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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

FIM DA DISPUTA

Banco Mercantil (BMEB4) fecha acordo tributário histórico, anuncia aumento de capital e dividendos; ações tombam na B3

O banco fechou acordo com a União após mais de 20 anos de disputas tributárias; entenda o que isso significa para os acionistas

Camille Lima
Camille Lima
26 de dezembro de 2025
12:30 - atualizado às 12:22
Agência do Banco Mercantil.
Agência do Banco Mercantil. - Imagem: Reprodução

Após anos de incerteza jurídica, o Banco Mercantil (BMEB4) resolveu uma disputa histórica com a União ao fechar um acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para regularizar sua dívida tributária — colocando fim a um imbróglio que se arrastava desde os anos 2000. 

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Apesar do acordo, as ações do banco desabam nesta sexta-feira (26). Em dia de liquidez reduzida na bolsa, os papéis BMEB4 tombavam 9,55% por volta das 12h05, cotados a R$ 76,88. 

O negócio resolve uma controvérsia de anos, que envolvia a incidência de PIS e Cofins sobre a receita financeira dos bancos — uma discussão que gerou uma série de ações judiciais no setor. No caso do Mercantil, o imbróglio se estendeu por cerca de duas décadas.  

O valor total da dívida total era de quase R$ 2,6 bilhões, composto por R$ 700 milhões de principal e R$ 1,9 bilhão em juros e multas.  

Ao longo dos últimos anos, o banco chegou a obter decisões favoráveis que pareciam definitivas. Mas o cenário mudou em novembro de 2024, quando uma reversão no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) colocou em risco um processo de quase R$ 1 bilhão. 

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Foi então que a administração do banco começou a avaliar que insistir na disputa poderia prolongar a incerteza por mais tempo e atrapalhar a estratégia da instituição. 

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O acordo tributário do Banco Mercantil  

A saída encontrada foi um acordo tributário com a PGFN. Pelo acordo, o Mercantil conseguiu resolver cerca de 96% de todos os seus processos judiciais e administrativos com a União.

Após a negociação, o valor a ser pago caiu para cerca de R$ 1 bilhão, resultado de um desconto de R$ 1,5 bilhão — uma redução de 58,8% sobre o montante inicialmente em disputa.  

“Resolvemos uma questão de longo prazo e permitimos que o banco siga focado exclusivamente na execução da sua estratégia de negócios”, afirmou o diretor financeiro (CFO) do Banco Mercantil, Paulino Rodrigues, em teleconferência com investidores. 

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“Acreditamos que tomamos a melhor decisão para o valor do banco no longo prazo”, acrescentou. 

A transação também trouxe efeitos relevantes para as contas do Mercantil. Segundo o banco, o desconto obtido não é tributável. Além disso, as despesas reconhecidas — com exceção das multas — são dedutíveis, o que gera um crédito tributário de R$ 961 milhões

Na prática, isso reduz muito o impacto da operação no resultado. Segundo estimativas da gestão, o efeito líquido para o lucro do banco será de cerca de R$ 104 milhões

"É como se fosse um cashback", explicou Gregorio Franco, diretor executivo de controladoria do Mercantil.  

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Segundo Franco, o valor poderá ser utilizado para abater impostos ao longo dos próximos seis anos, respeitando o limite anual de compensação de 30%. 

A negociação com a PGFN durou cerca de um ano e, segundo o banco, precisava ser concluída ainda em 2025. “Era crucial fechar em 2025, por causa da regra de transição da norma 4.966 do Banco Central.  Se esperássemos até 2026, o crédito tributário seria muito maior, o que tornaria a operação inviável”, disse o diretor financeiro. 

O reforço do caixa: Mercantil fará aumento de capital 

Para garantir que essa movimentação não prejudicasse o crescimento, o Banco Mercantil anunciou um aumento de capital entre R$ 300 milhões e R$ 500 milhões.  

A operação será feita via subscrição privada, com um preço de R$ 7,70 por ação — um desconto de 30% em relação à média do último ano, desenhado para incentivar a adesão de todos os acionistas. 

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Segundo o banco, o deságio busca incentivar a participação dos acionistas e garantir que a operação não comprometa a trajetória de crescimento da instituição. 

Caso o aumento seja realizado no teto aprovado, o capital social do Mercantil passará a R$ 953,1 milhões, dividido em aproximadamente 123,8 milhões de ações.  

Os acionistas atuais terão direito de preferência até 30 de dezembro. Após essa data, os papéis passam a ser negociados ex-direito. 

Segundo a administração, a diluição máxima dos atuais acionistas será de 15,31%. Os controladores se comprometeram a ancorar o aumento de capital, exercendo seus direitos de preferência e, se necessário, adquirindo sobras. 

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Além disso, os acionistas controladores e os membros da administração se comprometeram com uma cláusula de lock-up , em que não poderão vender as ações pelo prazo de 180 dias. 

“O acordo com a PGFN e o aumento de capital possibilitam fazer a transação com impactos mínimos nos índices de capitalização do banco e mantêm inalterados os nossos planos de crescimento”, afirmou o CFO do banco. 

Dividendos na conta 

Em paralelo ao aumento de capital, o Mercantil anunciou a distribuição de R$ 180 milhões em dividendos intermediários.  

Os dividendos equivalem a R$ 1,660274 por ação ordinária (BMEB3) e R$ 1,826303 por ação preferencial (BMEB4). 

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Segundo a administração, a medida funciona como um fôlego financeiro para os acionistas que decidirem exercer o direito de preferência na operação, equivalente a cerca de 36% do aumento de capital total. 

Terão direito aos dividendos os acionistas com posição ao fim do pregão de 30 de dezembro. A partir de 2 de janeiro de 2026, as ações passam a ser negociadas ex-proventos, com ajuste na cotação referente aos dividendos já alocados.  

Isso significa que o investidor pode optar por comprar a ação agora e ter direito aos dividendos ou esperar a data de corte e adquirir os papéis por um valor menor, mas sem o direito à remuneração. 

Já o pagamento dos dividendos será realizado em 14 de janeiro de 2026. 

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