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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

TEM ESPAÇO PARA MAIS

Não se assuste com a escalada da Copasa na bolsa: ação CSMG3 pode valer R$ 50 se tirar lições da Sabesp, diz BTG

Os analistas ainda veem um espaço relevante para valorização das ações da Copasa nos próximos meses — mas isso dependerá da concretização de duas condições específicas

Camille Lima
Camille Lima
29 de setembro de 2025
15:16 - atualizado às 10:18
Copasa (CSMG3)
Copasa (CSMG3). - Imagem: Divulgação

Embora o salto das ações da Copasa (CSMG3) em 2025, de quase 65% desde o início do ano, acenda entre os investidores o temor de que todo o potencial possa já ter sido extraído, o BTG Pactual ainda vê um espaço relevante para valorização adicional nos próximos meses.

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Para os analistas, o potencial é expressivo: hoje cotadas na casa dos R$ 34, as ações da Copasa poderiam chegar a R$ 50 na bolsa brasileira — isto é, um potencial de alta de 48% em relação ao último fechamento.

Porém, essa performance robusta dependerá da concretização de certas condições e de a empresa mineira tirar algumas lições da Sabesp (SBSP3), trilhando um caminho parecido com o da companhia paulista de saneamento.

Apesar das perspectivas otimistas, o BTG ainda não mexeu nas premissas que havia fixado para a Copasa até então. O banco segue com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 33 para os próximos 12 meses.

O que pode levar a Copasa (CSMG3) aos R$ 50 por ação?

Um dos pontos centrais da análise do BTG é que muitos investidores acreditam que a valorização atual das ações CSMG3 já incorpora a expectativa de privatização da Copasa, especialmente considerando o múltiplo de valor de firma sobre a base de ativos regulatórios (EV/RAB).

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Atualmente, a ação da Copasa negocia a 1,14 vez o EV/RAB de 2024 e 1,08 vez para 2025 — múltiplos pouco abaixo dos praticados pela Sabesp. 

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Se a Copasa fosse negociada hoje ao mesmo múltiplo da Sabesp, o papel chegaria a cerca de R$ 39, o que representaria um potencial de alta de “apenas” 18%.

No entanto, segundo o BTG, “focar demais no múltiplo EV/RAB é problemático”. A empresa tem investido pouco há anos, o que significa que sua base de ativos regulatórios (RAB) está defasada. 

As vantagens em relação à Sabesp

Isso significa que a Copasa tem vantagens que podem gerar um valor significativamente maior se o modelo regulatório for aprimorado, na visão dos analistas, como:

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  1. Crescimento da RAB líquida; e
  2. Redução de despesas operacionais (Opex) em relação à RAB líquida.

Em 2024, a RAB líquida da Copasa era estimada em R$ 15,1 bilhões, enquanto a da Sabesp somava R$ 86,9 bilhões. Isso significa que a Sabesp tem 5,77 vezes mais RAB do que a Copasa. 

Embora à primeira vista isso poderia sugerir que a Sabesp opera em uma escala 5,77 vezes maior, o BTG avalia que não é bem assim, já que, por quilômetro, a RAB da Sabesp é apenas 3,7 vezes maior, e, por ligação, 2,6 vezes maior.

Outra métrica que evidencia o potencial de valorização é a relação entre as despesas operacionais e suas respectivas RABs (Opex/RAB) em 2024:

  • Sabesp: 9,2%
  • Copasa: 16,3%.

Segundo os analistas, essa diferença não se justifica por uma eficiência operacional menor da Copasa. 

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“Como a relação Opex/RAB da Copasa é muito mais alta, caso ela siga o mesmo modelo regulatório da Sabesp, o valor justo de seu EV/RAB seria significativamente maior.”

Quanto vale a Copasa?

Para o BTG, se a Copasa (CSMG3) operar sob o mesmo marco regulatório da Sabesp, seu valor justo poderia chegar a R$ 50 por ação, o que corresponde a um EV/RAB de 1,44 vez para 2025.

Ou seja, com um prêmio no múltiplo, visto que a base regulatória de ativos da companhia mineira está “mais velha e mais depreciada”, segundo os analistas.

Esse cenário considera que a Copasa consiga reter cerca de 15% das despesas operacionais como ganho de eficiência — com economia maior no início e redução ao longo do tempo — e que o desconto do fluxo de caixa ocorra com um custo de capital real similar ao da Sabesp.

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Para que esse potencial se concretize, porém, é necessário que a privatização avance e melhorias regulatórias sejam implementadas.

Em que pé está a privatização?

A semana passada marcou um passo importante da Copasa (CSMG3) rumo à privatização. Na última quinta-feira (25), enfim entrou em tramitação o projeto de lei que autoriza a desestatização da empresa mineira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O projeto de lei será agora analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de seguir para as demais comissões e, por fim, para a votação em plenário. O projeto depende de pelo menos 60% dos votos para ser aprovado. 

O governo de Minas Gerais terá até o final de outubro para aprovar todas as medidas legislativas necessárias ao processo de integração do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que prevê a amortização de dívidas com o governo federal.

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Além disso, o governo mineiro terá até o final de novembro para apresentar ao governo federal quais empresas pretende privatizar ou federalizar para atender parte da renegociação da dívida.

A movimentação ocorre poucas semanas após a aprovação da PEC 24/2023 na Câmara dos Deputados, com a eliminação da exigência de referendo popular para qualquer potencial privatização da empresa. 

Na visão do Itaú BBA, esses acontecimentos representam “eventos-chave para a redução de risco e aumentam significativamente a probabilidade de privatização”. 

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