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Banco projeta maior volatilidade no setor elétrico e destaca dividendos como diferencial competitivo
O Citi divulgou um novo relatório sobre o setor elétrico brasileiro, trazendo mudanças nas estimativas e recomendações para as empresas do setor de energia Auren (AURE3), Axia Energia (AXIA3), ex-Eletrobras, e Engie Brasil (EGIE3).
A principal mudança apontada pelo banco está na incorporação de preços de energia mais altos entre 2026 e 2030, além da revisão do valor de longo prazo para R$ 180/MWh, acima dos R$ 150/MWh considerados anteriormente.
Segundo o Citi, “os preços da energia no Brasil têm apresentado uma tendência de alta, em grande parte devido à rápida expansão da geração distribuída (GD), à maior intermitência do sistema e à postura mais conservadora do ONS na precificação de risco”.
Segundo os analistas do banco, João Pimentel e Felipe Lenza, essa alta reflete uma nova dinâmica marcada por maior volatilidade, dependência de térmicas e hidrelétricas flexíveis e, consequentemente, um “prêmio de risco estruturalmente maior” embutido nos preços.
No relatório, a Auren foi rebaixada de compra para neutra, com preço-alvo revisado de R$ 12 para R$ 13. Com taxa interna de retorno (IRR) de 8,6%, a companhia foi rebaixada para neutra devido ao valuation mais apertado e maior alavancagem.
Em seu último balanço trimestral, divulgado em novembro, a Auren informou que registrou um prejuízo líquido de R$ 403,7 milhões no terceiro trimestre de 2025, em meio a impactos negativos relacionados à geração de suas usinas renováveis e hidrelétricas. O valor reverteu a cifra positiva de R$197,2 milhões registrada um ano antes.
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Na ocasião, o CEO da Auren, Fabio Zanfelice, afirmou em entrevista à Reuters que a expectativa já era de piora dos cortes de geração renováveis no trimestre, dada a sazonalidade da safra de ventos.
“Esse trimestre teve dois eventos que foram bastante importantes também para agravar a situação, que foi a geração distribuída crescendo mais do que esperado, e o consumo de energia que foi muito abaixo de 2024 devido às temperaturas”, destacou.
Outro ponto de atenção no relatório do Citi são os curtailments, quando usinas precisam reduzir ou interromper a produção. O relatório alerta que até 2030, a projeção é de 20% para eólicas e 30% para solares, caindo para 15% e 25% depois disso. A Auren é a empresa mais exposta a esse tipo de mecanismo.
A Axia Energia manteve a recomendação de compra, mas com preço-alvo mais ambicioso, passando de R$ 51 para R$ 66. Já a Engie Brasil continua com recomendação neutra, e o preço-alvo foi ajustado de R$ 30,71 para R$ 32.
O Citi destacou que a Axia Energia continua sendo uma das principais escolhas, com taxa IRR de 9,2%. Apesar da alta acumulada de +105%, a empresa segue favorecida pelo aumento dos preços de energia e pela distribuição de dividendos robustos.
A Engie Brasil mantém IRR de 8,3%, mas enfrenta avaliação considerada “sobrecarregada”.
Para os analistas, o portfólio das empresas faz toda a diferença: hidrelétricas e térmicas tendem a se beneficiar do cenário atual, enquanto fontes renováveis intermitentes enfrentam mais riscos.
Enquanto o mercado ajusta suas expectativas para o setor de energia, o governo avança busca aliviar o bolso dos brasileiros. Nesta semana, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a regulação da Lei nº 15.235/2025, que instituiu o programa Luz do Povo.
A medida garante isenção total da conta de luz para famílias de baixa renda inscritas na Tarifa Social, desde que o consumo mensal seja de até 80 kWh.
A regulação também trouxe o Desconto Social, voltado para famílias com renda per capita entre meio e um salário-mínimo, inscritas no CadÚnico. Essas famílias terão direito a uma tarifa reduzida para consumo de até 120 kWh mensais, com isenção do pagamento das quotas da CDE. A estimativa da Aneel é que 4,1 milhões de famílias sejam contempladas.
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