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O país liderado por Nicolás Maduro vem utilizando o Tether (USDT), a terceira maior criptomoeda do mundo, para vender petróleo desde o ano passado

Nações por todo planeta tentam se livrar da hegemonia do dólar norte-americano utilizando das mais variadas formas e pelos mais variados motivos. Nesse cenário, a Venezuela vem gradualmente deixando de lado a moeda dos Estados Unidos e utilizando criptomoedas nas negociações de petróleo com o resto do mundo.
A verdade é que não é bem um abandono total do dólar. De acordo com matéria publicada pela Reuters na última segunda-feira (22), o país liderado por Nicolás Maduro vem utilizando o Tether (USDT), a terceira maior criptomoeda do mundo, para vender petróleo desde o ano passado, porém em menor escala.
O Tether é de de uma classe específica de criptomoedas, as chamadas stablecoins — ou, em resumo, moedas virtuais que possuem lastro e, no caso do USDT, paridade com o dólar norte-americano.
Em outras palavras, a Venezuela vem usando um “dólar virtual” para fazer as negociações de petróleo com outros países. E esse movimento tem se intensificado após os Estados Unidos voltarem a levantar sanções econômicas contra o país.
O medo da Venezuela é de que, ao utilizar moedas tradicionais no contexto das sanções impostas pelos EUA, as receitas da venda do petróleo sejam bloqueadas nas contas estrangeiras do país.
Em outubro do ano passado, o país liderado por Joe Biden afrouxou regras para importação do petróleo venezuelano. A medida, porém, valia apenas por seis meses, tendo terminado no final de março.
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Com criptomoedas, impedir o acesso às carteiras virtuais (wallets) é mais difícil. Vale lembrar que o Tether é emitido por uma empresa de mesmo nome e que não tem ligação direta com o Tesouro dos Estados Unidos, o que dificultaria alguma sanção imediata.
"Temos várias moedas diferentes [para negociar petróleo], de acordo com o que está previsto em contrato", disse o ministro do Petróleo venezuelano, Pedro Tellechea, à Reuters, na semana passada.
Ele ainda afirmou que, em alguns contratos, as criptomoedas podem ser o método de pagamento preferido. Tellechea não deixou claro o porquê, mas as transações quase anônimas das moedas virtuais podem ser uma pista.
Em 2023 houve um escândalo de corrupção envolvendo a Petróleos de Venezuela, ou apenas PDVSA, como é mais conhecida a estatal que explora a commodity por lá.
Foram descobertos cerca de US$ 21 bilhões em recebíveis não contabilizados de exportações de petróleo nos últimos anos. Algumas dessas transações envolviam também a utilização de criptomoedas.
Na mesma época, Tellechea assumiu o Ministério do Petróleo da Venezuela, e os EUA retiraram sanções para a importação de petróleo do país — tendo em vista os conflitos com grandes países produtores, como Rússia e nações do Oriente Médio.
O resultado foi visto neste ano: as exportações atingiram cerca de 900 mil barris por dia em março, o maior valor em quatro anos.
A PDVSA também passou a exigir que os novos clientes que queiram negociar com a Venezuela tenham criptomoedas em uma carteira digital. Até mesmo alguns contratos antigos estão sendo alterados para utilizar o USDT.
Porém, para fazer essas negociações, são necessárias parcerias com intermediários, como corretoras (exchanges) ou outras plataformas de cripto. E parte das sanções dos EUA atinge esses entes, o que dificulta a ampliação do uso de USDT.
Assim, a Venezuela praticamente não consegue negociar diretamente com grandes consumidores, como a China.
Aqui no Seu Dinheiro nós já fizemos uma sequência de matérias sobre a hegemonia do dólar norte-americano como principal moeda para transações do planeta. Aqui você pode ler as partes quatro, três, dois e um.
Essa “majestade” do dólar começou no fim da Segunda Guerra Mundial e se estendeu até a suspensão da Rússia do Swift, o sistema de pagamentos internacional — e aí tudo começou a ir pelo ralo.Desde então, até mesmo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se tornou uma das vozes mais ativas contra a hegemonia do dólar.
Em visita à China, ele reforçou à época a necessidade de uma moeda comum para trocas comerciais dos BRICS, o bloco de países em desenvolvimento mais importante do mundo.
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