem sentido os efeitos da troca de taxas entre EUA e China, com preços despencando desde o início de abril — data do anúncio das tarifas recíprocas de Donald Trump.
Já o preço realizado dos finos de minério recuaram 9,8%, para US$ 90,80 a tonelada.
Desde que a Vale recebeu uma notificação do governo sobre a cobrança pela renovação antecipada de concessões ferroviárias e também pela condenação pela tragédia de Mariana (MG), a dívida da mineradora é acompanhada com lupa pelo mercado.
Segundo o balanço divulgado hoje, a Vale encerrou os três primeiros meses do ano com uma dívida líquida de US$ 12,198 bilhões, 21% acima dos US$ 10,105 bilhões do mesmo período de 2024 e 16% a mais do que os US$ 10,499 do quarto trimestre de 2024.
A dívida líquida expandida, que inclui provisões relativas a Brumadinho e Samarco/Fundação Renova, atingiu US$ 18,242 bilhões, 16% abaixo do primeiro trimestre do ano anterior, mas 11% acima dos últimos três meses de 2024.
Já os investimentos (capex) da Vale somaram US$ 1,174 bilhão no primeiro trimestre de 2025 ante US$ 1,395 bilhão do mesmo período de 2024 (-16%) e dos US$ 1,766 bilhão do quarto trimestre de 2004 (-34%).
De acordo com a mineradora, a variação ficou em linha com a revisão do plano de investimento para 2025. O guidance do capex para 2025 permanece em US$ 5,9 bilhões.
Os custos e despesas totais, por sua vez, excluindo Brumadinho e descaracterização de barragens, somaram US$ 5,803 bilhões nos três primeiros meses deste ano, recuo de 2% em relação a igual intervalo de 2024.
De janeiro a março de 2025, as despesas relacionadas a Brumadinho e à descaracterização de barragens somaram US$ 97 milhões, valor 137% maior que o registrado no primeiro trimestre de 2024.
As provisões de Brumadinho somaram US$ 2,132 bilhões, uma queda de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas um aumento de 8% na comparação trimestral. As provisões com a Samarco e totalizaram US$ 3,837 bilhões no período, uma baixa de 4% em base anual, mas uma alta de 5% trimestre contra trimestre.
Além dos resultados em dólar, a Vale também divulga o desempenho financeiro em reais. Na moeda brasileira, a mineradora reportou lucro líquido de R$ 8,173 bilhões no primeiro trimestre de 2025, resultado 1,9% menor do que o obtido no mesmo período do ano anterior.
Já o lucro líquido atribuído aos acionistas totalizou R$ 8,164 bilhões entre janeiro e março, o que representa uma queda de 1,5% na comparação com igual período de 2024.
A receita líquida da Vale somou R$ 47,411 bilhões no primeiro trimestre, resultado 13,2% maior na comparação anual.
As projeções da Bloomberg, em termos anuais, indicavam, lucro líquido de R$ 9,565 bilhões nos primeiros três meses de 2025 e receita de R$ 49,069 bilhões.
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O que explica esse desempenho é a emissão de ações da companhia, para trocar parte de suas dívidas por participação.
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