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NOVO CAPÍTULO JUDICIAL

Braskem (BRKM5) volta ao centro da crise em Maceió com ação que cobra R$ 4 bilhões por desvalorização de 22 mil imóveis

Pedido judicial coletivo alega perdas imobiliárias provocadas pela instabilidade geológica em cinco bairros da capital alagoana, diz site

Unidade da Braskem (BRKM5) em Maceió (AL)
Unidade da Braskem (BRKM5) em Maceió (AL) - Imagem: Braskem

A história começa com rachaduras nas paredes. Depois, vieram os barulhos estranhos vindos do chão. Aos poucos, ruas inteiras começaram a ser esvaziadas, prédios condenados, e famílias obrigadas a deixar para trás suas casas, suas memórias e seu patrimônio.

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Seis anos depois do colapso geológico que destruiu parte de Maceió, a petroquímica Braskem (BRKM5) volta a ser alvo de uma ofensiva na justiça.

Segundo informações do site UOL, uma ação coletiva protocolada na Justiça de Alagoas cobra R$ 4 bilhões de indenização pela desvalorização de 22 mil imóveis nos bairros afetados.

A medida não é isolada. É mais um desdobramento de uma crise que se arrasta desde 2018, quando a mineração de sal-gema pela empresa provocou o afundamento do solo em cinco bairros da capital alagoana.

O colapso de 2018 e as consequências para Maceió

No ano de 2018, moradores começaram a relatar tremores e rachaduras nas estruturas dos imóveis. O Serviço Geológico do Brasil confirmou que os danos estavam ligados à extração de sal-gema em poços subterrâneos operados pela Braskem.

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A atividade provocou instabilidade geológica grave, levando ao colapso parcial do subsolo. 

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Bairros inteiros como Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol foram afetados, forçando a remoção de mais de 60 mil pessoas de suas casas.

A empresa suspendeu a extração na região e firmou acordos com autoridades locais e o Ministério Público para realizar o fechamento dos poços e indenizar os moradores afetados.

Ação contra a Braskem tem foco na desvalorização dos imóveis

A nova ação coletiva tem foco diferente dos processos anteriores. Em vez de tratar de indenizações individuais, ela mira o impacto econômico sobre o valor de mercado dos imóveis remanescentes, mesmo aqueles que não chegaram a desabar.

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De acordo com a ação, a Braskem teria causado uma “quebra sistêmica da confiança no mercado imobiliário local”, o que teria derrubado os preços dos imóveis em toda a região.

A petição estima que, ao longo dos últimos anos, cerca de R$ 4 bilhões em valor patrimonial tenham sido perdidos pelos proprietários.

Segundo o UOL, o documento destaca que Maceió teve uma das maiores valorizações imobiliárias do país nos últimos anos. 

No entanto, a queda de preço seria contraditória, relata a ação. O motivo seria a capital alagoana figurar, desde 2023, no topo do FipeZap (índice que mede a variação dos preços de imóveis residenciais e comerciais no Brasil). 

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Em nota à imprensa, a companhia afirmou que tomou conhecimento da ação pela mídia e que ainda não foi citada formalmente pela Justiça.

A empresa disse ainda que “tem atuado com responsabilidade e vem cumprindo todas as obrigações assumidas nos acordos firmados com as autoridades públicas e com a população atingida em Maceió”.

O que vem pela frente?

O caso coloca novamente em destaque um dos maiores passivos ambientais e jurídicos enfrentados por uma companhia brasileira nos últimos anos.

Além dos acordos já firmados, que envolvem bilhões de reais pagos a famílias e ao poder público, a Braskem continua sujeita a novos desdobramentos.

Neste cenário, essa nova frente judicial pode reacender dúvidas entre investidores quanto ao tamanho final da conta.

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Enquanto isso, as ações BRKM5 operam sob pressão, refletindo o receio do mercado com possíveis impactos financeiros adicionais. Nesta sexta-feira (11), por exemplo, os papéis fecharam em queda de 1,91%, cotados a R$ 9,76. No ano, a queda acumulada é de 15,7%. 

A novela do afundamento segue, e a Justiça — mais uma vez — será palco do próximo capítulo.

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