Gerdau (GGBR4) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4) aprovam novas recompras de ações: o que isso significa para os investidores?
As duas companhias devem recomprar juntas mais de 70 milhões de ações nos próximos 12 meses
A Gerdau (GGBR4) começou o ano de 2025 com um novo programa de recompra de ações — continuando a onda no ano passado que levou muitas empresas a empreenderem recompras bilionárias em meio a um mercado pessimista com os juros e a economia
Em comunicado ao mercado nesta segunda-feira (20), o conselho de administração da siderúrgica aprovou a recompra de até 63 milhões de ações preferenciais e até 1,5 milhão de ações ordinárias, que representam 5% e 10% das ações em circulação.
A Metalúrgica Gerdau, holding que controla Gerdau, também vai adquirir as próprias ações. Serão recomprados até 6 milhões de papéis preferenciais, ou 1% do total em circulação.
De acordo com a Gerdau, a recompra tem como objetivo “maximizar a geração de valor a longo prazo para o acionista por meio de uma administração eficiente da estrutura de capital e atender os programas de incentivo de longo prazo da companhia e de suas subsidiárias.”
Além disso, as ações podem ser canceladas, mantidas em tesouraria com alienadas no mercado. O programa terá duração de 12 meses, com início em 22 de janeiro.
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Encerramento de recompra
Além dos novos programas, as duas companhias também anunciaram o encerramento do programa de recompra que tinha sido criado em 31 de julho passado.
Foram adquiridas 1.767.911 ações ordinárias da Gerdau ao preço médio de R$ 17,78 por ação e 68 milhões de ações preferenciais ao preço médio de R$ 18,89 por ação.
Em relação à recompra da Metalúrgica Gerdau, foram adquiridas 33 milhões de ações preferenciais ao preço médio de R$ 10,65 por cada papel. Nos dois casos, o volume de ações adquiridas corresponderam a 100% do programa de recompra.
Para que serve a recompra de ações?
Existem diversos motivos que levam uma empresa como a Gerdau a aprovar um programa de recompras como esse. Entre eles, estão:
- A empresa acredita que suas ações estão baratas ou mal avaliadas pelo mercado;
- A companhia precisa distribuir ações aos executivos como bônus e não quer emitir novos papéis;
- Ela quer gerar valor ao acionista que continua em sua base, apesar da instabilidade do mercado.
Isso porque a recompra é uma das maneiras que uma empresa pode escolher para dar retorno para o seu investidor.
É diferente da distribuição de proventos, por exemplo, que proporciona retorno por meio do pagamento de dividendos e JCP. Caso a empresa opte por cancelar as ações recompradas, o acionista ganha por ficar com uma participação proporcionalmente maior.
Por outro lado, a recompra de ações faz com que os papéis percam liquidez na bolsa, uma vez que menos ações são negociadas.
O cenário atual da Gerdau (GGBR4)
O sol tem brilhado para os negócios da Gerdau nos últimos meses. A companhia tem investido pesado em novos projetos, seja na construção de parques de energia solar, ou na compra do controle total da Gerdau Summit, joint venture voltada ao fornecimento de peças para a geração de energia eólica.
No terceiro trimestre de 2024, a Gerdau também registrou um balanço mais forte que o esperado. A companhia reportou lucro líquido ajustado de R$ 1,432 bilhão, valor 10% inferior ao reportado no mesmo período de 2023 — mas em linha com o esperado.
Já o lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado totalizou R$ 3,016 bilhões no 3T24, um recuo de 10% em relação ao 3T23.
Além disso, a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos é outro fator por trás da performance positiva dos papéis nos últimos meses e que deve beneficiar a companhia.
Antes da posse, Trump afirmou que pretendia fortalecer o mercado interno, o que poderia elevar as tarifas de importação e reduzir as negociações indiretas de aço. Impostos mais baixos e o real mais fraco frente ao dólar tendem a ser positivos para a Gerdau.
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