O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
A maxidesvalorização do peso atingiu de maneira diferente as empresas; consumo em geral caiu, mas viagens aumentaram
A Argentina elegeu seu novo presidente no fim de 2023 e os primeiros cem dias do governo de Javier Milei não foram nada mais nada menos do que turbulentos.
De cara, o novo chefe da Casa Rosada pegou um país em meio a uma profunda crise, sem reservas e com a faca do Fundo Monetário Internacional (FMI) no pescoço.
Assim que assumiu o cargo, Milei anunciou um polêmico pacote que afetou diretamente a população argentina. Por tabela, as medidas atingiram as empresas brasileiras que atuam no país.
Entre as companhias com operações relevantes na Argentina estão pesos pesados da bolsa brasileira, como a cervejaria Ambev (ABEV3), o frigorífico Minerva (BEEF3), a operadora de turismo CVC (CVCB3) e o Banco do Brasil (BBAS3).
O chamado “efeito Milei” foi negativo para a maioria delas, mas houve quem se beneficiou das mudanças que o novo presidente promoveu nos primeiros dias de mandato. Como ele assumiu o mandato em dezembro, os reflexos ocorreram nos resultados do quarto trimestre.
Nesta reportagem, o Seu Dinheiro conta para você o que aconteceu na Argentina e como as medidas de Milei mexeram com o balanço das empresas brasileiras com negócios no país vizinho.
Leia Também
Relembrando, poucos dias após receber a faixa presidencial, Milei promoveu uma maxidesvalorização do peso argentino, que se deu especialmente por uma medida aprovada à época para equiparar o preço do dólar oficial com o blue — cotação paralela, mais próxima da realidade.
Em outras palavras, 1 dólar saiu de 360 pesos para mais de 800 pesos na cotação oficial do banco central, aquela utilizada por empresas, bancos etc. Desde então, o dólar oficial vem se aproximando da cotação blue, que atualmente gira em torno dos 1.000 pesos.
A ideia central do governo é convergir todas as várias cotações para um único preço e extinguir o controle sobre o câmbio.
Naturalmente, o efeito na economia e no dia a dia da população foi quase imediato, tendo em vista que o país já vinha enfrentando uma hiperinflação e desvalorização da moeda local, a pedido do FMI.
Quem também acabou sendo pego no meio do fogo cruzado do “efeito Milei” foram as empresas brasileiras que operam no país vizinho.
Para analisar as empresas brasileiras com operações na Argentina, é preciso entender algo antes.
As normas contábeis permitem que as companhias que tenham operações em países de economias hiperinflacionárias façam a conversão para moeda brasileira atualizada pelo câmbio de fechamento no dia da finalização do balanço.
Essa é uma forma de corrigir o efeito da inflação do país sobre o balanço e dar mais transparência na apresentação de resultados. A medida é conhecida como CPC-02/42 (nas normas internacionais, é chamada IAS - 29) e pode ser encontrada no site da CVM.
Por isso, a leitura dos resultados é feita com e sem o impacto da alta inflação da Argentina.
Então já é possível concluir o que aconteceu com as empresas brasileiras: de modo geral, a forte desvalorização da cotação oficial do peso reduziu o ganho em reais reportado nos balanços. Mas esse efeito não foi negativo em todos os casos, como veremos a seguir.
Começando por aquelas que se deram mal, empresas relacionadas ao consumo e varejo. Entre elas, podemos destacar Ambev (ABEV3), Minerva (BEEF) — que chegou a cair mais de 10% após a publicação de resultados — e Natura (NTCO3).
Veja a seguir como o “efeito Milei” atuou sobre essas empresas:
A cervejaria brasileira registrou lucro líquido ajustado de R$ 4,667 bilhões no último trimestre de 2023, o que representa uma queda de 11,9% em relação ao mesmo período de 2022.
Dona da marca Quilmes na Argentina, a operação da Ambev (ABEV3) sentiu a pressão da variação do câmbio oficial no país. A perda do poder de compra do peso e a hiperinflação, que fechou o ano com 211% de alta, também derrubaram a demanda por bebidas. Ou seja, não houve apenas um efeito contábil.
Porém, verdade seja dita: nem tudo foi culpa de Milei. Vale destacar que os analistas já esperavam uma queda no lucro da Ambev em razão da base de comparação forte com o quarto trimestre de 2022, quando aconteceu a última edição da Copa do Mundo.
A Minerva (BEEF) publicou resultados que foram classificados como “fracos”, tanto pelos analistas do Itaú BBA quanto pelos da XP.
Essa talvez tenha sido a empresa mais afetada pela desvalorização da moeda local e pela perda de poder de compra da população.
Por exemplo, o Ebitda (uma das formas utilizadas por analistas para avaliar a geração de caixa de uma empresa) da Minerva no quarto trimestre de 2023 foi de R$ 606 milhões, 20% abaixo das estimativas da Bloomberg.
Porém, excluindo os impactos contábeis da Argentina, o Ebitda ajustado ficaria apenas 7% abaixo das mesmas projeções.
A desvalorização do peso em 2023 resultou em um impacto pontual — e não caixa, explica a empresa — de R$ 1,5 bilhão, integralmente contabilizado no último trimestre daquele ano, o que explica os resultados abaixo do esperado.
O mesmo processo de hiperinflação afetou a demanda e, consequentemente, o balanço da Natura (NTCO3).
O lucro líquido anual de R$ 3 bilhões da fabricante de cosméticos foi levemente ofuscado com efeitos da reestruturação e operação na Argentina.
A receita líquida consolidada da Natura &Co Latam — segmento de negócios na América Latina — caiu 17% no quarto trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado.
O “efeito Milei” foi tal que, ao excluir os efeitos da hiperinflação e da variação cambial da Argentina, o Ebitda ajustado da Natura &Co apresenta forte crescimento de 60% na comparação anual.
Quem se deu bem no período conturbado da Argentina foram os setores financeiro e de viagens. O gap cambial teve duas caras de uma mesma moeda.
De um lado, o real se fortaleceu contra o peso, tornando a Argentina um destino viável para turismo — e um dos preferidos dos brasileiros em 2023.
Nos primeiros sete meses, mais de 750 mil brasileiros foram à Argentina, estabelecendo um novo recorde para julho, com mais de 150 mil turistas.
No caso da CVC, a operadora de turismo não só manda brasileiros para o país vizinho como também realiza pacotes de viagem para argentinos.
E os “hermanos” aproveitaram os meses que antecederam a eleição de Milei para viajar ao exterior, provavelmente antecipando a desvalorização do peso que viria em seguida.
“Na Argentina, a representatividade por destinos internacionais segue elevada, representando 92% das reservas confirmadas”, destacou a CVC, no relatório que acompanhou o último balanço.
Como resultado, a receita líquida da operação argentina da CVC aumentou 24,8% em relação ao quarto trimestre de 2022.
O número só não foi melhor porque a operadora de turismo precisou fazer uma provisão para contingência na Argentina de R$ 54,8 milhões.
Por fim, mas não menos importante, quem também divulgou um resultado positivo com a operação no país vizinho foi o Banco do Brasil (BBAS3).
O lucro líquido ajustado do quatro trimestre foi de R$ 9,4 bilhões e de R$ 36,5 bilhões em 2023, um recorde para o ano.
Uma das alavancas foi o resultado do Banco Patagônia, controlado pelo BB na Argentina, que teve números mais altos diante do efeito da variação cambial sobre os títulos atrelados ao dólar — em especial após a desvalorização do peso promovida por Milei.
Um levantamento da CBRE mostra a capital paulista no top 5 entre os maiores mercados do mundo em residências de luxo associadas a marcas
Cálculos do JP Morgan mostram que cerca de US$ 25 bilhões poderiam entrar na bolsa brasileira vindos lá de fora
Medida dos Estados Unidos barra novos vistos de imigrantes para o Brasil e outras 74 nações sob o argumento de evitar custos ao contribuinte americano
Número 1 do Brasil, João Fonseca estreia no Australian Open 2026 diante do norte-americano Eliot Spizzirri; partida acontece às 22h40, no horário de Brasília
A China domina o segmento dos minérios indispensáveis para fazer de smartphones até mísseis inteligentes, mas o Brasil ocupa o segundo lugar e pode se beneficiar com o “degelo” nas relações com os EUA
Após ameaça de tarifas de até 25% feita por Donald Trump, União Europeia avalia acionar instrumento de anticoerção econômica que pode atingir empresas e investimentos dos EUA
Relatório da Oxfam mostra que bilionários acumularam US$ 2,5 trilhões em um único ano, enquanto pobreza estagna e fome avança
Até então, o Inter operava nos EUA por meio da subsidiária Inter Payments e pela Inter US Holdings; BTG e Nubank também miraram o mercado norte-americano
Os estrategistas do BofA selecionaram quatro setores que podem se beneficiar da inteligência artificial sem a exposição direta às empresas de tecnologia
Declarações de Trump sobre a Groenlândia levantam dúvidas sobre os limites da defesa coletiva da OTAN quando a ameaça parte de um país-membro da própria aliança
O primeiro lugar do pódio com o maior potencial de retorno, segundo o banco, também é o primeiro no quesito volatilidade
Fundo projeta um crescimento de cerca de 4,5% para este ano e destaca desceleração expressiva da inflação em 2025; mas norte-americanos alertam para possibilidade de calote
Com sol escasso no inverno, dias intermináveis no verão e uma população menor que a de muitas cidades brasileiras, a Groenlândia saiu do isolamento e entrou no centro da geopolítica global
A dona da Bloomingdale’s deve ser uma das poucas a se beneficiar com a entrada na rival no Chapter 11 — e os números mostram que ela está pronta para essa oportunidade
Premiação que “celebra” os tropeços do cinema inclui nomes brasileiros na lista de indicados e mostra como sucesso e decepção caminham lado a lado
Suspensão de vistos atinge 75 países e inclui 23 seleções classificadas ou na repescagem da Copa do Mundo, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México
Medida do governo Trump entra em vigor em 21 de janeiro, atinge 75 países e faz parte de uma revisão nos critérios de triagem e concessão de vistos pelos Estados Unidos
No total, Brasil e mais 74 países são alvo do endurecimento da política anti-imigração de Trump, que já revogou o recorde de mais de 100 mil vistos desde que voltou à Casa Branca, em janeiro do ano passado
Bairros populares de Basileia desafiam estereótipos ao combinar renda mais baixa, serviços públicos eficientes, alto IDH e qualidade de vida acima da média global
Filme brasileiro premiado no Globo de Ouro teve orçamento de cerca de R$ 27 milhões, apoio do Fundo Setorial do Audiovisual e coprodução internacional