Gestor rebate alerta de bolha em IA: “valuation inflado é termo para quem quer ganhar discussão, não dinheiro”
Durante o Summit 2025 da Bloomberg Linea, Sylvio Castro, head de Global Solutions no Itaú, contou por que ele não acredita que haja uma bolha se formando no mercado de Inteligência Artificial

Diante do rali quase exponencial e dos investimentos sem precedentes que as grandes empresas de tecnologia têm feito em quase tudo que ronda a tese da Inteligência Artificial (IA), um questionamento assombra investidores e empresários no mundo todo: seria essa mais uma bolha?
O receio entre os investidores é que, depois de uma disparada tão forte, as empresas relacionadas à IA já estejam caras demais na bolsa e que o investidor tenha perdido o momento para aproveitar a festa.
A discussão é ampla, mas para Sylvio Castro, head de Global Solutions no Itaú, a resposta é direta: não há bolha… Pelo menos por ora.
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Por que não há uma bolha, segundo este gestor?
Em participação em um evento da Bloomberg Linea, nesta segunda, o gestor afirmou que existe um erro fundamental na argumentação de que tese estaria ‘muito cara’: usar o valuation como um bom indicador antecedente para tomada de decisões.
“Eu sei que ensinaram isso pra vocês, para mim também. Mas está errado. Ninguém testou essa hipótese, então nós fizemos isso lá no banco [Itaú]. a conclusão que chegamos foi a seguinte: valuation é importante, mas não como indicador antecedente. Nem aqui, nem lá fora”, disse durante um painel no Summit 2025 da Bloomberg Linea.
- Para deixar todo mundo na mesma página: valuation é o termo usado no mercado financeiro para se referir ao processo de estimar quanto uma empresa, ativo ou investimento vale de fato. Ou seja, o valor justo. Resumidamente, é uma tentativa de estimar se uma ação ou investimento está caro ou barato.
Para ele, essa ferramenta serve muito mais para identificar oportunidades individuais de investimento, e não para enxergar padrões para o futuro.
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Castro afirma que o valuation deve ser usado para saber, por exemplo, se uma ação está cara ou barata — e assim medir o potencial de ganhos, ou a chance de perder dinheiro — não como uma forma de medir a sustentabilidade do mercado como um todo.
Nesse sentido, o valuation seria muito mais útil como uma medida de gestão de risco do que um indicador sobre quando entrar ou sair de um investimento.
“Eu costumo dizer que o valuation é como um super trunfo. Se você quer ganhar a discussão, mas não ganhar dinheiro, use o valuation como catálogo”, afirmou Castro.
Para ele, ainda há muito espaço para o mercado de inteligência artificial crescer — o que não significa que não possa surgir uma bolha, eventualmente.
“Se acontecer, isso pegaria muitos investidores com carteiras mal posicionadas. Por isso, é muito mais uma questão de cautela, de ir se aproximando da porta de saída à medida que o valuation sobe, do que de usar essa métrica como um sinal definitivo de que é hora de sair da festa”, afirmou Castro.
A opinião foi ressoada pelos outros gestores presentes no painel: Bruno Barino, CEO da BlackRock no Brasil, e Marina Tennenbaum, COO e head de sales do Pátria Investimentos.
Na visão de Barino, essa é uma das grandes mega tendências para os próximos anos.
“Acreditamos que a IA representa uma transformação muito maior do que as outras revoluções do século 20. Quando olhamos para os Estados Unidos, por exemplo, estamos falando de um volume de investimento de cerca de US$ 700 bilhões por ano até 2030”, afirmou o executivo.
Outros investimentos que estão em foco para os próximos anos
Além da Inteligência artificial, o CEO da BlackRock no Brasil afirmou que outra tese na qual a casa tem apostado fortemente é na transição energética… mas não do jeito que conhecemos.
“A gente também tem investido bastante na área de transição energética, mas, do nosso ponto de vista, isso está muito mais ligado a atender uma demanda adicional de forma sustentável do que a simplesmente substituir o que já existe”, afirmou Barino.
Barino citou o acordo com a Vale (VALE3) para o estabelecimento de uma joint venture na Aliança Energia como parte dessa estratégia.
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