Os juros vão cair mesmo? Por que o mercado comemorou o PIB dos EUA, mas não deveria
Indicadores econômicos divulgados nesta quinta-feira (25) reforçaram a crença dos investidores de que o primeiro corte de juros nos EUA em quatro anos vai acontecer em setembro

A primeira leitura das três leituras do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre mostrou que os EUA têm o título de maior economia do mundo e não é à toa: com os juros no maior patamar em mais de duas décadas, o país conseguiu crescer 2,8% entre abril e junho — muito acima de 1,4% do primeiro trimestre e da previsão de 2,1% da Dow Jones.
Os gastos do consumidor ajudaram a impulsionar o crescimento no período, assim como as contribuições do investimento privado em estoques e do investimento fixo não residencial.
Além do PIB, o Departamento do Trabalho informou mais cedo que os pedidos iniciais de auxílio desemprego totalizaram 235.000 na semana encerrada a 20 de julho, uma queda de 10.000 em relação à semana anterior e exatamente em linha com a previsão do Dow Jones.
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Além disso, as encomendas de bens duráveis — geralmente artigos de valor elevado, como aviões, eletrodomésticos e computadores — caíram inesperadamente 6,6% em junho, em comparação com a previsão de um aumento de 0,3%. No entanto, excluindo transportes, as novas encomendas aumentaram 0,5%.
A reação do mercado foi imediata: os futuros em Nova York subiram, os Treasurys tocaram mínimas e o dólar perdeu força. Há mesmo motivo para essa euforia?
Carl Weinberg, economista-chefe da High Frequency Economics, disse que nada está garantido diante da força da economia norte-americana, que segue se expandindo com os juros entre 5,25% e 5,50% ao ano.
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“[Jerome Powell] deu a entender que nada pode mudar na política monetária já que a economia está em pleno emprego, com a inflação onde o Fed quer que esteja e crescendo bem. Por que você iria querer cortar as taxas nessas circunstâncias?”, questionou.
João Piccioni, CIO da Empiricus Gestão, também concorda que a força da economia norte-americana reforça a tese de que o Federal Reserve (Fed) tem espaço para esperar para cortar os juros.
“Se olharmos os fundamentos técnicos, o Fed não tem motivo para cortar os juros agora. A inflação ainda roda na casa dos 3%, acima da meta de 2% do banco central norte-americano”, afirma.
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O mercado comemorou sem motivo?
Não. Houve boas notícias no que diz respeito à inflação: o índice de preços para gastos pessoais (PCE, na sigla em inglês) — a métrica preferida do Fed — subiu 2,6% no trimestre, abaixo dos 3,4% no primeiro trimestre.
Excluindo alimentos e energia, os preços básicos do PCE, nos quais o Fed se concentra ainda mais como um indicador de inflação de longo prazo, avançaram 2,9%, abaixo dos 3,7% do período anterior.
Outra variável importante, as vendas finais a compradores domésticos privados, que o Fed considera um bom indicador de demanda, acelerou a um ritmo de 2,6% — o mesmo que no trimestre anterior.
No entanto, o relatório do PIB de hoje também indicou que a taxa de poupança pessoal continua a desacelerar, a 3,5% no trimestre, em comparação com 3,8% dos três meses anteriores.
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O corte de juros vem aí?
A expectativa é de que o BC dos EUA mantenha a taxa de juros nos níveis atuais quando se reunirem na próxima semana, com o mercado apontando para o primeiro corte em quatro anos em setembro.
Após os dados do PIB de hoje, as apostas de redução da taxa em setembro se mantiveram em 100%, de acordo com dados compilados pelo CME Group.
As autoridades monetárias têm sido cautelosas sobre quando poderão começar a reduzir o juros, embora comentários recentes indiquem uma maior vontade de começar a flexibilizar e a maioria deles tenha dito que enxergam novos apertos como improváveis.
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