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APOSTA NA QUEDA

Essa combinação de dados garante um corte da Selic em dezembro e uma taxa de 11,25% em 2026, diz David Beker, do BofA

A combinação entre desaceleração da atividade e arrefecimento da inflação cria o ambiente necessário para o início do ciclo de afrouxamento monetário ainda este ano.

gabriel galipolo banco central bc presidente
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central - Imagem: Agência Brasil/Lula Marques | Montagem: Maria Eduarda Nogueira

O cenário macroeconômico brasileiro deve se desenhar de forma que um corte da Selic será apropriado na reunião de dezembro do Comitê de Política Monetária (Copom), afirma o chefe de economia para Brasil e de estratégia para América Latina do Bank of America (BofA), David Beker.

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Segundo ele, a combinação entre desaceleração da atividade e arrefecimento da inflação cria o ambiente necessário para o início do ciclo de afrouxamento monetário ainda este ano.

“A nossa perspectiva é de que o cenário de desaceleração econômica irá se consolidar até o fim do ano, ao mesmo passo que o cenário para inflação se tornará mais favorável”, afirmou Beker em entrevista ao Money Times.

Ele destaca que o recuo na inflação de serviços — considerado um dos componentes mais resistentes — no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro é “um excelente sinal”. No agregado especial de serviços, o IPCA desacelerou de 0,39% em agosto para 0,13% no mês.

Do lado da atividade, a prévia do Produto Interno Bruto (PIB), o IBC-Br, mostra enfraquecimento em relação aos níveis observados no início de 2025, e indicadores de alta frequência também apontam nessa direção.

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Para o BofA, o ciclo de cortes deve seguir de forma gradual ao longo de 2026, com reduções de 0,50 ponto percentual na maior parte das reuniões do Copom. A projeção do banco é de uma Selic terminal em 11,25%.

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“Para chegar a 11,25% ao final de 2026, prevemos cortes de 0,50 ponto em todas as reuniões de 2026, com exceção das reuniões de agosto e setembro. Nós prevemos um corte de 0,25 ponto em agosto e manutenção em setembro, devido à maior volatilidade do mercado com a aproximação das eleições”, disse.

Beker lembra ainda que, mesmo que o Banco Central (BC) inicie o afrouxamento em dezembro, os juros permanecerão acima da neutralidade por “bastante tempo”.

Inflação sob controle e fiscal no radar

Mesmo com a inflação projetada acima da meta no próximo ano, o economista do BofA não vê esse fator como um obstáculo relevante para o início dos cortes da Selic.

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“Para o ano que vem, temos a inflação fechando o ano em 4%. Esse valor já está dentro do intervalo de tolerância, e o horizonte relevante para a política monetária é de 12 a 24 meses, centrado em 18 meses”, disse.

Beker ressalta ainda que, diante de uma taxa de juros em um patamar “bem elevado” em comparação a níveis históricos, o maior risco seria adiar o início do ciclo de flexibilização. “O risco de não começar a cortar em dezembro é um efeito adverso sobre atividade econômica e sobre o mercado de crédito.”

O economista reconhece, porém, que as incertezas fiscais e o aumento dos gastos em um ano eleitoral podem influenciar o ritmo de cortes. “O cenário fiscal acaba sempre afetando bastante o cenário macroeconômico como um todo, dada a relevância do tema no contexto doméstico”, afirmou.

Na avaliação do BofA, há espaço para redução dos juros mesmo com o aumento de despesas previsto para 2026, desde que as expectativas fiscais não se deteriorem de forma significativa.

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“Se uma deterioração das expectativas fiscais for tão forte a ponto de contaminar de forma expressiva o câmbio, e, por conseguinte, as expectativas de inflação, o Banco Central pode ter que cortar menos do que prevemos para manter as expectativas de inflação e o câmbio em níveis mais favoráveis para o controle da inflação.”

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