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Entenda a razão para o desempenho negativo da companhia entre janeiro e março não ter assustado os investidores e saiba se é o momento de colocar os papéis na carteira ou se desfazer deles
A Hypera (HYPE3) registrou um prejuízo líquido das operações continuadas de R$ 138,8 milhões no primeiro trimestre de 2025, revertendo o lucro líquido de R$ 391,5 milhões visto no mesmo período do ano anterior. O resultado foi considerado fraco por muitos bancos e, mesmo assim, as ações dispararam nesta quinta-feira (24) 12%, liderando os ganhos do Ibovespa.
Pior que isso: as coisas não devem melhorar para a companhia no curto prazo. "Esperamos que o momento negativo continue até pelo menos o final do primeiro semestre, à medida que a empresa ajusta suas operações", dizem Vitor Pini, Tales Granello e Renan Sartorio, analistas do Safra.
Para o trio, o desempenho operacional da Hypera foi impactado pelo plano de reestruturação e ajustes dos recebíveis que visa melhorar o capital de giro.
Os analistas do Safra apontam que o plano teve um impacto negativo, fazendo as vendas líquidas caírem 40% na comparação anual. Da mesma forma, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e o lucro líquido foram revertidos em perdas, mas ainda superaram as expectativas do banco.
Ainda assim, o banco considera que os resultados totais da Hypera foram positivos — o que justifica a alta das ações de hoje — e chama a atenção para a geração de caixa de R$ 570 milhões no período; a comercialização direta dos produtos ao cliente final, de 6%, o que mostra que a companhia defende sua posição no mercado.
As ações da Hypera terminaram o dia com alta de 12,27%, cotadas a R$ 23,60. Já o Ibovespa avançou 1,79%, aos 134.580,43 pontos.
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O BTG Pactual também chama atenção para o fato de o balanço da Hypera ter sido impactado pelos efeitos do processo de otimização do capital de giro (WC), com venda inicial reduzida em cerca de 41% em comparação anual.
Os analistas Samuel Alves e Yan Cesquim destacam que nas vendas finais, o setor farmacêutico cresceu 11,3% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a Hypera subiu 6,9%.
“O crescimento reflete desempenho sólido no mercado institucional — +20,6% em comparação com o primeiro trimestre de 2024 —, além de crescimento lento de 6% no varejo”, diz a dupla.
A queda nos recebíveis da Hypera — de R$ 1 bilhão em relação ao trimestre anterior, impulsionada por uma receita líquida menor e pela implementação da nova estratégia de capital de giro — chamou a atenção do Itaú BBA.
“A empresa obteve uma redução significativa nas contas a receber, com abril já atingindo a meta de 60 dias de recebimento”, disseram os analistas Vinicius Figueiredo, Lucca Generali Marquezini e Felipe Amâncio.
"Houve também um aumento nominal inesperado nos níveis de estoque em relação ao trimestre anterior. Por fim, a dívida líquida diminuiu R$ 86 milhões em relação ao trimestre anterior", diz o trio.
O Bradesco BBI, por sua vez, reforça o desempenho das vendas e marketing (sell-out, na sigla em inglês) no varejo, que cresceu 6% em relação ao ano anterior — em linha com a estimativa do mercado de 5,8% considerando as mesmas categorias, mas quatro pontos porcentuais abaixo considerando todas as categorias.
"Para impulsionar o sell-out, os descontos aumentaram 91% em relação ao ano anterior — ante 53% no quarto trimestre e 19% nos nove meses de 2024 — e as despesas de marketing, cresceram 40% no comparativo com janeiro a março de 2024", diz o banco.
As ações da Hypera entraram em leilão na abertura das negociações desta quinta-feira (24) e, além dos fortes ganhos de hoje, os papéis acumulam alta de 21,8% em abril e, no ano, de 32,1%.
Alguns bancos entendem que ainda há espaço para mais e recomendam incluir HYPE3 na carteira mesmo após o prejuízo do primeiro trimestre, mas a indicação não é unânime.
O Safra tem recomendação outperform (equivalente a compra) para as ações da Hypera, com preço-alvo de R$ 25, o que representa um potencial de valorização de 19% sobre o último fechamento.
O Itaú BBA também tem recomendação outperform (equivalente a compra) para os papéis da Hypera com preço-alvo de R$ 21, o que representa quase estabilidade, com queda de 0,1% em relação ao fechamento anterior.
Já o BTG está no time das indicações neutras para as ações da companhia, com preço-alvo em R$ 24, o que representa 14,17% de potencial valorização frente ao último fechamento.
Do mesmo lado, o Bradesco BBI manteve a classificação neutra para Hypera com preço-alvo de R$ 25, um potencial de valorização de 19% no comparativo com o fechamento anterior.
A recomendação do BTG é de compra, com preço-alvo de R$ 40. “Do ponto de vista de valuation, a Azzas está sendo negociada a cerca de 7x P/L para 2026, um nível significativamente descontado em relação aos pares do setor”, afirma o banco
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