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Rede Mulher Empreendedora (RME) completou 15 anos de atuação em 2025
Ao longo de mais de 15 anos, Ana Fontes construiu um dos maiores ecossistemas de apoio ao empreendedorismo feminino no Brasil.
Fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME) e do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), ela ajudou a levar para o centro do debate temas como geração de renda e autonomia financeira das mulheres em um período em que essas pautas ainda tinham pouca visibilidade no país.
Hoje, a atuação conjunta das duas organizações já impactou direta e indiretamente mais de 15 milhões de pessoas. Segundo Fontes, os efeitos do fortalecimento econômico das mulheres vão além do negócio.
“Quando as mulheres prosperam financeiramente, tendem a reinvestir na educação dos filhos, no bem-estar da família, na melhoria da estrutura da casa e no fortalecimento da comunidade ao redor. Também é comum que tragam outra mulher para o negócio”, afirma.
A estimativa é que, a cada mulher apoiada pelas organizações, pelo menos outras quatro pessoas sejam impactadas, considerando família e entorno.
A RME e o IRME atuam de forma complementar, mas possuem funções distintas. A rede desenvolve programas de capacitação e aceleração de negócios, produz conteúdo educacional e promove conexões entre empreendedoras por meio de comunidades digitais, encontros presenciais e iniciativas de networking.
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Também atua na conexão entre empreendedoras e grandes empresas, com o objetivo de firmar parcerias com o setor privado para a cocriação de projetos de impacto.
Já o instituto é a organização sem fins lucrativos que executa projetos sociais, com foco na capacitação e geração de renda para mulheres em situação de vulnerabilidade.
Juntas, a RME e o IRME atuam em mais de 2 mil municípios, mantêm parceria com mais de 130 organizações da sociedade civil e mobilizam uma rede de mais de 200 pessoas, entre embaixadoras e mentoras.
Ao longo dessa trajetória, também produziram mais de 1.300 horas de conteúdo educacional em vídeo e desenvolveram dezenas de projetos em parceria com empresas e instituições.
Anualmente, também ocorre o Festival Rede Mulher Empreendedora, que oferece conteúdos de gestão, liderança, tecnologia, entre outros. A edição de 2025, realizada na cidade de São Paulo, registrou quase 20 mil inscrições.
A história de Ana Fontes com o empreendedorismo começou no fim de 2008, quando criou a plataforma de recomendações positivas ElogieAki. Em 2010, foi selecionada para um programa gratuito da Fundação Getulio Vargas (FGV) voltado a mulheres empreendedoras. A experiência foi decisiva, mas também gerou um incômodo: apenas 35 mulheres haviam sido escolhidas entre mil inscritas.
A partir dessa inquietação, Fontes criou o blog Rede Mulher Empreendedora, com a proposta de compartilhar os aprendizados do curso com outras mulheres.
Ela adaptava conteúdos técnicos, especialmente de marketing, para uma linguagem mais acessível e contava com a colaboração de colegas para temas que não dominava. Em apenas seis meses, o blog alcançou cerca de 100 mil mulheres, apesar de ter sido divulgado inicialmente para um grupo de mil.
O crescimento levou à criação de um grupo no Facebook, que facilitou a troca entre as participantes e impulsionou a realização de encontros presenciais. Com o aumento da visibilidade, empresas passaram a procurar a iniciativa para parcerias, o que exigiu a estruturação do negócio.
No terceiro ano, a Rede Mulher Empreendedora iniciou seu processo de profissionalização. O Sebrae foi o primeiro parceiro institucional, cedendo espaço para os encontros. Em 2012, o Itaú se tornou o primeiro cliente pagante, com a criação do programa Itaú Mulher Empreendedora em parceria com a rede.
Fontes optou por não adotar um modelo de assinatura para evitar barreiras financeiras às participantes e passou a buscar financiamento junto a grandes empresas, mesmo diante das dificuldades para sustentar a operação.
Após sete anos de atuação, viu a necessidade de criar uma organização dedicada exclusivamente a mulheres em situação de maior vulnerabilidade, como negras, indígenas, pessoas trans e vítimas de violência. Assim nasceu o Instituto Rede Mulher Empreendedora.
A transição exigiu aprendizado sobre o terceiro setor e ganhou impulso em 2018, com uma doação milionária do Google, que ampliou a escala, a visibilidade e a credibilidade do trabalho.
Desde então, a atuação do instituto também envolveu coletar e divulgar pesquisas sobre o empreendedorismo feminino no Brasil para estimular a criação de políticas públicas baseadas em dados e pesquisas produzidas pela própria rede.
Em 2025, a RME celebrou seus 15 anos em um contexto que Ana Fontes define como desafiador para os negócios sociais, mas marcado por novas frentes de atuação. A principal delas é a criação de um fundo de investimento para mulheres empreendedoras, a primeira iniciativa da organização no território do crédito.
Liderado pelo Instituto RME em parceria com o Banco Pérola, o Fundo de Impacto e Renda para Mulheres Empreendedoras (FIRME) prevê empréstimos de R$ 12 mil para negócios com impacto social e em sustentabilidade, com potencial de crescimento.
A RME será responsável pela gestão dos recursos, pela seleção das empreendedoras e pelo acompanhamento técnico, que inclui qualificação em gestão e educação financeira antes da liberação do crédito.
O primeiro ciclo oferece 50 vagas e já atraiu 600 interessadas, com inscrições prorrogadas até janeiro de 2026. O acompanhamento, com mentoria e apoio à gestão, terá duração de 18 meses, período em que o empréstimo poderá ser pago.
Até então, a atuação da RME no acesso a recursos financeiros se dava principalmente por meio de microdoações, com valores médios entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, voltadas a negócios muito pequenos — iniciativa que seguirá ativa.
Para Fontes, a criação do fundo representa um passo estratégico. “Estamos entrando em um território a princípio desconhecido para nós, mas com muita motivação. Sabemos que dinheiro é um dos principais gargalos para os negócios das mulheres se desenvolverem”, afirma.
Para o futuro, a Rede Mulher Empreendedora pretende aprofundar sua atuação no acesso a capital e crédito, além de avançar em frentes como compras inclusivas, buscando modelos para que empresas e governos direcionem parte de suas aquisições a grupos minorizados, como mulheres negras, indígenas e empreendedoras de periferias.
Outro eixo prioritário é a ampliação do olhar sobre a vida da mulher como um todo, incluindo saúde — especialmente saúde mental — e a economia do cuidado.
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