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A fabricante de aeronaves vem enfrentando problemas desde 2018, quando entregou o último lucro anual. Em 2025, Trump é a nova pedra no sapato da companhia.
Ser otimista é difícil mesmo em tempos de bonança, mas, quando o cenário é negativo, enxergar o copo meio cheio exige um esforço a mais. Os investidores da Boeing estão provando essa força de vontade nesta quarta-feira (23).
A companhia aérea anunciou prejuízos menores do que o esperado no primeiro trimestre de 2025 e, aproveitando o momento positivo dos mercados hoje, as ações sobem forte em Nova York.
Por volta das 12h50 (horário de Brasília), os papéis BA tinham alta de 6,08%, negociados a US$ 172,37.
Nos três primeiros meses do ano, a Boeing teve prejuízo líquido de US$ 37 milhões. O montante representa uma redução das perdas da ordem de 89,2% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando a empresa registrou US$ 355 milhões de prejuízo.
Com ajustes, a fabricante de aviões norte-americana apresentou um prejuízo por ação de US$ 0,49 no primeiro trimestre de 2025. Segundo analistas consultados pela FactSet, a expectativa era de que a Boeing apresentasse perdas de US$ 1,18 por ação.
Já a receita da companhia subiu 18% no trimestre, a US$ 19,5 bilhões. O resultado ficou um pouco acima das projeções do mercado, que indicavam uma receita de US$ 19,38 bilhões.
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Segundo a Boeing, o aumento na receita reflete as entregas de aeronaves comerciais, que somaram 130 no período — uma alta de 57% na comparação anual.
Não é de hoje que a Boeing vem enfrentando dificuldades. A empresa não registra lucro anual desde 2018, após um acidente com uma aeronave 737 Max que arranhou a imagem da companhia.
Em 2019, um outro acidente similar com o mesmo modelo levou à paralisação global da produção da aeronave por mais de um ano. Os dois acidentes envolvendo modelos da Boeing mataram um total de 346 pessoas.
Com uma crise financeira e de imagem, a fabricante de aeronaves voltou a ter dores de cabeça em 2024, quando enfrentou acusações de fraude e uma paralisação que durou quase dois meses.
Já neste ano, a empresa vai ter que lidar com outra pedra no sapato: a guerra comercial de Donald Trump.
Após o presidente dos EUA aplicar tarifas de 145% à China, o governo de Xi Jinping proibiu que as empresas do país recebam jatos da Boeing.
Além disso, orientou as transportadoras chinesas a suspender a compra de equipamentos e peças de aeronaves de companhias norte-americanas.
No último fim de semana, dois aviões de uma fábrica da Boeing na China foram devolvidos à empresa em Seattle, em vez de irem para os clientes asiáticos.
Nesta manhã, o CEO da Boeing, Kelly Ortberg, confirmou que parou de receber encomendas de aviões das companhias chinesas e ainda revelou que uma terceira aeronave deve retornar devido às tarifas impostas pelos EUA.
A guerra comercial de Trump atinge em cheio a Boeing, já que a empresa é a maior exportadora do país. Segundo Ortberg, cerca de 80% de seus jatos comerciais acabam nas mãos de companhias aéreas estrangeiras.
Além disso, ao contrário de outras multinacionais norte-americanas, a produção não é realizada em outros países. Assim, a companhia não conseguiria construir aviões em uma fábrica fora dos EUA para contornar as tarifas.
E não para por aí: embora a Boeing tenha a fabricação das aeronaves em solo norte-americano, 80% das peças presentes nos aviões da empresa possuem origem estrangeira, de acordo com um recente depoimento do CEO ao Congresso dos EUA.
As asas do 787 Dreamliner, por exemplo, têm origem japonesa. A aeronave é uma das mais caras da Boeing.
Kelly Ortberg assumiu como CEO em agosto do ano passado para ajudar na recuperação da fabricante de aviões. Após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2025, o executivo afirmou que a empresa “está indo na direção certa” com a melhora dos resultados operacionais.
"Seguimos executando nosso plano e permanecemos comprometidos em fazer as mudanças fundamentais necessárias para recuperar totalmente o desempenho da empresa enquanto navegamos no ambiente atual", afirmou o CEO.
Já em relação às tarifas, Ortberg disse que os resultados do início deste ano, somados à demanda por aviões e carteira de pedidos de meio trilhão de dólares, “dão a flexibilidade necessária para navegar neste ambiente”.
O executivo ressaltou os planos de atingir 38 unidades da aeronave 737 por mês em 2025, enquanto prevê que o 787 registre um aumento para sete unidades por mês este ano.
Já o modelo 777X iniciou os testes de voo de certificação da FAA expandidos no trimestre. A Boeing também prevê a primeira entrega da aeronave 777-9 em 2026.
Em relação aos produtos destinados a empresas chinesas, o CEO afirmou à CNBC que planejava entregar cerca de 50 aviões em 2025, mas avalia que deve conseguir encontrar outros compradores para esses jatos.
“Há muitos clientes por aí procurando pela aeronave Max”, disse.
*Com informações do Estadão Conteúdo e CNN
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A produção superou em 0,5 ponto porcentual o limite do guidance da estatal, que previa crescimento de até 4%. O volume representa alta de 11% em relação a 2024.
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