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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

DEPOIS DA TEMPESTADE

O tempo virou para o Bradesco — e agora é para melhor: Mais um banco eleva a recomendação para as ações. É hora de comprar BBDC4?

Lucro maior, ROE em alta e melhora na divisão de seguros embasam a recomendação de compra

Camille Lima
Camille Lima
3 de junho de 2025
12:14 - atualizado às 9:55
Caixas eletrônicos do Bradesco BBDC4
Caixas eletrônicos do Bradesco - Imagem: Divulgação/Bradesco

Em meio a uma onda de revisões positivas, o Bradesco (BBDC4) acaba de ganhar um voto de confiança de peso. O Itaú BBA elevou a recomendação para as ações do banco de neutro para “outperform” — ou seja, equivalente à compra.

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Além da nova recomendação, os analistas ajustaram o preço-alvo das ações para R$ 20 até o fim de 2025, o que representa um potencial de valorização de 23% em relação ao último fechamento.

Os papéis do bancão já acumulam uma alta de cerca de 50% no ano, bem acima dos 13% do Ibovespa no mesmo período.

“Embora tenhamos perdido o rali inicial pós-resultados, ainda vemos um crescimento atraente e valuations atrativos, com as ações negociadas a 0,9 vezes o valor patrimonial (P/VPA) e 6,1 vezes o lucro estimado para 2026”, disse o Itaú BBA.

Os analistas inclusive elegeram a ação BBDC4 como uma das principais escolhas no mercado financeiro brasileiro.

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“Da perspectiva bancária da América Latina, o nome se destaca muito em termos de crescimento de lucros e avaliações”, avaliou o banco de investimentos.

Leia Também

Por trás da visão otimista para o Bradesco (BBDC4)

A reviravolta na visão dos analistas vem da leitura de que o Bradesco (BBDC4) atravessa um momento mais equilibrado — com melhora simultânea nos resultados da operação bancária e da área de seguros.

“Agora, tanto as operações do banco quanto as de seguros estão melhorando simultaneamente. O crescimento do lucro provavelmente acelerará no final de 2025 e 2026”, projetaram os analistas. 

Do lado do crédito, o Bradesco tem sido mais cauteloso com precificação, funding e gestão de risco. Ao mesmo tempo, o banco avança no controle das despesas operacionais — e os analistas preveem uma aceleração da eficiência ao longo do ano que vem. 

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“Isso deve ajudar o banco a navegar pela deterioração gradual do crédito que ainda é esperada. Enquanto a rentabilidade (ROE) bancária melhora de níveis abaixo de 10%, a de seguros deve se aproximar de 25%.” 

Na avaliação do Itaú BBA, a perspectiva mais forte de rentabilidade (ROE) ajuda a compensar as preocupações com capital para crescimento — e sustenta a elevação do rating para as ações BBDC4.

Projeções atualizadas

Após o balanço forte do primeiro trimestre, os analistas revisaram as projeções para os resultados do Bradesco. 

A estimativa de lucro para 2025 subiu 15%, chegando a R$ 24,8 bilhões. Já a expectativa para o ROE neste ano foi ajustada para 15%.

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Os analistas projetam uma rentabilidade consolidada de 15% a 16% no segundo semestre de 2025.

“Essencialmente, a trajetória de curto prazo de 12% em 2024 para um ROE de longo prazo de 16% a 17% será mais íngreme do que o esperado. As operações de seguros do Bradesco têm sustentado o banco enquanto seu ROE era escasso”, destacaram os analistas. 

Na visão do BBA, essa trajetória mais robusta de rentabilidade ajuda a compensar as dúvidas sobre o capital necessário para sustentar o crescimento — e embasa a recomendação de compra para BBDC4.

A força da Bradesco Saúde

Um ponto estrutural da tese otimista do Itaú BBA com as ações BBDC4 é a Bradesco Saúde — um segmento significativo de receita de R$ 45 bilhões, emergindo de baixa lucratividade com impulso operacional. 

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Na leitura dos analistas, o setor de planos de saúde está vivenciando um ambiente mais estável após vários períodos turbulentos. 

Agora, as seguradoras e operadoras estão apresentando melhores índices de sinistralidade médica e lucratividade devido à melhor precificação e ao rigoroso controle de custos. 

No caso do Bradesco, as melhorias de margem se destacaram positivamente em relação aos pares nos últimos trimestres. 

Para o Itaú BBA, esse sucesso pode ser atribuído ao enfrentamento de “ineficiências operacionais”, ao controle de reembolsos, ao uso extensivo de dados e à gestão de custos mais eficaz. 

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“Embora tenha havido um crescimento mais lento na base de beneficiários, isso não levou à redução das receitas, e as margens operacionais dispararam. A partir de uma base de custos agora ajustada, esperamos que o crescimento da receita também acelere”, projetou.

Os analistas estão mais otimistas que o consenso de mercado para os resultados de seguros, com expectativa de um crescimento de dois dígitos de lucros e um ROE de cerca de 25% para este ano.

“O crescimento dos lucros com seguros agora está contribuindo para a recuperação bancária, em vez de apenas compensá-la”, destacaram.

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