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Gabryella Mendes

Gabryella Mendes

MERCADO DE BIOENERGIA

Para o BTG, venda da Santa Elisa mostra pressa da Raízen (RAIZ4) em ganhar eficiência

Analistas enxergam movimento simbólico na reestruturação da companhia e destacam impacto operacional além do financeiro

Gabryella Mendes
Gabryella Mendes
16 de julho de 2025
16:18 - atualizado às 16:19
Fachada da Raízen roxa e branca
Imagem: Divulgação

Nem toda venda bilionária é só sobre dinheiro.

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No caso da Raízen (RAIZ4), a venda da Usina Santa Elisa revela algo maior: a estratégia acelerada da companhia para colocar ordem na casa.

Na terça-feira (15), a empresa informou que vendeu todas as áreas de fornecimento de cana-de-açúcar — próprias e de terceiros — associadas à Santa Elisa, por aproximadamente R$ 1 bilhão.

Segundo o BTG Pactual, a operação representa cerca de 5% do volume de cana previsto para a safra 2025/2026, e reforça o que os analistas chamam de “senso de urgência” na reestruturação da gestão, iniciada ainda no final de 2023.

Os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttila destacam que a operação vem na esteira de um processo mais amplo de otimização da estrutura agrícola da companhia.

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“A Raízen já havia se desfeito de quase 2,5 milhões de toneladas/ano de outros ativos de cana de usinas anteriormente vendidas ou desativadas, totalizando uma redução de 6,1 milhões de toneladas (mais de 6% do total) desde o início da reestruturação”, afirmaram.

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Para o BTG, o movimento é simbólico. Isso porque a Santa Elisa é uma das usinas mais tradicionais do país, situada em uma das regiões canavieiras mais relevantes do Brasil.

Ao se desfazer de ativos menos eficientes, a Raízen sinaliza que a reestruturação vai além do alívio no caixa.

Os analistas apontam que uma injeção de caixa não altera consideravelmente a situação de uma companhia que possui mais de R$ 40 bilhões em dívida líquida. No entanto, eles acreditam que isso vai além do aspecto financeiro.

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“A Raízen também pode melhorar o desempenho operacional geral, para uma companhia que se tornou uma das produtoras de maior custo entre as empresas sucroalcooleiras do Brasil”, disseram.

A São Martinho (SMTO3) também saiu comprando

Entre os compradores da Usina Santa Elisa, a São Martinho (SMTO3) se destacou.

A empresa pagará R$ 242 milhões por uma área com cerca de 10.600 hectares de cana-de-açúcar, o que representa aproximadamente 800 mil toneladas anuais a partir da safra 2028/29.

A área será absorvida pela unidade de Pradópolis (SP), a apenas 25 km de distância.

De acordo com o BTG Pactual, o múltiplo de aquisição gira em torno de US$ 50 por tonelada. O patamar, na visão dos analistas, está abaixo do custo de reposição para o cultivo de cana em uma das regiões mais produtivas do país. 

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“Esse múltiplo também é inferior ao valor em EV/tonelada negociado pela ação no mercado”, afirmou o banco.

Além da São Martinho, também participam da transação nomes como Alta Mogiana, Bazan, Batatais, Pitangueiras e Viralcool. 

Recomendação do BTG para Raízen foi mantida

Apesar do alto endividamento da Raízen, o BTG mantém recomendação de compra para as ações da companhia (RAIZ4), com preço-alvo de R$ 3,50. O valor representa um potencial de alta de 130,26%.

A recomendação para São Martinho (SMTO3) também é de compra, com preço-alvo de R$ 39 e potencial de valorização de 123,62%.

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* Com informações do Money Times


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