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Os resultados são uma fotografia dos desafios financeiros que as duas companhias enfrentam nos últimos meses; mudanças na alta cúpula também são anunciadas
Cosan (CSAN3) e Raízen (RAIZ4) encerraram o período de julho a setembro com perdas bilionárias. Enquanto a primeira reverteu um lucro de R$ 293 milhões em prejuízo de R$ 1,1 bilhão, a segunda ampliou o resultado negativo, que passou de -R$ 158 milhões para R$ 2,3 bilhões.
Os resultados são uma fotografia dos desafios que as duas companhias enfrentam nos últimos meses. De um lado a Raízen ainda é vista com desconfiança pelo mercado depois de questões ligadas à desalavancagem e, de outro, pairam dúvidas sobre o papel da Cosan na melhora da situação da empresa do mesmo grupo.
Nesta sexta-feira (14), as ações da Cosan fecharam em alta de 0,66%, cotados a R$ 6,14. No ano, os papéis acumulam perda de 45,7%. Na contramão, as ações da Raízen recuaram 1,15%, cotadas a R$ 0,86. No ano, a queda já ultrapassa 64%.
A Cosan justificou o prejuízo no trimestre, citando a menor contribuição da equivalência patrimonial no balanço. A holding apresentou, no período, uma equivalência patrimonial negativa de R$ 482 milhões.
“A redução de R$ 1,4 bilhão, quando comparado com o mesmo período de 2024, é explicada principalmente, pela menor contribuição do segmento EAB (etanol, açúcar e bioenergia) na Raízen, devido a redução dos volumes vendidos, além do efeito do impairment dos ativos que foram reclassificados para disponíveis para venda na empresa”, diz a empresa.
A Cosan viu as despesas gerais e administrativas (G&A, na sigla em inglês), caírem de R$ 128 milhões para R$ 67 milhões. A companhia explica que essa desaceleração está associada aos menores custos com o programa de remuneração de incentivo de longo prazo, que acompanhou a queda da ação.
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O resultado financeiro da Cosan também se deteriorou na base anual. Ele foi negativo em R$ 858 milhões, acima dos R$ 521 milhões do terceiro trimestre de 2024 — alta explicada, de acordo com a companhia, pela alta dos juros.
A empresa fechou o terceiro trimestre com uma dívida líquida de R$ 18,1 bilhões, número menor do que os R$ 21,7 bilhões do terceiro trimestre de 2024. A alavancagem da Cosan, por outro lado, aumentou por conta do recuo do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) das controladas: de 2,5x no ano passado, fechou setembro em 3,7x.
Já o Ebitda da Raízen teve queda de 39,7% em base anual, somando R$ 2,787 bilhões. A receita líquida recuou 17,8%, totalizando R$ 59 bilhões.
De acordo com a companhia, o trimestre foi encerrado com evolução consistente nas iniciativas que sustentam o plano de transformação: simplificação, eficiência operacional e otimização da estrutura de capital.
“Neste trimestre, aprimoramos o perfil de endividamento e reforçamos a liquidez, otimizando a estrutura de capital, que permanece como prioridade. Demos mais um passo na gestão de passivos com a substituição de linhas de curto prazo de capital de giro por instrumentos de dívida mais eficientes e de longo prazo”, disse a administração.
A relação dívida líquida/Ebitda ajustado nos seis meses da safra 25/26 ficou em 5,1x, contra 2,6x da safra passada.
Horas antes da divulgação de seus respectivos balanços, Cosan e Raízen anunciaram mudanças nas diretorias executivas e conselhos de administração.
Na Cosan, Rodrigo Araujo Alves, atual diretor vice-presidente financeiro e de relações com investidores, renunciou ao cargo. Ele será substituído por Rafael Bergman, que assumirá a posição de diretor vice-presidente financeiro e de relações com investidores a partir de 5 de dezembro de 2025.
No conselho de administração, as alterações passam a valer em 19 de novembro de 2025. Renunciaram aos seus cargos os conselheiros:
Foram eleitos:
A companhia informou ainda que mudanças correlatas estão sendo comunicadas nos conselhos de administração de suas subsidiárias Rumo e Compass, bem como da co-controlada Raízen. Na Moove, será formalizada a renúncia de Rodrigo Araujo e a entrada de Mazzola e Rosenberg.
Na Raízen, Lorival Luz assumirá as funções de diretor financeiro e de relações com investidores, em substituição a Rafael Bergman, que renunciou ao cargo.
“Lorival é um executivo sênior com mais de 30 anos de experiência, tendo passado por posições de liderança em empresas como Citibank, CPFL Energia, Estácio Participações, Grupo Votorantim, além de atuar como CEO da BRF e da Alloha Fibra”, disse a empresa, em comunicado.
*Com informações do Money Times
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