Banco Master: Reunião do Banco Central indica soluções para a compra pelo BRB — propostas envolvem o BTG
Apesar do Banco Central ter afirmado que a reunião tratou de "temas atuais", fontes afirmam que o encontro foi realizado para discutir soluções para o Banco Master

A compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), em um negócio avaliado em R$ 2 bilhões, vem causando barulho no mercado financeiro nacional. Neste fim de semana, a operação ganhou um novo capítulo: o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, realizou uma reunião extraordinária com banqueiros das principais instituições financeiras do país para discutir a operação.
Apesar do BC ter afirmado a jornalistas que a reunião tratou de assuntos como a "estabilidade do sistema financeiro" e "temas atuais", fontes afirmam que o encontro foi realizado para discutir soluções para o Banco Master.
Os banqueiros teriam chegado a três propostas possíveis, que envolvem o BTG Pactual e uso de uma linha emergencial do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
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Solução para o Banco Master: as propostas no detalhe
A primeira proposta já é conhecida no mercado: o BRB compraria 49% das ações ordinárias, aquelas com direito a voto, e 100% das preferenciais do Banco Master — o que dará ao banco estatal do Distrito Federal 60% do capital total.
Vale lembrar que a operação seria uma das maiores aquisições de bancos dos últimos tempos no Brasil. Porém foram discutidas outras duas alternativas.
De acordo com apuração do Estadão Conteúdo, uma das hipóteses discutidas durante a reunião do Banco Central foi que o BTG assuma uma segunda fatia do Master, que não seria adquirida pelo BRB.
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O veículo afirma que o BTG estaria de olho nos ativos do banco em precatórios, dívidas da União, Estados e municípios que precisam ser pagas por determinação judicial. O banco, que atua no segmento de crédito de difícil recuperação, está interessado especialmente nos direitos creditórios de uma ação dos anos 1980.
Entre os direitos creditórios (uma espécie de pré-precatório) que estão na carteira do Master, há o resultado de uma ação já julgada no TRF-1 e que aguarda apenas a ordem de pagamento. O caso envolve indenizações de afetados por decisão do governo ao Instituto do Açúcar e do Álcool, de pagamento aproximado em R$ 14 bilhões pela União.
Não se sabe quanto o Master teria a receber individualmente nessa causa, mas tanto o banco quanto o BTG têm expectativa de recebimento no curto prazo.
A previsão de agentes do mercado era a de que a ordem de pagamento ocorresse no fim de 2024, mas acabou interrompida por uma questão política: o impasse na escolha do indicado do TRF-1 para uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Ainda de acordo com o Estadão Conteúdo, a terceira hipótese apresentada por André Esteves, principal acionista da instituição, é de que o BTG avance sozinho sobre os ativos do Master, incorporando — além da carteira de precatórios — a operação de crédito consignado no Credcesta (linha para servidores públicos).
Neste caso, o FGC entraria com a oferta de uma linha de crédito para prover liquidez para honrar os compromissos do Master.
Vale lembrar que na sexta-feira o BTG encaminhou comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informando que nunca fez due diligence nos ativos do Banco Master nem proposta para aquisição dos ativou ou participação na instituição.
O FGC na operação
O balanço do Banco Master, divulgado na última semana, mostra que a instituição tem R$ 16 bilhões em CDBs vencendo neste ano, dos quais R$ 7,6 bilhões ainda no primeiro semestre.
Os ativos do banco, por sua vez, estão concentrados em precatórios e em fundos de investimentos multimercados e de direitos creditórios, que não têm liquidez rápida e estão cercados de dúvidas sobre como foram quantificados pelo Master.
Segundo o Estadão Conteúdo, para que a hipótese saia do papel e o BTG entre no negócio com apoio do FGC seria preciso que os grandes bancos dessem aval, uma vez que são os principais contribuidores do fundo. O FGC é mantido com 0,01% dos depósitos bancários.
Além disso, seria necessário um apoio das instituições financeiras, porque um cenário extremo de liquidação poderia ocasionar perdas tanto para o fundo — que seria levado a indenizar investidores que compraram CDBs do Master — quanto para o sistema bancário.
Isso porque poderia provocar uma aversão de investidores a papéis de bancos menores, asfixiando o financiamento dos bancos médios.
Já no cenário em que o BRB entra sozinho na operação, ficam para trás R$ 23 bilhões em ativos que não interessaram ao banco estatal na análise do Master.
O restante ficaria com o Master, que buscaria liquidez através do ganho com a atuação conjunta com o Banco de Brasília. Este cenário afastaria acionar imediatamente o FGC, uma vez que o BRB afirma ter condições de prover fôlego à atuação do Banco Master que comprou.
Essa saída está sendo tratada como uma chance de não envolver o FGC, pelo menos no curto prazo, o que poderia adiar o problema em um ano.
Segundo fontes, os controladores de Itaú, Bradesco e Santander fizeram chegar ao governo federal a mensagem de que aceitam a solução por meio do BRB.
Porém, de acordo com o Estadão Conteúdo, André Esteves estaria tentando articular uma alternativa, com o argumento de que é preciso conter o avanço de um banco estatal sobre o mercado bancário privado - vale lembrar que o BRB é controlado pelo governo do Distrito Federal.
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Só há uma saída: BC, bancos e FGC avaliam cisão do Banco Master como necessária
Com a situação do Banco Master ainda indefinida, o único consenso é que o Master precisará passar por uma cisão.
Isso porque o banco cresceu fortemente nos últimos anos, através de captações junto a investidores de varejo com rendimentos de 140% do CDI, em média.
Em geral, os bancos captam com investidores para conceder crédito. No entanto, o Master investiu em empresas em dificuldades e comprou precatórios, ativos que são menos líquidos do que o crédito que os bancos costumam conceder. Com isso, há um descasamento de liquidez que entrou no radar do setor, e agora, também do Banco Central.
Segundo o Estadão Conteúdo, fontes do setor afirmam que a compra pelo BRB não resolveria sozinha o problema do Master — e o banco do Distrito Federal já vem pagando o preço pela oferta.
Depois de a Moody’s e S&P Global levantarem dúvidas sobre a operação, outra agência de classificação de risco também questionar o negócio: a Fitch Ratings colocou em observação os ratings do Banco de Brasília e do Master na última sexta-feira (4).
Isso significa que os ratings dos bancos têm chances de ser rebaixados pela agência. Atualmente, a instituição financeira do Distrito Federal tem rating "B-" de emissor de longo prazo em moeda estrangeira e local. Já na nota nacional, o banco tem rating 'BBB+(bra)'.
Em relação ao Master, a Fitch classifica o banco com ratings B+ de emissor de longo prazo em moedas estrangeira e local, enquanto a nota nacional é A-(bra).
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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