Fundo Verde diminui exposição a ações no Brasil, apesar de recordes na bolsa de valores; é sinal de atenção?
Fundo Verde reduz exposição a ações brasileiras, apesar de recordes na bolsa, e adota cautela diante de incertezas globais e volatilidade em ativos de risco

O lendário Fundo Verde deve parte de seu desempenho acima do benchmark, o CDI, à valorização da bolsa brasileira.
Enquanto o fundo teve rentabilidade de 1,41% no mês, o CDI, que acompanha a taxa Selic — atualmente no maior nível dos últimos 19 anos — teve alta de 1,28%.
No acumulado do ano, o fundo já rendeu 13,58%, ante 11,76% do CDI, e em 12 meses, de 19,89%, ante 13,69% do CDI. Uma façanha relevante, mesmo para os padrões da gestora de Verde Asset Management, de Luis Stuhlberger.
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"O fundo teve em outubro ganhos distribuídos em várias estratégias, com destaque para a exposição em bolsa brasileira, o livro de crédito local, a exposição em ouro e a posição aplicada em juro real no Brasil. As perdas vieram de posições de moedas e cripto", descreve a gestora em relatório mensal.
Mas o fundo bem sabe que retorno passado não é garantia de lucros no futuro. Por isso, optou por reduzir sua exposição a ações brasileiras de risco.
O Verde nem sempre está aberto para novos investidores. Com aplicação mínima de R$ 5.000, tem patrimônio líquido de R$ 843,52 milhões.
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Como está a bolsa brasileira
A derrota do governo na votação da MP 1303, que tratava de alternativas para a cobrança de IOF, e o aumento da popularidade do presidente Lula para as eleições do ano que vem trouxeram instabilidade à bolsa brasileira no começo do mês.
"Com isso, os ativos brasileiros viram algum nervosismo e quedas nas primeiras semanas", diz a carta.
No entanto, durante o mês investidores estrangeiros vieram com força para a bolsa brasileira, que viveu sua maior sequência de recordes desde 1994.
Apesar disso, o fundo optou por reduzir sua posição em ativos brasileiros, por enxergar que, daqui para frente, os riscos devem ser maiores.
"Em meio a este cenário, reduzimos a alocação em ativos de risco brasileiros, por considerar o retorno prospectivo mais limitado para os riscos e volatilidade que vemos à frente", diz a carta.
"O fundo implementou hedges na sua alocação em ações brasileiras, reduzindo a exposição líquida comprada, e manteve estável o livro global."
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Tensão nos EUA
O fundo também menciona a incerteza global. Com o shutdown do governo norte-americano, enorme maioria dos dados econômicos que o mercado acompanha não foram publicados, e o banco central americano, o Fed, deu um tom um pouco mais sóbrio para as perspectivas de mais cortes adiantes.
Ainda que as relações entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu homólogo chinês, Xi Jinping, tenham amainado, a política tarifária norte-americana continua um ponto de tensão.
Inteligência artificial
Outro ponto de instabilidade é a disparada das ações ligadas à inteligência artificial. "Cada questionamento sobre a sustentabilidade desse ciclo traz volatilidade desproporcional", diz o documento.
E o fundo brasileiro não é o único preocupado com essa disparada. O Softbank, conglomerado japonês conhecido por seus grandes investimentos em tecnologia, vendeu toda a participação na Nvidia por US$ 5,83 bilhões para fortalecer seu caixa e investir em outras iniciativas de IA. O diretor financeiro da gigante, Yoshimitsu Goto, disse: "Não consigo dizer se estamos em uma bolha de IA ou não".
Esse também foi o tema do último podcast Touros e Ursos, produzido pelo Seu Dinheiro e com participação de Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, e Enzo Pacheco, analista da Empiricus. Veja o episódio todo aqui.
Apesar de todos esses riscos no cenário internacional, os ativos de risco tiveram mais um bom mês, com o S&P subindo 2,27%.
Ouro como ativo de segurança
Se de um lado a IA e ativos de risco estão disparando, do outro, o ouro continua um ativo importante para uma carteira diversificada, diz o fundo Verde.
O metal vê sua valorização atrelada a uma busca de investidores internacionais e bancos centrais de todo mundo por diminuir a sua dependência do dólar e de títulos do tesouro norte-americano.
"O fundo conseguiu navegar essa volatilidade com disciplina e continua a carregar posição comprada naquele que vemos como um dos principais beneficiários de uma tendência secular de diversificação de moedas além do dólar", diz o documento.
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