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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

RELÓGIO SUÍÇO?

Itaú Unibanco (ITUB4) deve entregar mais um trimestre previsível — e é exatamente isso que o mercado quer ver no 3T25

Enquanto concorrentes tentam lidar com carteiras mais arriscadas e provisões pesadas, o Itaú deve entregar previsibilidade e rentabilidade acima dos 20%; veja o que os analistas esperam para o balanço

Camille Lima
Camille Lima
4 de novembro de 2025
7:14 - atualizado às 19:37
Fachada de agência do Itaú
Fachada de agência do Itaú. - Imagem: Divulgação

Em um setor que passou a apresentar diversas surpresas ao longo dos últimos trimestres — algumas delas nem tão agradáveis assim —, o Itaú Unibanco (ITUB4) segue como o banco que praticamente não surpreende nos balanços. E, para o mercado, isso é justamente o ponto forte da história.

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Enquanto concorrentes ainda tentam lidar com ajustes em carteiras de crédito mais arriscadas e provisões pesadas, o Itaú deve chegar à temporada de resultados do terceiro trimestre de 2025 (3T25) confirmando sua posição como líder e carregando o que investidores mais valorizam: previsibilidade, solidez e rentabilidade acima dos 20%.

O banco divulgará seus números nesta terça-feira (4), após o fechamento dos mercados, e o consenso é de que o Itaú entregará mais um trimestre robusto.

Um “trivial” de R$ 12 bilhões

Segundo o consenso da Bloomberg, o Itaú deve divulgar um lucro líquido recorrente de R$ 11,9 bilhões, o que representaria um crescimento de 16,6% em relação a um ano antes e de 3,3% na comparação com o segundo trimestre de 2025.

Já o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) deve alcançar 23%, segundo a média das projeções compiladas pelo Seu Dinheiro, o que marcaria um avanço de 0,8 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2024 e de 0,2 p.p. frente ao trimestre anterior.

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Esses números manteriam o Itaú firme no topo da rentabilidade entre os grandes bancos, acima de pares que já divulgaram seus números, Santander (SANB11), com 17,5%, e Bradesco (BBDC4), com 14,7%

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Mais do que isso, essa performance abriria espaço para um tema que o mercado já começa a discutir: a possibilidade de novos dividendos extraordinários.

De acordo com o UBS BB, a combinação de lucro forte e crescimento moderado da carteira deve resultar em excesso de capital na casa dos R$ 21 bilhões — um nível confortável o bastante para reacender as apostas em pagamentos adicionais de proventos aos acionistas.

O “relógio suíço” do sistema bancário: a habilidade do Itaú de ser previsível

O JP Morgan resume bem o sentimento dos investidores: o Itaú deve entregar mais um trimestre sem grandes surpresas — no bom sentido.

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De acordo com os analistas, em um ambiente de juros altos e volatilidade global, essa previsibilidade é, por si só, uma vantagem competitiva. 

A disciplina na gestão e o foco em rentabilidade sustentável seguem sendo as maiores fortalezas do Itaú, afirmaram os analistas, o que consolida as ações ITUB4 como o nome preferido dos investidores no setor financeiro.

O UBS BB também aposta em mais um trimestre de consistência, com margens levemente maiores, ativos saudáveis e nenhum sinal relevante de deterioração na carteira de crédito.

Por que o Itaú ainda deve liderar entre os bancos?

Na corrida dos grandes bancos, a expectativa é que o Itaú siga com folga na dianteira nesta temporada de resultados.

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A Empiricus Research aposta que o banco deve superar novamente seus pares no 3T25. “Por ter uma política de crédito mais conservadora, a tendência é que o Itaú passe praticamente ‘ileso’ por esse ciclo de piora do crédito”, afirma a analista Larissa Quaresma.

Para o Bank of America (BofA), os lucros do Itaú devem seguir em alta, sustentados pela qualidade dos ativos e pela desaceleração das despesas operacionais (opex).

As preocupações no horizonte

Mas nem tudo é vento a favor. O BofA cita dois pontos de atenção que podem limitar o ritmo de crescimento da carteira neste trimestre: as incertezas macroeconômicas e a valorização do real, que tende a reduzir o volume de empréstimos corporativos do Itaú em dólar

“Por outro lado, uma postura mais cautelosa deve preservar a qualidade dos ativos, resultando em provisões mais controladas”, avaliou o banco.

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A XP Investimentos também vê o Itaú com bons olhos, mas projeta leve aumento na inadimplência entre pequenas e médias empresas (PMEs), embora o índice geral deva permanecer estável em relação ao trimestre anterior.

A corretora prevê ainda uma pequena desaceleração na margem financeira líquida, pressionada pelo arrefecimento do crédito e pelas maiores despesas com pessoal, após o acordo trabalhista firmado em setembro.

O Safra, por sua vez, projeta um desempenho um pouco mais fraco da margem financeira neste trimestre, reflexo da sazonalidade nas operações estruturadas de atacado na margem de clientes e da base de comparação mais difícil da margem de mercado com o trimestre anterior.

Ainda assim, o banco vê sustentação no crescimento das linhas governamentais para PMEs, que continuam sendo o principal vetor de expansão da carteira de crédito.

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