Rodolfo Amstalden: Temporada de balanços local do 1T25 deu para o gasto, e para o ganho
Estamos chegando ao fim da temporada de resultados do 1T25 no Brasil. Em linhas gerais, não dá para reclamar. Ao contrário, aliás, temos motivos concretos para celebrar o agregado estatístico

Art of the deal tomou conta de quase tudo, mas o jardim do nosso quintal ainda chama atenção dos observadores mais atentos (ou teimosos).
Estamos chegando ao fim da temporada de resultados do 1T25 no Brasil.
Em linhas gerais, não dá para reclamar. Ao contrário, aliás, temos motivos concretos para celebrar o agregado estatístico.
Segundo nossos colegas de Research do BTG, já podemos classificar algo ao norte de 30% da amostra do trimestre como acima do esperado.
É um percentual bastante alto para um contexto econômico distante de tons idílicos, o que sugere um ceticismo exagerado antes do início da temporada de balanços.
(nota mental: não confundir macro com micro, e constatar que existe um Pareto de empresas listadas que são, por definição, sobreviventes e vencedoras em longo prazo).
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Os balanços e as expectativas
De forma coerente e complementar, os números abaixo do esperado também decaíram substancialmente, ficando ao sul de 20%.
Ou seja, estamos falando de um subconjunto de surpresas positivas pelo menos +50% maior que o de surpresas negativas.
Ironicamente, a própria visão consolidada dos resultados trimestrais sempre acaba também surpreendendo.
Isso acontece pois as heurísticas que utilizamos para evoluir como espécie nos obrigam a valorar mais os casos gritantes e individuais do que as médias e medianas. Situações específicas e extremas lideram a condução da história.
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Quer ver só?
Você vai se lembrar de RADL3 (-14,8%) e MRVE3 (-11,2%) derretendo com a divulgação de seus balanços e ficará tentado a concluir que se tratou de uma temporada trágica.
Ou vai resgatar do baú as icônicas reações às cifras de AZZA3 (+22,0%) e BBDC4 (+15,6%) e decretar a redenção das massas.
Porém, no fim das contas, nem tanto ao inferno, nem tanto ao céu.
Quando variações de dois dígitos como essas se manifestam, isso geralmente tem menos a ver com um resultado trimestral em si, e mais a ver com uma reprecificação estrutural de determinado ativo aos olhos do mercado.
Como corolário natural, esses movimentos radicais - para cima ou para baixo - não são nada fáceis de capturar, embora tenhamos conseguido alguns sucessos memoráveis neste 1T25, por meio das recomendações táticas do Flash Trader.
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