JP Morgan recomenda distância de Oncoclínicas (ONCO3), mas revela duas ações atraentes no setor de saúde
Os analistas não veem gatilhos de curto prazo para impulsionar a ONCO3 — mas destacam uma dupla de ações com lucros crescentes e preços atraentes na B3

Diante de taxas de juros elevadas e de um cenário ainda difícil para o setor de saúde brasileiro, o JP Morgan passou a recomendar distância de empresas endividadas — e a Oncoclínicas (ONCO3) foi pega em cheio pelo alerta vermelho.
O banco norte-americano decidiu rebaixar as ações da rede de tratamentos oncológicos de neutro para “underweight”, equivalente à venda.
Apesar de reconhecerem o potencial do mercado de tratamento de câncer no Brasil, os analistas não veem gatilhos de curto prazo para impulsionar a Oncoclínicas (ONCO3).
Segundo o banco, a dependência de acordos de exclusividade com médicos e parcerias com planos de saúde combalidos financeiramente também pesam contra a empresa, limitando sua capacidade de rentabilizar o Ebitda.
Para os analistas, a preocupação com a Oncoclínicas jaz tanto no alto nível de alavancagem, estimado em 3 vezes a relação dívida líquida sobre o Ebitda estimado para 2025, como também na dificuldade em gerar fluxo de caixa livre (FCF) no curto prazo.
“Em um modelo de negócio que já apresenta uma baixa conversão de Ebitda para fluxo de caixa, a empresa tem enfrentado fortes ventos contrários de seus pagadores pressionados que têm impulsionado recebíveis mais altos; isso, juntamente com sua alta alavancagem persistente, provavelmente elimina a geração de caixa de curto prazo.”
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É por essas mesmas preocupações que os analistas mantiveram recomendação de venda para a Viveo (VVEO3), aliás.
Na visão do JP Morgan, a estratégia da companhia de focar no ROIC (retorno sobre o capital investido) está levando a um baixo nível de competitividade em produtos que já têm baixos retornos.
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Além disso, uma concorrência mais difícil do que o esperado, especialmente em produtos de maior valor, está afetando o crescimento e a margem bruta da Viveo, o que se traduz em alavancagem operacional limitada, restringindo ainda mais o espaço para ganhos de margem de Ebitda nos próximos trimestres.
O JP Morgan também recomenda aos investidores que se afastem de empresas com modelos de negócios desafiadores, como a Qualicorp (QUAL3), também classificada como "underweight".
Os analistas avaliam que o modelo de negócio da empresa está sendo desafiado à medida que os operadores reduzem a exposição ao produto e focam mais na oferta para pequenas e médias empresas (PMEs).
“Embora apareça como um nome com valuation extremamente descontado, negociada a um múltiplo de cerca de 3 vezes o preço/lucro para 2025, acreditamos que a sustentabilidade dos tais ganhos da Qualicorp é incerta, enquanto seus fluxos de caixa operacionais estão sendo direcionados para pagamentos de dívidas.”
Então, onde investir no setor de saúde?
Apesar da visão negativa sobre a dupla de ações, o JP Morgan ainda vê boas oportunidades para lucrar com o setor de saúde — e aponta caminhos promissores para a Rede D'Or (RDOR3) e a Hapvida (HAPV3), as queridinhas do banco no momento.
“O foco deve permanecer em empresas consolidadoras da indústria com balanços enxutos. Por isso, continuamos a favorecer Rede D'Or e Hapvida, dado o sólido crescimento anual do lucro e geração de fluxo de caixa livre”, avaliaram os analistas.
Os pontos positivos das ações da Rede D’Or (RDOR3)
Para os analistas, a Rede D'Or se destaca pela dominância nos mercados de saúde privada do Rio de Janeiro e São Paulo, o que confere ao gigante hospitalar um poder de barganha diferenciado com os planos de saúde.
Isso não significa que não haja incertezas pairando sobre a empresa. A aquisição da SulAmérica e a recente parceria com o Bradesco em torno de projetos greenfield (em estágio inicial) continuam sendo um ponto chave de preocupação para os investidores, dado a robustez dos negócios e do elevado patamar de investimentos necessário para os próximos anos.
Contudo, o JP Morgan tem uma postura construtiva sobre o plano de expansão à luz da estratégia da Rede D’Or de conduzir os tratamentos dos pacientes e da complexidade para suas instalações.
“Os resultados até o terceiro trimestre indicaram que a estratégia está no caminho certo com boas tendências de precificação, alta ocupação e a implantação de novos leitos operacionais, enquanto a SulAmérica está perto de normalizar sua lucratividade”, disseram os analistas.
“A entrega contínua de resultados deve ser o principal motor das ações”, acrescentaram.
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Por trás do otimismo com a Hapvida (HAPV3)
Enquanto isso, a perspectiva otimista quanto à Hapvida (HAPV3) deve-se ao valuation atraente, com as ações negociando a um múltiplo de 10 vezes o preço/lucro de 2025, combinado às perspectivas de crescimento de lucros e de que a empresa deve “permanecer um consolidador chave da indústria”.
É verdade que os ruídos em torno dos impactos do aumento da judicialização, que levaram a maiores provisões, continuam, mas o banco avalia que essas incertezas devem diminuir, especialmente após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2024.
“Embora os problemas de judicialização devam atrasar a recuperação completa da sinistralidade, as tendências positivas devem permanecer”, disse o JP Morgan.
Além disso, a Hapvida continuou a fortalecer sua rede de serviços para ter uma oferta de produtos melhor, o que deve impulsionar a alavancagem operacional do negócio.
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