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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

NÃO REAGIU BEM

Ações da Petrobras (PETR4) caem mais de 7% e pesam no Ibovespa. Por que o mercado torce o nariz para a estatal?

Junto com a divulgação dos resultados e dividendos, a petroleira também anunciou a entrada no segmento de distribuição; entenda se essa é uma fonte de preocupação para as finanças da companhia

Carolina Gama
8 de agosto de 2025
11:20 - atualizado às 21:54
Logo da Petrobras diante de gráfico de ações. PETR4 Ibovespa Bolsa
Petrobras - Imagem: Montagem Canva Pro

A Petrobras (PETR4) reverteu o prejuízo em lucro de R$ 26,6 bilhões no segundo trimestre de 2025, um resultado que veio acima das previsões do mercado, mas não o suficiente para agradar os investidores. As ações da estatal recuaram mais de 7% nesta sexta-feira (8) e pesaram negativamente no desempenho do Ibovespa

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A explicação para o desempenho está nas linhas do balanço referentes à receita e ao Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que recuaram na comparação anual. 

A receita com vendas da Petrobras somou R$ 119,128 bilhões no segundo trimestre, resultado 2,6% menor do que o obtido em igual intervalo de 2024. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, houve queda de 3,3%. 

O Ebitda ajustado, por sua vez, aumentou 5,1% ano a ano, para R$ 53,257 bilhões, mas caiu 14,5% em base trimestral. Você pode conferir o resultado em detalhes aqui.

As ações preferenciais PETR4 recuaram 7,95%, cotadas a R$ 32,78, enquanto as ordinárias PETR3 tinham queda de 7,89%, a R$ 32,80. O Ibovespa baixou 0,45%, aos 135.913,25 pontos. 

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Petróleo: o vilão da Petrobras no 2T25

Os preços mais baixos do petróleo pesaram sobre o balanço da Petrobras no segundo trimestre, segundo o Citi. 

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A própria Petrobras informou junto com os resultados que o preço médio do Brent — usado como referência no mercado internacional — foi de US$ 67,82 o barril entre abril e junho, queda de 20,2% ante ao mesmo período do ano anterior.

Segundo o Citi, os valores mais baixos da commodity levaram a receitas menores, o que também afetou o Ebitda ajustado, enquanto a maior produção compensou parcialmente a queda do preço do petróleo. 

O banco destaca ainda o acordo do Campo de Jubarte, um dos diluidores de custos, por sua grande produção.

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Para Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, mesmo em um trimestre marcado pela forte queda do petróleo e receios com tarifas, a Petrobras conseguiu entregar resultados sólidos. 

“O capex [investimentos] ficou em US$ 4,4 bilhões, um pouco acima do primeiro trimestre, mas ainda bem abaixo dos US$ 5,7 bilhões que assustaram o mercado no final de 2024, reforçando que aquele foi um número fora da curva”, afirmou. 

A XP diz que os resultados do segundo trimestre da Petrobras vieram em linha com o esperado, mas aponta que a geração de caixa e os dividendos ficaram abaixo das expectativas. O lucro líquido também veio conforme o projetado. 

Os analistas Regis Cardoso e João Rodrigues chamam atenção para o aumento de produção ter ajudado a reduzir o lifting cost em 7% no trimestre, e a maior produtividade dos FPSOs ter impulsionado a extração do pré-sal.

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Para a XP, essa tendência deve continuar nos próximos trimestres, pois a produção segue em alta.

ONDE INVESTIR EM AGOSTO: Ações, Fundos Imobiliários (FIIs), criptomoedas e pagadoras de dividendos

Dividendos desagradam, o que fazer com as ações?

A XP esperava que a Petrobras anunciasse dividendos de US$ 2,2 bilhões referentes ao segundo trimestre de 2025, acima do US$ 1,6 bilhão entregue.

Os analistas Regis Cardoso e João Rodrigues entendem que essa diferença se deveu a um fluxo de caixa operacional (CFO) mais fraco do que o estimado e a um capex de US$ 4,4 bilhões, superior aos US$ 3,9 bilhões previstos.

"A diferença no CFO não é facilmente explicada pelo capital de giro, já que os principais culpados parecem ter sido itens como depósitos judiciais, abandono, impostos sobre vendas e 'outros'. A conversão do Ebitda em CFO será um tema a ser observado nos resultados futuros", afirmou a dupla.

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O UBS BB reiterou a recomendação de compra para as ações da Petrobras, mesmo diante de distribuição de dividendos abaixo das expectativas. O preço-alvo é de R$ 46 por ação para os papéis negociados na B3 e US$ 15,80 por ADR, apoiado por uma perspectiva positiva impulsionada pelo crescimento sólido da produção.

Segundo o banco, a Petrobras apresentou Ebitda em linha com as previsões do mercado, mas o investimento acima do esperado resultou em uma redução de 21% a 22% nos dividendos totais, levando a um rendimento de 2%, inferior ao consenso de 2,5%. 

Apesar disso, Matheus Enfeldt, Tasso Vasconcellos e Victor Modanese continuam otimistas em relação ao potencial de rendimento de dividendos acima de 10% este ano e de estabilidade ou crescimento até 2026.

Hungria, da Empiricus, diz que a ação da Petrobras segue barata. “Por apenas 4x lucros e um dividend yield esperado acima de 10%, as ações seguem com recomendação de compra em várias séries da Empiricus Research”, disse. 

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O Safra também manteve a recomendação de compra para os papéis da Petrobras, com preços-alvo de R$ 43 tanto para a ação ordinária quanto para a preferencial, o que representa um potencial de valorização de 20% e 32%, respectivamente.

A volta da Petrobras para a distribuição

Além dos resultados do segundo trimestre, o conselho de administração da Petrobras aprovou, em reunião realizada ontem, no âmbito dos elementos do plano estratégico, a inclusão do posicionamento da estatal em distribuição nos segmentos de refino, transporte e comercialização (RTC), gás e energia (G&E) e baixo carbono.

Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Petrobras detalhou que esse posicionamento prevê a atuação em negócios rentáveis e parcerias nas atividades de distribuição, respeitando as disposições contratuais vigentes.

Entre os direcionadores estratégicos estão a expansão na distribuição de gás (GLP), a integração com outros negócios no Brasil e no exterior e a oferta de soluções de baixo carbono aos clientes.

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Para a XP, devido às análises contratuais exigidas pela cláusula de não concorrência da estatal com a Vibra Energia, a implementação dessa estratégia só deve ocorrer a partir de 2026.

Já o Safra chama atenção para o fato de que que a inclusão da distribuição de combustíveis no próximo plano estratégico pode gerar preocupações sobre potenciais interferências nos preços, mas o banco não espera alterações significativas antes de 2029.

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