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POTENCIAL NO SETOR IMOBILIÁRIO

Cyrela (CYRE3) tem vendas aceleradas mesmo em momento de juros altos; veja por que ações podem subir até 35%, segundo o BB Investimentos

A incorporadora, cujas ações estão em alta no ano, mais que dobrou o volume de lançamentos, o que fez o BB Investimentos elevar o preço-alvo para os papéis

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15 de outubro de 2025
14:02 - atualizado às 12:40
Estande de vendas da Cyrela (CYRE3), empresa com ações listadas na B3 e que paga dividendos
Estande de vendas da Cyrela (CYRE3). - Imagem: Divulgação

A Cyrela surfa uma boa maré. O BB Investimentos elevou o preço-alvo para as ações da Cyrela (CYRE3) de R$ 31 para R$ 39, após a construtora divulgar sua prévia operacional do terceiro trimestre (3T25). O banco também manteve sua recomendação de compra (outperform), segundo relatório divulgado nesta terça-feira (14).

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O novo valor representa um potencial de valorização de aproximadamente 35% em relação ao fechamento do dia 14, de R$ 28,82.

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No acumulado deste ano, os papéis da companhia avançam 73%, superando o desempenho do Índice Imobiliário (IMOB), que sobe 53%, e do Ibovespa, que apresenta alta de 18% no mesmo período. Já no pregão da manhã desta quarta-feira (15), as ações registraram estabilidade, sendo negociadas em torno de R$ 28,75, segundo dados do Investing.com.

Desempenho das vendas da Cyrela

Em relatório, o analista Felipe Mesquita afirma que a Cyrela voltou a acelerar o ritmo de lançamentos e tem mantido bom desempenho de vendas no segmento de alto padrão.

A incorporadora mais que dobrou seu volume de empreendimentos lançados nos nove primeiros meses de 2025 em relação ao mesmo período de 2024, somando R$ 9,67 bilhões.

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Embora em ritmo mais contido, as vendas líquidas também cresceram, atingindo R$ 6,8 bilhões, alta de 19% na comparação anual.

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Segundo Mesquita, o desempenho dos resultados sinaliza que a gestão da companhia enxerga oportunidades mesmo em um ambiente de juros altos.

Cyrela deve se beneficiar com a nova política de crédito imobiliário

Na última sexta-feira (8), o governo federal anunciou uma nova política habitacional voltada à ampliação do crédito para a classe média. A principal medida do projeto prevê uma mudança na regra dos depósitos compulsórios da poupança: uma parte do valor depositado que, hoje, fica retida pelo Banco Central (BC) vai ser liberada para financiar moradias.

Atualmente, o Banco Central exige que os bancos mantenham 20% dos depósitos de poupança recolhidos como compulsórios. Isso restringe o volume de crédito disponível. 

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A nova proposta busca reduzir a quantia de dinheiro retido pelo BC. Com isso, 80% do montante liberado vai ser direcionado para o Sistema Financeiro da Habitação (SFH), e os 20% restantes serão aplicados no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI).

De acordo com Felipe Mesquita, esse novo modelo de crédito imobiliário deve beneficiar a construtora, já que terá como foco os projetos fora do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

“As novas condições, que dentre outros pontos elevam o valor teto de imóveis de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões para financiamentos em linhas do SFH, podem gerar demanda adicional por imóveis de médio e alto padrão oferecidos pela Cyrela”, afirma.

Vendas em ritmo acelerado

Mesquita ressalta ainda que, mesmo com unidades maiores e preço final acima do teto do SFH, a incorporadora mantém velocidade de vendas (VSO) de 50% nos últimos 12 meses — ritmo considerado forte.

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“Enxergamos a Cyrela em posição de destaque em seu setor de atuação, entregando números sólidos mesmo em um cenário de juros elevados e encontrando os produtos adequados para melhor absorção em suas praças de atuação”, escreveu.

O analista do BB também destaca que a alavancagem financeira segue controlada e elogia a redução do custo médio da dívida corporativa, que passou de uma faixa com valores entre 99,1% do CDI e CDI +0,62% e passou passou a variar entre 98,2% do CDI e CDI +0,52%.

Além disso, houve um leve alongamento do prazo médio para quitar as dívidas, que subiu de 3,3 para 3,5 anos.

Desafios à frente

Entre os principais riscos à tese de investimento, o BB cita um possível ritmo menor de vendas de estoque e a manutenção da Selic em patamares elevados por mais tempo, o que poderia limitar a demanda por financiamentos imobiliários.

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O relatório também aponta aumento de custos, despesas com distratos e contingências, além da concorrência mais acirrada em praças como São Paulo e Rio de Janeiro, que estão entre as mais disputadas do país tanto na oferta de novos empreendimentos quanto na competição por terrenos.

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