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A Ambipar enfrenta uma onda de desconfiança no mercado, e a crise atinge em cheio os dividendos do FII
A crise da Ambipar (AMBP3) bateu à porta dos fundos imobiliários: o BM Brascan Lajes Corporativas (BMLC11) informou ao mercado que não recebeu o valor de aluguel da empresa referente a setembro.
Com o calote, quem vai sentir o peso da inadimplência são os cotistas, que vão ver um valor menor pingar na conta. Isso porque, segundo o documento, o FII foi negativamente impactado em R$ 0,06 por cota, com reflexo direto na distribuição de dividendos aos investidores referentes ao mês.
O BTG Pactual, administrador do BMLC11, esclarece que o fundo vai cobrar multa e os encargos devidos, conforme previsto no contrato de locação. Além disso, após o recebimento do valor devido, o montante será distribuído aos cotistas.
Já a Argucia Capital, gestora do FII, afirmou que já está em contato com a locatária e ressaltou que o contrato de locação possui como garantia seguro-fiança, equivalente a 12 vezes o valor do aluguel mensal, incluindo as respectivas taxas de condomínio e encargos locatícios.
Porém, os recados não foram o suficiente para acalmar os investidores. Após o anúncio, as cotas do fundo imobiliário amanheceram em queda. Por volta das 12h10, o BMLC11 caía 2,06%, negociado a R$ 92,66.
O nome da Ambipar foi parar nas manchetes dos principais jornais do país após a companhia conseguir uma blindagem contra credores na Justiça, que proibiu a execução de dívidas, evitando um efeito-dominó que poderia agravar a crise financeira da empresa.
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Porém, com a decisão judicial, a Ambipar passou a enfrentar uma onda de desconfiança no mercado e viu suas ações derreteram quase 90% nos últimos dias.
A crise se intensificou após reportagens do Broadcast, do Estado de S. Paulo, e do Valor Pipeline levantarem dúvidas sobre o caixa da companhia, devido a uma aparente contradição entre a busca por proteção judicial e a situação financeira da empresa.
Segundo agência de risco S&P Global, que rebaixou a nota de crédito da Ambipar para nível de calote, a empresa havia reportado uma dívida de curto prazo de R$ 616 milhões, o que representa apenas cerca de 5% da dívida bruta.
Ao mesmo tempo, a companhia registrou uma posição de caixa de R$ 4,7 bilhões no fim do segundo trimestre.
Desde então, os credores têm tentado rastrear onde estão os recursos da empresa. Fontes afirmaram que, desde a semana passada, há indícios de que apenas US$ 80 milhões (cerca de R$ 400 milhões) foram efetivamente encontrados.
*Com informações do MoneyTimes.
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