A xerife está de olho: CVM abre processo para investigar proposta supostamente falsa de aquisição da PDG Realty (PDGR3)
A PDG divulgou um fato relevante na noite de 19 de fevereiro comunicando que recebeu uma proposta não vinculante da SHKP

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu um processo administrativo para investigar o caso em que a PDG Realty (PDGR3) comunicou ter recebido da Sun Hung Kai Properties (SHKP) uma oferta de aquisição, mas que acabou desmentida pela companhia de Hong Kong por meio de nota à imprensa, de acordo com o Broadcast, do Grupo Estado.
Em processos administrativos dessa natureza, a CVM analisa informações divulgadas pela mídia ou pela companhia, como fatos relevantes ou comunicados ao mercado.
Se a área técnica entender que há indício de irregularidade, é aberto um processo administrativo sancionador (acusação, de fato) para a intimação e/ou apresentação de defesa e julgamento.
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SHKP nega oferta; PDG diz que investiga origem da proposta
A PDG Realty, que já foi a maior do país e encolheu após atravessar uma recuperação judicial, divulgou um fato relevante na noite de 19 de fevereiro comunicando que recebeu uma proposta não vinculante da SHKP, empresa imobiliária de Hong Kong, para aquisição da companhia pelo valor de US$ 29,6 milhões, algo perto de R$ 171,6 milhões.
Nesta sexta-feira (21), a PDG informou divulgou um comunicado ao mercado, esclarecendo que segue investigando a origem da proposta.
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Mais cedo, o site Monitor do Mercado publicou uma reportagem alegando que a proposta anunciada pela PDG na última quarta é falsa. Segundo a matéria, a SHKP negou, em nota à reportagem, ter enviado qualquer proposta de aquisição à incorporadora brasileira.
Questionada sobre o tema pelo Broadcast, a SHKP também negou que tenha feito uma proposta de aquisição da PDG, ao contrário do que a própria empresa brasileira havia reportado.
Ao mercado, a empresa esclareceu que teve contatos apenas "preliminares" com o emissor da correspondência, ou seja, não confirmou sua autenticidade.
“Nesta manhã, a companhia tomou conhecimento de notícia informando comunicação emitida pela Sun Hung Kai Properties Limited a veículo da mídia, negando o envio de qualquer proposta à Companhia”, diz o documento, referindo-se à matéria do Monitor do Mercado.
A PDG teve um pico de negociações na bolsa — antes e depois da divulgação do proposta falsa de aquisição, ocorrida na noite de 19 de fevereiro — o que agora levanta dúvidas sobre uma possível manipulação de mercado.
Na média dos últimos 90 dias, as negociações de ações da PDG na bolsa giraram, na média, em R$ 50,3 mil. Nas vésperas do fato relevante, essa negociação saltou para R$ 2,2 milhões no dia 17, R$ 1,07 milhão no dia 18 e R$ 688,5 mil no dia 19. O pico foi de 9,14 milhões dia 20, na sequência do fato relevante.
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O que está acontecendo com a incorporadora?
A empresa brasileira tem oito canteiros paralisados dos tempos da recuperação judicial, encerrada em 2021. De lá para cá, ela luta para retomar lançamentos, o que é difícil pela falta de crédito na praça e pela desconfiança de consumidores com a marca.
Nos últimos anos, fez apenas dois lançamentos. Em 2024, apurou vendas líquidas de R$ 116 milhões e prejuízo de R$ 410 milhões (dados até setembro).
Desde o início, o anúncio de proposta da SHKP foi visto pelo mercado como incomum. Primeiro porque a compra de incorporadoras é algo raro no Brasil.
A maioria dos empresários entende que faz mais sentido adquirir os terrenos por conta própria e montar uma boa equipe de projetos em vez de se unir a outra empresa que pode carregar passivos de obras e vendas mal realizadas no passado.
O segundo ponto é que o mercado imobiliário exige muito conhecimento local, passando pelas regras de licenciamento que variam a cada prefeitura, até a definição de qual é o melhor empreendimento para cada localização e público. Essa foi uma das maiores lições do passado.
A SHPK é uma gigante no exterior. Para se ter uma ideia de grandeza, as vendas contratadas de imóveis da SHPK foram equivalentes a R$ 27,5 bilhões no ano fiscal de 2023 — 2024, conforme mostra seu balanço. Isso dá mais que "duas" Cyrelas, maior do ramo no Brasil, cujas vendas totais no último ano foram de R$ 12,6 bilhões.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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