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Embora as questões de governança e mudança de controle não possam ser ignoradas, o verdadeiro motor (ou detrator) é outro; veja o que dizem os analistas

A busca de Nelson Tanure pelo controle da Braskem (BRKM5) e a ausência de tag along para os minoritários dominaram os holofotes do mercado esta semana. No entanto, a falta de uma oferta pública de aquisição (OPA) não é a principal preocupação do BTG Pactual quando se trata do futuro da petroquímica.
Para os analistas do banco, embora as questões de governança e mudança de controle não possam ser ignoradas, o verdadeiro motor (ou detrator) da Braskem nos próximos meses continua sendo o desempenho dos spreads petroquímicos.
Nos últimos trimestres, o ciclo prolongado de spreads mais baixos — que representa a diferença entre o preço de venda da resina e o custo da matéria-prima — resultou em um perfil financeiro mais fraco do que o esperado.
Isso porque a crise no setor pressionou as margens e limitou as expectativas de melhoria nas métricas de rentabilidade e crédito da empresa.
Embora os spreads mostrem sinais de recuperação, ainda que lentos, nos últimos meses, a geração de caixa da Braskem segue aquém do desejado, e a alavancagem continua em níveis elevados, destacou o BTG.
Vale lembrar que a Braskem não está esperando passivamente que os spreads voltem aos níveis anteriores. A petroquímica tem investido esforços consideráveis para mitigar a queima de caixa, por meio de iniciativas como a racionalização de ativos e redução de custos.
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Apesar do cenário apertado do lado dos spreads, o BTG vê um potencial de valorização para a Braskem (BRKM5), especialmente no campo regulatório, com medidas comerciais e fiscais que estão sendo discutidas no Brasil.
No lado comercial, as autoridades brasileiras estão avaliando a implementação de tarifas antidumping sobre produtos como PVC.
Estudos preliminares indicam que até mesmo um aumento modesto de 1 ponto percentual nas tarifas de importação poderia gerar um impacto positivo de cerca de US$ 10 milhões no Ebitda da Braskem, segundo os analistas do BTG.
Outro fator que pode impulsionar os resultados da petroquímica é a possível extensão (e recalibração) do incentivo REIQ, que está sendo debatido na Câmara. Se aprovado com uma taxa efetiva média de cerca de 3,65%, esse incentivo poderia adicionar mais US$ 200 milhões ao Ebitda anual da empresa, nas contas dos analistas.
Contudo, embora as mudanças regulatórias possam oferecer alívio para os lucros, nenhuma dessas mudanças tem aprovação clara até o momento, o que limita a relevância no curto prazo.
“A falta de catalisadores, juntamente com a alta alavancagem e a incerteza em relação à responsabilidade em Alagoas, nos leva a manter uma recomendação neutra para BRKM5”, disse o BTG.
Além dos desafios operacionais, o mercado também está atento à potencial mudança de controle na Braskem.
Nesta semana, o empresário Nelson Tanure formalizou o pedido de autorização junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para seguir com a transação na petroquímica.
Ainda não foram revelados muitos detalhes sobre a negociação, mas o que se sabe é que Tanure pretende adquirir a participação da Novonor (ex-Odebrecht) na Braskem de forma indireta.
E, ao que tudo indica, não há qualquer pretensão de oferecer aos acionistas minoritários o benefício do tag along ou de uma oferta pública de aquisição (OPA). Confira aqui os detalhes.
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