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Karin Salomão

Karin Salomão

Jornalista formada pela Universidade de São Paulo (USP), com experiência em economia e negócios. Foi repórter na Exame e editora assistente no UOL Economia. Completou o Curso B3 de Mercado de Capitais para Jornalistas e Formadores de Opinião, em parceria com o Insper. Hoje, é editora assistente de empresas no Seu Dinheiro.

DECEPCIONOU?

Petrobras (PETR3) cai na bolsa depois de divulgar novo plano para o futuro; o que abalou os investidores?

Novo plano da Petrobras reduz capex para US$ 109 bi, eleva previsão de produção e projeta dividendos de até US$ 50 bi — mas ações caem com frustração do mercado sobre cortes no curto prazo

Karin Salomão
Karin Salomão
28 de novembro de 2025
12:36 - atualizado às 13:26
Petrobras
Sede da Petrobras, no centro do Rio de Janeiro - Imagem: iStock.com/Junior Pereira

Em seu novo plano de investimentos para os próximos cinco anos, a Petrobras (PETR3; PETR4) reduziu o investimento esperado para o período e aumentou levemente a expectativa de produção.

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A estatal também anunciou uma previsão de dividendos ordinários entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões, sem mencionar a possibilidade de distribuição de proventos extras aos seus acionistas.

No entanto, as ações da petroleira estão em queda na manhã de hoje, 28. As ações ordinárias, PETR3, caem 2,57% por volta das 12h30, enquanto as preferenciais, PETR4, tem queda de 2,31%.

O que agradou — e o que deixou a desejar — para os integrantes do mercado?

Menos investimentos, mas só no longo prazo

De cara, a estatal anunciou uma diminuição de 1,8% nos investimentos totais, o famoso capex: serão US$ 109 bilhões para os próximos cinco anos. O último planejamento estabeleceu investimentos de US$ 111 bilhões, contra US$ 102 bilhões da versão anterior.

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Por outro lado, a Carteira em Implantação — área que reúne projetos com maior probabilidade de execução — registrou uma redução mais relevante, passando de US$ 98 bilhões para US$ 91 bilhões.

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Segundo Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, o ponto central é que os investimentos em Exploração & Produção foram preservados, com a maior parte dos cortes sendo realizada em segmentos de baixo retorno e não estratégicos para a companhia.

“Apesar de parte das mudanças já ter sido antecipada pelo mercado nas últimas semanas, os ajustes, nada triviais para uma estatal em véspera de eleições presidenciais, mostram que a gestão está atenta e sensível ao ambiente desafiador”, afirmou o analista.

No longo prazo, o cenário é positivo. No entanto, sem cortes significativos nos investimentos anunciados no curto prazo, a empresa fica muito exposta ao cenário desafiador para o preço do petróleo tipo Brent.

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"O plano deixa a empresa exposta a pressões no curto prazo, especialmente em cenários estressados para o preço do petróleo, com flexibilidade limitada", diz o Itaú BBA.

Os cortes mais significativos serão vistos apenas a partir de 2029 e 2030, diz o banco, sem cortes substanciais antes de 2028.

"Isso pode ser percebido como decepcionante para os investidores, dado que estavam esperando uma redução no capex de pelo menos US$ 1 bilhão para 2026", diz o banco em relatório.

"No geral, reconhecemos o alto potencial e a qualidade do capex da Petrobras, majoritariamente relacionado a Búzios, e vemos de forma positiva a redução do capex em cinco anos. Ainda assim, acreditamos que os investidores devem reagir negativamente a um capex em 2026 acima do esperado e ao fato de que o pico de capex ocorrerá apenas em 2027, e não em 2026", afirma o banco BTG Pactual.

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Já o Safra tem uma visão distinta. “O plano quinquenal delineia a estratégia da Petrobras de navegar em um ambiente de preços mais baixos do Brent: com mais flexibilidade em investimentos, aumento da produção e redução de despesas”, pontuou o banco em relatório.

Segundo a instituição, apesar da modesta queda de 2% no total de investimentos para o próximo período, a carteira de projetos em execução soma US$ 91 bilhões e inclui US$ 10 bilhões em iniciativas sujeitas a avaliações trimestrais de financiamento.

Para a casa, isso confere à petroleira maior capacidade de ajustar o ritmo conforme análises periódicas de fluxo de caixa e estrutura de capital.

Produção levemente maior, mas ainda conservadora

A estatal prevê atingir, no quinquênio, o pico de produção de óleo de 2,7 milhões de barris por dia (bpd) em 2028 e pico de produção total de 3,4 milhões de barris equivalentes de óleo e gás por dia (boed) em 2028 e 2029.

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Isso significa um incremento na perspectiva de produção de óleo nos próximos cinco anos entre 100 mil e 200 mil barris por dia, o que está em linha com o aumento observado nos últimos trimestres.

O especialista da Empiricus lembrou que cada 100 mil barris representam aproximadamente US$ 1 bilhão de Ebitda adicional, considerando o Brent a US$ 60.

Ainda que a empresa possa produzir mais, e, consequentemente, ter uma receita maior, a previsão da estatal é conservadora e já é consenso no mercado "Não vemos isso como um grande catalisador para a ação, dado que já era amplamente antecipado", diz o banco BTG Pactual.

O banco ainda lembra que a produção pode ser ainda maior, já que a Petrobras produziu 2,6 milhões de barris por dia em out/25 (vs. guidance de 2,5 milhões para 2026 e 2,6 milhões para 2027, e guidance anterior de 2,4/2,5 milhões).

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Com informações Money Times

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