Com bolsas dos EUA nas máximas históricas, onde o Santander vê oportunidades em BDRs?
Ao Seu Dinheiro, Ricardo Peretti e Lucas de Barros Serra revelaram as perspectivas para os papéis na gringa que podem se beneficiar do corte de juros

Em meio à euforia dos mercados, com S&P 500 batendo recordes históricos, a dúvida que paira sobre os investidores brasileiros é: ainda vale a pena apostar em ações ou BDRs nos Estados Unidos? Para os especialistas do Santander, a resposta é sim… mas a palavra de ordem é seletividade.
Embora o mercado norte-americano possa aparentar negociar a múltiplos esticados à primeira vista, há oportunidades quando se olha além do índice, especialmente com o início do ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).
No curto prazo, Lucas Serra, analista da Santander Corretora, prevê um movimento mais lateral ou até uma correção saudável, dado o nível elevado das cotações. Mas, no médio e longo prazo, a perspectiva permanece de alta.
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“O sentimento é de que o mercado americano está caro quando pensamos em termos de índice. Mas as oportunidades estão na mesa, principalmente em tecnologia e no setor de telecomunicações. Observando prazos mais longos, consigo enxergar a continuidade desse movimento altista para a bolsa americana”, afirma Serra, em entrevista ao Seu Dinheiro.
A expectativa principal é de um pouso suave (soft landing) para a economia americana, um cenário onde o crescimento se mantém, sem grandes solavancos econômicos — um ambiente bastante favorável para as ações.
O estrategista reforça que o desafio não é apenas entrar no movimento positivo do mercado, mas superá-lo. Para isso, o Santander aposta em papéis com beta mais alto — aqueles mais sensíveis a variações do mercado —, focando em tecnologia e comunicação.
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“Quero estar posicionado em papéis que andam mais do que a bolsa”, acrescentou o especialista.
As apostas do Santander em BDRs
Dentro desse cenário, três BDRs se destacam no portfólio de apostas do Santander: Nvidia (NVDC34), Microsoft (MSFT34) e Meta (M1TA34).
A Nvidia é descrita pelo analisa como um "carro chefe que o investidor deve ter em carteira", impulsionada por sua liderança no desenvolvimento de chips para inteligência artificial (IA).
Com uma vanguarda tecnológica estimada em até dois anos à frente dos concorrentes e uma demanda constante por seus produtos, a empresa ainda apresenta um potencial de valorização de mais de 20%, nas contas do Santander.
“Como uma opcionalidade, há ainda a penetração no mercado chinês. Hoje, o mercado não vê a Nvidia voltando a exportar para a China, mas, se isso for retomado no futuro, pode ser uma nova avenida de crescimento”, afirmou o analista.
O maior risco para a tese seria uma queda no investimento das grandes empresas em inteligência artificial, o que impactaria diretamente as receitas da Nvidia.
A Microsoft, por sua vez, é considerada uma ação "um pouco esquecida" pelo mercado, e que, por isso, "ainda tem mais espaço para andar" e capturar o crescimento do segmento de nuvem.
A Meta, dona do Facebook e Instagram, passou a integrar o trio de favoritas na carteira recomendada de outubro, no lugar da Alphabet, dona do Google.
O motivo da mudança foi puramente valuation: a ação da Alphabet subiu muito em setembro, com uma valorização de dois dígitos, e ficou “cara demais”. Isso poderia sinalizar que a performance ao longo dos próximos meses poderia não ser tão robusta quanto a da própria bolsa norte-americana, segundo o analista da Santander Corretora.
Enquanto isso, a Meta apresenta resultados robustos e uma monetização mais clara de seus investimentos em inteligência artificial.
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Um BDR para ficar longe
Mas a estratégia não é só de compra. Saber de quais papéis se afastar é igualmente crucial.
A Tesla, por exemplo, é vista com ressalvas e não faz parte das carteiras recomendadas.
Na visão do estrategista Ricardo Peretti, apesar do entusiasmo pela transição para veículos elétricos, os múltiplos elevados, questões de governança e uma contínua perda de mercado para concorrentes asiáticos colocam a empresa de Elon Musk na lista de papéis a serem evitados no momento.
O Santander também possui uma alocação baixa no setor de consumo não discricionário na bolsa norte-americana. Para os especialistas, o segmento corre o risco de sofrer com tarifas e uma pressão maior sobre os custos, que ainda não foram totalmente repassados.
Há oportunidades em ações nos EUA… mas e no Brasil?
Para Peretti, os BDRs de tecnologia oferecem ao investidor brasileiro acesso a macrotendências globais difíceis de encontrar no Brasil. Mas ele alerta: a exposição precisa ser moderada.
“O investidor deve continuar tendo bolsa americana em sua carteira, principalmente para médio e longo prazo. Mas com cautela e com o pé um pouco mais leve, sem colocar todas as fichas no mercado americano, especialmente pelos múltiplos esticados e pelas teses que podem não se concretizar”, acrescentou Serra.
No Brasil, a postura também é “cautelosamente otimista”. A estratégia tem sido reduzir a exposição ao risco, substituindo ativos por outros mais defensivos, como trocar Copel (CPLE6) por Telefônica Brasil (VIVT3).
Ainda assim, a visão de longo prazo segue construtiva, com preço-alvo de 160 mil pontos para o Ibovespa até o fim do ano.
Em um momento de máximas históricas, paciência e escolha criteriosa de ativos são as recomendações do Santander para navegar a onda de valorização, seja nos EUA ou no Brasil.
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