Crise nos Correios: Governo Lula publica decreto que abre espaço para recuperação financeira da estatal
Novo decreto permite que estatais como os Correios apresentem planos de ajuste e recebam apoio pontual do Tesouro

Em meio à crise nos Correios, o governo federal publicou um decreto que permite que estatais não dependentes apresentem planos de reequilíbrio econômico-financeiro. A medida abre espaço para aportes futuros do Tesouro, mas de forma pontual, evitando que o suporte vire subsídio permanente.
Segundo o Ministério da Gestão, os planos dos Correios e de outras estatais precisarão passar por etapas de avaliação: Conselho de Administração, Conselho Fiscal, ministério supervisor e, por fim, análise da Comissão Interministerial de Governança Corporativa (CGPAR). O acompanhamento será semestral, garantindo que metas e cronogramas sejam cumpridos.
A ideia é dar fôlego às empresas em dificuldades sem que elas sejam classificadas como dependentes do Tesouro. Para os Correios, isso significa a chance de buscar equilíbrio financeiro com ajustes de receitas e despesas, mantendo autonomia e evitando uma dependência permanente.
Situação atual dos Correios
Os Correios acumulam prejuízo de R$ 6,05 bilhões até setembro e negociam um empréstimo bilionário com bancos. O dinheiro seria usado para cobrir perdas até 2026, financiar um Programa de Demissão Voluntária (PDV), investir em modernização e regularizar dívidas com fornecedores.
O Tesouro rejeitou a proposta de empréstimo de R$ 20 bilhões oferecida por bancos, por considerar os juros altos (136% do CDI). A exigência é que os juros não ultrapassem 120% do CDI. Paralelamente, o governo avalia um aporte para os Correios em 2025, possivelmente inferior a R$ 6 bilhões.
Para que os Correios voltem a ter lucro em 2027, será necessário um ajuste de R$ 6 bilhões a R$ 8 bilhões por ano. Isso envolve cortes de gastos e aumento de receitas, dentro de um plano de reestruturação que ainda precisa do aval do Tesouro.
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*Com informações do Estadão Conteúdo
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