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FORA DA CURVA

Na próxima reunião, o Copom corta: gestora projeta Selic em 14,5% ao fim deste ano e espera queda brusca em 2026

Gestora avalia que números da economia sustentam um primeiro corte e que política restritiva pode diminuir aos poucos e ainda levar inflação à meta

Tatiana Pinheiro, economista-chefe da Galapagos - Imagem: Galapagos/ Divulgação

Não será nesta quarta-feira (5) que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central iniciará os cortes na taxa básica de juros (Selic) do Brasil. A expectativa em relação à manutenção da Selic em 15% ao ano nesta reunião de novembro é unânime no mercado financeiro. Mas não é possível dizer o mesmo sobre o próximo — e último — encontro do ano, em dezembro.  

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A maior parte dos analistas, gestores e economistas esperam que o Copom faça o primeiro corte na Selic apenas em 2026: em janeiro ou março. Entretanto, há divergentes. A Galapagos Capital projeta um primeiro ajuste já no próximo mês, de 50 pontos-base. 

Para a gestora, a Selic fecha em 14,5% ao ano em 2025.  

“Nem gestores, nem economistas têm essa projeção de corte em dezembro. Nesse sentido, a probabilidade é baixa. Mas olhando para os dados e os fundamentos, há espaço para corte neste ano”, diz Tatiana Pinheiro, economista-chefe da Galapagos.  

E as projeções da casa vão além. Enquanto a maior parte do mercado projeta que a Selic fechará 2026 por volta de 12%, a Galapagos crava um nível de 10,5% ao ano.  

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Essa queda de 450 pontos-base esperada por Pinheiro não deve vir a conta-gotas. Para a economista, o BC deve fazer cortes bruscos, concentrados entre o primeiro semestre e o começo do segundo, antes do período eleitoral.  

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O Copom terá cinco reuniões entre janeiro e agosto de 2026, um calendário apertado para atender às projeções da casa.  

Dados que sustentam Selic menor  

Pinheiro afirma que os números da economia sustentam o início do corte de juros ainda neste ano.  

A economista e o time da Galapagos olham principalmente para a inflação — corrente e futura — e a atividade econômica.  

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Inflação (IPCA) 

Os preços de produtos e bens têm apresentado uma trajetória de desinflação positiva, na análise da Galapagos. Serviços estão mais pressionados, porém, o índice de preços de referência (IPCA) caminha para fechar o ano abaixo de 5%.  

Até setembro, o IPCA de 12 meses estava em 5,17%. Em outubro, a prévia da inflação oficial (IPCA-15) mostrou um recuo, indicando que o índice geral de outubro pode recuar também.   

A projeção do Boletim Focus — relatório do BC que apresenta a mediana de projeções dos economistas de mercado — para o IPCA de 2025 caiu para 4,55% na última segunda-feira (3). Há um mês, era 4,80%. No ápice de 2025 foi de 5,70%.  

Isso mostra que as estimativas para este ano melhoraram. Tão importante quanto, as expectativas futuras também apontam para inflações menores. Segundo o Focus, economistas esperam uma convergência para 4,20% ao fim de 2026 e para 3,80% ao fim de 2027.  

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A meta de inflação que o BC deve cumprir é de 3% ao ano, com limite de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — isso significa um topo de 4,5% para o IPCA de 12 meses.  

“Vemos um processo de desinflação forte. Hoje, existe uma possibilidade grande de a inflação convergir para o topo da meta, de 4,5% ao fim de 2025. Se o IPCA de outubro vier comportado e o de novembro caminhar no mesmo sentido, é um cenário muito favorável para corte em dezembro”, diz Pinheiro.

Atividade econômica (PIB) 

Enquanto a inflação cede de um lado, a atividade econômica cede do outro.  

Dados de produção industrial e do comércio varejista sinalizam que a economia está perdendo força. Com base em indicadores recentes, o Itaú estima um crescimento de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, comparado a 0,4% no segundo trimestre e 1,3% no primeiro trimestre. 

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O IBC-Br (prévia do PIB pelo BC) vinha apresentando dados negativos desde maio, mas surpreendeu para cima em agosto. Para Pinheiro, essa variação positiva de agosto foi um respiro frente a uma tendência acentuada de queda. A expectativa é que os dados de setembro e novembro venham fracos de novo, evidenciando a desaceleração em curso.   

“Vivemos com uma política monetária muito restritiva. Uma hora a atividade vai responder a esse cenário. Já são dez meses com o juro real rodando na faixa de 9%”, diz a economista-chefe da Galapagos.  

Juro real é a diferença entre a taxa de juros nominal (Selic) e a inflação (IPCA). Trata-se de um indicador importante por ser referência para o nível de juro que aquece ou esfria a economia. Segundo o BC, 5% de juro real é “neutro” — não aquece e nem esfria.  

Já o patamar atual de 9% é visto como muito apertado. “É uma taxa muito alta, que impõe muitas restrições ao desenvolvimento do país”, diz Pinheiro.  

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Recalibragem pelo Copom  

A tese de Pinheiro e da Galapagos para o primeiro corte da Selic em dezembro é o rebalanceamento desse juro real.  

Considerando a Selic atual de 15% ao ano e o IPCA um pouco acima de 5%, temos o juro real de 9% mencionado pela economista-chefe. Entretanto, se a inflação de fato ceder para um nível próximo de 4,5%, esse juro real aumenta. E um juro real maior significa mais pressão restritiva para a economia.  

“Entendemos que o juro precisa ser restritivo para a inflação convergir para os 3%, que é a meta. Mas não precisa ser mais restritivo. Os 9% atuais são suficientes”, diz Pinheiro.  

A economista afirma que o corte de 50 pontos-base em dezembro é uma calibragem na taxa de juro para que o juro real permaneça no mesmo patamar.  

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Já os cortes em 2026 seriam, de fato, para diminuir o nível de restrição — não acabar completamente.  

“Estamos falando de 10,5% de Selic ao ano. Ainda é um juro em dois dígitos. Se a inflação estiver na faixa dos 3%, o juro real ainda será maior do que 5%. Isso significa que 2026 ainda fecha com aperto monetário”, diz Pinheiro.

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