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Dani Alvarenga

Dani Alvarenga

Repórter do Seu Dinheiro, estudante de Jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP) com certificação em curso de Mercado Financeiro pela Ibmec. Possui experiência na cobertura de economia, política e internacional. Atualmente, cobre o mercado imobiliário e de FIIs.

DESBLOQUEANDO VALOR

Prio (PRIO3) abocanha campos de Peregrino e Pitangola por US$ 3,35 bilhões e ações sobem — negócio pode turbinar dividendos, diz bancão

Aquisição já era esperada pelo mercado; transação é avaliada positivamente pelo BTG Pactual e pela XP Investimentos

Dani Alvarenga
Dani Alvarenga
2 de maio de 2025
11:51 - atualizado às 10:40
Trabalhadores da Prio (PRIO3)
Trabalhadores da Prio (PRIO3). - Imagem: Divulgação

A Prio (PRIO3) vinha namorando as operações restantes da Peregrino na vitrine há tempos. E agora a petroleira adicionou as participações no carrinho de compras — e vai levar junto o campo de Pitangola.

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A empresa informou que assinou contratos com a Equinor Brasil Energia para a aquisição da participação total de 60% dos campos de Peregrino e Pitangola. O valor da transação é de US$ 3,35 bilhões.

Como a Prio já possui 40% das operações, o campo de Peregrino vai passar a ser detido e operado integralmente pela petroleira.

A aquisição já era esperada pelo mercado, e é avaliada positivamente pelo BTG Pactual e pela XP Investimentos.

Na visão dos analistas do BTG, a operação tem potencial para acelerar a transformação da petroleira em uma “máquina de dividendos” nos próximos 18 meses.

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Já a XP Investimentos avalia que o acordo é um agregador de valor e espera que a operação gere uma reação positiva das ações.

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Os investidores parecem concordar com a avaliação. Por volta das 11h50, as ações da Prio subiam 5,55%, negociadas a R$ 35,58.

A aquisição no detalhe

Segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite de quinta-feira (1), o negócio vai agregar 202 milhões de barris de reservas e recursos 1P+1C à companhia.

De acordo com a Prio, todos os valores serão pagos utilizando os recursos já disponíveis na conta-corrente da empresa, somados à geração de caixa da companhia até o fechamento da operação.

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A petroleira ainda informou um aumento temporário do nível de alavancagem para aproximadamente 2 vezes a relação dívida líquida/Ebitda, “que permanecerá dentro de faixas saudáveis e conservadoras", afirmou a empresa.

A Prio espera que as operações sejam concluídas entre o final de 2025 e meados de 2026. As aquisições ainda estão sujeitas à aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Vêm dividendos por aí? A aquisição da Prio

O BTG Pactual já havia sinalizado que tem a Prio como nome favorito entre Prio, Brava e PetroRecôncavo, segundo relatório divulgado na última terça-feira (29).

Com a aquisição dos campos de Peregrino e de Pitangola, o banco reiterou a recomendação de compra para as ações PRIO3.

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O BTG também estima uma valorização de 10% nas ações, apesar de ressaltar que dependerá da capacidade da Prio de extrair sinergias.

Como a avaliação do banco não considera sinergias operacionais, uma estimativa conservadora de US$ 80 milhões em economias anuais poderia gerar um valor líquido adicional de US$ 550 milhões. O montante equivale a R$ 3,80 por ação ou 11% de valorização.

O banco ainda enxerga que o acordo é um passo estratégico para a Prio, já que permite à petroleira continuar se expandindo por meio de ganhos de eficiência em ativos maduros, sem comprometer sua capacidade de geração de Fluxo de Caixa Livre para o Patrimônio Líquido (FCFE).

Já a XP Investimentos avalia a operação como estratégica, já que o campo de Peregrino está localizado próximo a outros campos operados pela Prio.

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Apesar de a operação ocorrer antes do previsto pelos analistas da instituição, a casa avalia que a petroleira está preparada para a aquisição.

A XP Investimentos também considera a operação como um negócio que "agrega valor". Isso porque estima um ganho de R$ 3 a R$ 5 por ação, o que representa uma valorização de 9% a 15%. 

Uma questão de alavancagem: o valor da compra dos campos pela Prio

Embora o valor da operação possa parecer alto, o BTG avalia que, ajustando pelo desempenho financeiro de Peregrino desde janeiro de 2024, o desembolso efetivo da Prio fique mais próximo de US$ 2,5 bilhões.

Assim, considerando as estimativas do valor justo de US$ 16 para cada barril de petróleo equivalente (boe) do campo de Peregrino, a participação da Equinor valeria US$ 2,6 bilhões ao final de 2025. 

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Ou seja, acima do desembolso líquido estimado de US$ 2,5 bilhões, segundo o BTG Pactual.

Já em relação à alavancagem, o banco estima que o indicador pode subir para cerca de 2,5 vezes a dívida líquida/Ebitda até o final de 2025, considerando o preço do petróleo Brent entre US$ 60 e US$ 65.

Ainda assim, os analistas não veem motivo para preocupação e projetam que a alavancagem deve cair para menos de 1,5 vez até o fim de 2026.

Para a XP Investimentos, a alavancagem também não é uma preocupação. Os analistas indicam que deve permanecer abaixo de 2 vezes. 

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As estimativas projetam a alavancagem em 1,9 vez em um cenário em que o preço médio do petróleo Brent seja de US$ 60 e se o campo de Wahoo não começar a produzir antes do fechamento da aquisição.

Na suposição mais otimista da instituição, com o preço do Brent a US$ 70, a Prio ficaria neutra em fluxo de caixa em 2026, mesmo incluindo o pagamento da aquisição.

Além disso, a XP Investimentos também enxerga que o pagamento final será menor por conta de ajustes.

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